Exclusivo: Gil do Vigor revela desfecho de imbróglio com universidade dos EUA após sumiço de páginas de prova

Exclusivo: Gil do Vigor revela desfecho de imbróglio com universidade dos EUA após sumiço de páginas de prova


Final feliz! Após relatar o drama vivido no programa de PhD em economia, na Universidade de Davis, Gil do Vigor revelou o desfecho do caso. Em entrevista exclusiva ao hugogloss.com, ele contou que a instituição norte-americana se justificou e encontrou uma forma de compensá-lo pela falha, o que resultou em sua aprovação.

Na última semana, durante o “Mais Você“, o ex-BBB apontou que havia sido reprovado em uma das disciplinas após um erro cometido pela Universidade. Gil explicou que foi alvo de injustiça e criticou a negligência dos funcionários. Segundo ele, algumas das páginas de um exame decisivo simplesmente sumiram. Com isso, ele acabou reprovado na disciplina de Microeconomia.

“Eu abri mão de muitas coisas, de trabalhos publicitários. Foram quase R$ 5 a R$ 7 milhões de contratos que eu tive que abrir mão. Não estou brincando no PhD, estou fazendo muito sério. E em uma prova de 33 páginas, 8 delas sumirem? E eu pedi que eles verificassem porque eu não acreditei que alguém tirou as minhas páginas”, lamentou o pernambucano.

Segundo Gil, a coordenadora da Universidade afirmou que ele teria que refazer a prova, ou estaria fora do programa. “Estou sendo punido por um erro deles. E eu me pergunto por qual motivo? Por que comigo, o que foi que eu fiz? Eu só quero o justo. Eu estou trabalhando em uma das melhores universidades do mundo, e o mínimo que eu quero é transparência”, desabafou. No relato, ele chorou e contou que o imbróglio com a instituição acabou prejudicando sua saúde.

Desfecho

Em conversa com o hugogloss.com, Gil admitiu que as páginas faltantes não foram encontradas, mas que a Universidade lidou com a situação e apontou uma falha no sistema. “Mesmo tendo um final feliz, as páginas não foram encontradas. Porém, eu tive todo acolhimento da Universidade e dos professores. Nada me impede de entender com mais profundidade o ocorrido, porque foi uma falha do sistema, e olhar para isso é importante, para que possamos refletir sobre o futuro, o sistema, a comunicação. Até para que isso não se repita. Não só a universidade está ao meu lado, mas os alunos”, disse.

De acordo com o economista, a direção se dispôs a abrir um processo para investigar o caso. “Eles me direcionaram para uma possível segunda opção, que seria recorrer dentro da Universidade contra a decisão e se colocaram à disposição de me apoiarem para a abertura do processo de reavaliação do meu caso”, explicou.

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Gil e a instituição, entretanto, chegaram a um acordo mais simples. O pernambucano teve créditos extras adicionados na disciplina de Econometria, após a professora reavaliar uma das questões de sua prova. “Eu fui aprovado com PhD level em Macroeconomia e Master Level em Econometria. Mas ao conversar com a professora referente a uma questão da prova de Econometria, ela adicionou créditos extras, alcançando, assim, dois PhD level. Dessa forma, pude utilizar meu benefício do GPA de excelência e ser aprovado nos Exames Preliminares, sem necessidade de refazer a prova de Microeconomia”, explicou.

“Conversamos sobre o fato do programa possuir um regulamento que exige um nível mínimo de conhecimento nas áreas estudadas e avaliadas e que, uma vez que não havia a possibilidade de avaliar as páginas desaparecidas, o resultado não poderia ser alterado da disciplina de Microeconomia. Com minha aprovação, não será necessário abrir nenhum processo”, celebrou.

Na ocasião, em seu desabafo no “Mais Você”, Gil chegou a sugerir que o sumiço de páginas da prova poderia se tratar de uma sabotagem. Agora, ao hugogloss.com, ele desceu o tom: “Tudo foi esclarecido com o diálogo aberto. Espero que tal caso sirva de base para que possamos aprimorar o sistema para o futuro”. O brasileiro também evitou considerar xenofobia e racismo, como combustíveis, para o tratamento que recebeu no primeiro momento na universidade. Por fim, ele disse que em quatro anos, esperar concluir o PhD.

Gil do Vigor conseguiu resolver o problema com a Universidade de Davis. (Foto: Globo/ Divulgação)
Gil do Vigor conseguiu resolver o problema com a Universidade de Davis. (Foto: Globo/ Divulgação)

Leia a íntegra da conversa:

HG – Qual foi o desfecho da situação? Eles acharam o restante das páginas da sua prova?

GIL – Mesmo tendo um final feliz, as páginas não foram encontradas. Porém, eu tive todo acolhimento da Universidade e dos professores. Nada me impede de entender com mais profundidade o ocorrido, porque foi uma falha do sistema, e olhar para isso é importante, para que possamos refletir sobre o futuro, o sistema, a comunicação. Até para que isso não se repita. Não só a universidade está ao meu lado, mas os alunos também.

HG – E qual a solução encontrada? Você foi aprovado? 

GIL – Sim, temos um final feliz. Conversei com algumas pessoas da universidade, inclusive com a professora que me avaliou em um dos exames e que atualmente é a Chefe do Departamento de Economia e também foi minha professora e avaliadora em um dos Exames Preliminares. Ela também foi responsável por me passar a decisão do programa referente ao que eu havia solicitado e no momento está tudo esclarecido. Gostaria, inclusive, de aproveitar a oportunidade para explicar sobre alguns processos de quem faz PhD: Os alunos do PhD em diversos programas em economia nos Estados Unidos são submetidos ao que chamamos de PRELIM (Exames Preliminares) e tais exames possuem o objetivo de atestar a capacidade técnica do estudante de PhD em continuar sua jornada em busca de seu grau. Após aprovação nos exames Preliminares, o estudante se torna finalmente PhD Candidate.

O ponto a ser debatido é: quais critérios são necessários para que um aluno seja aprovado em seus exames Preliminares e se torne um PhD candidate? No caso, ser aprovado em 3 exames, ou seja, de Microeconomia, Macroeconomia e Econometria. Além disso, tem uma outra nota para quem faz PhD que se chama GPA de Excelência, que é tipo um termômetro para medir quando um aluno tem sempre notas muito boas, que é o meu caso (pois eu vigoro, Glórias e Aleluias, eu possuo um GPA alto).

Sendo assim, se o aluno possuir GPA de excelência, o mesmo terá o direito de reprovar em uma das áreas de conhecimento, uma vez que ele seja aprovado com PhD Level (notas acima da média) em outras duas áreas do conhecimento. O estudante pode ser aprovado com Master Level (notas abaixo da média) ou PhD level, mas para utilizar o benefício do GPA e poder reprovar uma das disciplinas, o estudante precisa ser aprovado nos outros dois exames e ainda ser aprovado com PhD level!

Eu fui aprovado com PhD level em Macroeconomia e Master Level em Econometria, mas ao conversar com a professora referente a uma questão da prova de Econometria, verificamos uma questão e ela com toda sua honestidade e atenção, adicionou créditos extra à prova de Econometria, alcançando, assim, dois PhD level. Logo, com dois PhD pass, pude utilizar meu benefício do GPA de excelência e ser aprovado nos exames Preliminares sem necessidade de refazer a prova de Microeconomia.

HG- Acha que o fato de você ter uma voz muito importante no Brasil, nas redes e na TV, interferiu nisso?

GIL – Acho que essa é uma oportunidade para nós abrirmos o diálogo sobre todos pormenores que estão na vida de um estudante ou de um acadêmico que quer fazer faculdade fora. Eu recebi mensagem de muitos estudantes também, o que me fez ver como foi importante abrir esse diálogo. A gente sabe que muitos diálogos que acontecem no meio acadêmico, não levamos apenas para uma profissão, mas também para nossa vida pessoal. E é preciso que a gente olhe com carinho para um estudante que está em formação e que tenhamos um olhar para o seu lado físico, financeiro, intelectual e também para a saúde mental.

Então, fico feliz que a minha voz e a minha história possam ser também uma inspiração para vocês. E acredito que hoje com a internet, com a visibilidade que eu tenho e com o poder da educação e o quanto ela significa para as pessoas e para os brasileiros, a gente pôde debater juntos. Inclusive, após eu comentar sobre essa situação, o termo “PhD” foi muito buscado no Google. Pessoas quiseram também falar sobre isso e contar suas experiências. Então, mais uma vez, a gente acaba tornando a educação algo mais acessível para o nosso povo.

HG – Em seu desabafo no Mais Você, você sugeriu que poderia se tratar de uma sabotagem. Como você enxerga o caso?

GIL – Acho que tudo foi esclarecido com o diálogo aberto. Espero que tal caso sirva de base para que possamos aprimorar o sistema para o futuro.

HG – Quando a gente publicou o seu relato, muitos estudantes brasileiros também dividiram suas próprias histórias em instituições estrangeiras, e apontaram casos de xenofobia e ou racismo. Você acha que o recente episódio, de alguma forma, se deve à sua origem no Brasil? Você já sofreu algo do tipo lá?

GIL – Vivemos em um mundo onde os diversos tipos de preconceito e discriminação nos esbarram em todos os momentos, mas, como eu também já pontuei, acredito no poder do diálogo e acho que a educação também nos auxilia a caminhar rumo a um futuro mais igualitário.

HG – Se tudo se mantiver como planejado, quando você conclui o PhD?

GIL – Em 4 anos estaremos todos celebrando meu PhD!

HG – Você já tem planos para depois? Como imagina a sua vida após o PhD?

GIL – Pretendo seguir como pesquisador e utilizando do meu conhecimento em prol de meu país!

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