Filipe Bragança revelou os bastidores de sua preparação para interpretar Amyr Klink em “100 Dias”, que estreia em 29 de outubro. Em entrevista exclusiva ao Hugo Gloss, o ator falou sobre a transformação física, os treinamentos e os desafios das filmagens da travessia pelo Atlântico.
Todos a bordo para uma viagem inesquecível! Filipe Bragança encarou um dos maiores desafios de sua carreira ao ser escalado para viver Amyr Klink nos cinemas. Em “100 Dias”, filme que estreia no dia 29, e é dirigido por ninguém menos do que Carlos Saldanha, o ator interpreta o navegador durante sua travessia histórica pelo Oceano Atlântico, em 1984. Em entrevista exclusiva ao Hugo Gloss, Filipe contou os bastidores da preparação física intensa e das filmagens desafiadoras.
Na vida real, Klink deixou a Namíbia, na África, em um barco a remo projetado por ele mesmo e chegou a Salvador, na Bahia, 100 dias depois. Para levar a história às telonas, o ator passou por uma transformação física e mergulhou de cabeça na rotina de Amyr.
Transformação física e reação de Amyr
Na conversa, Filipe contou que passou de 80 quilos para 68. A transformação levou cerca de dois meses e foi acompanhada por um nutricionista e um personal. “Eu achei que seria importante tentar achar esse equilíbrio entre as fases do personagem ao longo do filme. E, olha, eu fiz da maneira mais saudável possível, embora mesmo assim tenha sido muito difícil”, explicou.
A mudança física não é novidade para o astro, que precisou ganhar massa muscular para outros projetos. Para Filipe, o corpo do personagem faz parte da construção do trabalho. “Foi um processo que durou ali cerca de dois meses. Eu sei que eu já tinha isso na cabeça assim que eu soube da minha aprovação para o papel. Eu já tinha entendido, através de tudo que eu já tinha pesquisado, de todas as referências que eu tinha sobre o Amyr, que eu ia ter que perder esse peso”, completou.
A dieta também mudou sua rotina fora do set. Sem poder beber e comer certas coisas, Filipe terminou se isolando, o que acabou se tornando parte da construção do personagem. “Eu optei pela disciplina, o que acabou me isolando, e de alguma maneira também foi bom, porque eu pude me concentrar exclusivamente na minha preparação e até experimentar um pouco dessa solitude, claro de uma maneira bem menos extrema do que o Amyr, mas ainda assim uma solitude que me permitiu desfrutar da minha própria companhia”, contou.

A preparação, no entanto, não foi apenas física. Antes das filmagens, Filipe chegou a passar um dia inteiro dentro de um barco colocado em uma piscina para entender como dormir, comer e se movimentar no lugar apertado. O ator também passou cerca de dois meses tendo aulas semanais de remo.
Filipe contou que Amyr não confiou na escolha dele para interpretá-lo desde o princípio. Na época, o navegador havia visto Bragança na pele de Sidney Magal, na cinebiografia do cantor, e achou que o ator não se parecia em nada com ele mesmo.
Filipe, entretanto, encarou a situação de forma positiva. “Essa desconfiança na verdade para mim é um grande mérito, porque significa que eu estou conseguindo construir uma carreira bastante diversa, em que eu tenho tido a oportunidade de interpretar personagens muito distintos entre si”, refletiu. Segundo ele, Klink ficou emocionado após ver o filme e disse ter se reconhecido na tela: “É um motivo para comemorar e uma grande vitória”.
Treinamento sem dublês
De acordo com Filipe, boa parte do oceano que aparece no filme foi criado com efeitos especiais. As cenas foram realizadas com uma réplica do barco em um tanque, cercado por tela verde e equipado com máquinas de ondas e vento para reproduzir as condições enfrentadas por Amyr. “Eu conseguia imaginar o céu, o oceano, a água, as ondas, os peixes, o sol, as nuvens, então na verdade foi um processo particularmente prazeroso de realmente estar em contato com a essência do meu trabalho, que é quase uma brincadeira de criança, porque afinal é mergulhar numa fantasia”, explicou.

Algumas sequências, no entanto, foram rodadas em mar aberto, e Filipe decidiu fazer todas as cenas sem ajuda de substitutos. “Eu não tive dublês em nenhum momento durante toda a filmagem de ‘100 dias’, eu me propus a filmar todas as cenas, embora eu não soubesse remar antes do processo de preparação”, revelou.
“Filmamos em mar aberto algumas longas sequências. Em todas essas sequências, eu na verdade me senti muito bem, muito seguro e me diverti muito também. Houve momentos em que inclusive eu queria pegar o barco e remar de volta até a Namíbia”, se divertiu.
Ele ainda contou que “um dos momentos mais prazerosos das filmagens” foi quando pôde remar sozinho por um tempo: “Nesse momento, eu levei comigo o meu celular e a minha caixinha Bluetooth, coloquei Rolling Stones para tocar e segui remando como se não houvesse amanhã”.
Novo momento de carreira
Mesmo com várias experiências no teatro, no cinema e na TV, Filipe confessou que só se considera um ator profissional depois de “100 Dias”. “Acho que saí vitorioso dessa experiência por perceber que eu sou capaz de até mais do que eu imaginava. Foi através dessa experiência que eu pude me considerar um ator profissional porque eu acho que era realmente algo tão desafiador que, a partir dali, eu consegui me dar esse diploma”, brincou.

Ele ainda falou de seus encontros com Amyr, e como fez para entrar de vez no personagem. “Eu acho que foi menos sobre o que ele me falou, porque eu sentia que eu tinha muitas informações para executar esse trabalho. Mas acho que foi menos sobre o que ele me contou e sim sobre toda a observação minuciosa e atenta que eu tive dele. Sempre que eu estava com ele, eu queria observá-lo”, finalizou.
Com roteiro de Elena Soarez e Thais Tavares e direção de Carlos Saldanha, “100 Dias” estreia nos cinemas em 29 de outubro. O longa também tem Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo e João Vitor Silva no elenco.
Confira o trailer:
Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias
