O penúltimo dia do julgamento de Luis Rubiales, ex-presidente da Federação Espanhola de Futebol, aconteceu nesta quarta-feira (12). Na decisão, a promotora Marta Durántez concluiu que o beijo na boca que ele deu na jogadora Jenni Hermoso, após a vitória da seleção na Copa do Mundo de 2023, “não foi consensual”.
“Foi um beijo não consensual. Depois das provas, não há dúvida, ou dúvida razoável suficiente. Há total coerência entre os fatos narrados por Hermoso e seu comportamento imediato e posterior”, afirmou Marta. Ela ainda manteve seu pedido de dois anos e meio de prisão para Rubiales.
Vídeo | La fiscal Marta Durántez ha incidido en que Jenni Hermoso “nunca consintió” el beso que le propinó Rubiales y que a la víctima no se le puede restar credibilidad: “¿Acaso ella no tenía derecho a celebrar un triunfo deportivo de tal entidad?” https://t.co/kcXzNw9UfK pic.twitter.com/WEgdnJqVQN
— EL PAÍS (@el_pais) February 12, 2025
Além disso, a promotora criticou uma das linhas de defesa que pretendia invalidar a versão da jogadora, alegando que ela também estava em uma comemoração “No ano de 2025, me faz sentir uma certa rejeição. Ter que continuar perguntando às vítimas de uma agressão sexual por que estava rindo, por que comemorou”.
Conforme Durántez, “não há precedente de animosidade que poderia ter levado Hermoso a não dizer a verdade sobre o que aconteceu, e sobre a coerção subsequente que ela disse ter sofrido, em face do escândalo mundial que se seguiu”.

Jenni se apresentou no dia 2 de fevereiro, sendo a primeira a depor. Ela falou por mais de duas horas no tribunal, localizado em San Fernando de Henares, nos arredores de Madri. “Senti que estava completamente fora de contexto, e sabia que meu chefe estava me beijando e isso não deveria acontecer, não deveria acontecer em nenhum ambiente social ou de trabalho. Como mulher, eu me senti desrespeitada. Eles mancharam um dos dias mais felizes da minha vida, e é muito importante para mim dizer que em nenhum momento eu busquei esse ato, muito menos esperava por isso”, afirmou.
O ex-diretor, por sua vez, garantiu estar “absolutamente certo” de que o beijo em Jenni Hermoso foi consentido. “Perguntei se poderia te dar um beijinho e ela disse ‘vale’. Isso foi o que aconteceu. O que aconteceu não teve nenhuma importância, nem para mim, nem para ela”, declarou em depoimento, nesta terça (11).
Rubiales está sendo julgado por suposta agressão sexual e por pressão para minimizar o escândalo gerado pelo beijo que deu na jogadora, na cerimônia de premiação. Ele também se defendeu após ser acusado de comportamento violento. Conforme o antigo dirigente, “isso não tem nada a ver e o beijo foi apenas um gesto de carinho” com o Hermoso.

Os réus
O julgamento conta, ainda, com três réus, suspeitos de coagirem a atleta. São eles: o ex-técnico da seleção espanhola feminina, Jorge Vilda, e dois ex-funcionários da RFEF, Rubén Rivera e Albert Luque. Nestes casos, a promotora também manteve seu pedido de pena de 18 meses de prisão.
Vilda admitiu que tentou persuadir Jenni a minimizar o beijo na boca que Rubiales lhe deu, mas negou que tenha tentado forçá-la a algo. “Fui falar com o irmão dela porque estava preocupada na época, para tentar normalizar a situação, pensando no futuro e na minha equipe. Não especifiquei se deveria ser um vídeo, mas [que ela] saísse e conversasse, e fizesse algum tipo de comentário”, argumentou.
TV en DIRECTO | Jorge Vilda, acusado de coacciones a Jenni Hermoso: “Le dije (al hermano) que si podíamos buscar una forma de normalizar la situación y que se hablara de lo importante, el campeonato” https://t.co/HkHgdveqlJ pic.twitter.com/FwFFQAc4TJ
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