“Adolescência“, a nova produção britânica da Netflix, tornou-se um fenômeno global, gerando um amplo debate sobre a masculinidade tóxica no Reino Unido. No Brasil, a série ocupa o topo das mais vistas da plataforma, o que leva espectadores especularem se uma sequência estaria nos planos do streaming. Em entrevista à revista Variety, nesta quinta (27), os produtores Stephen Graham e Hannah Walters abriram o jogo sobre a possibilidade de uma prequela ou continuação.
A trama acompanha o assassinato de uma adolescente pelas mãos de um colega de classe, explorando as consequências do crime para a comunidade e a família do jovem. Graham, que também estrela a série, atuou como produtor ao lado de Walters, sua esposa e parceira criativa.
Questionado pela revista, o casal revelou que uma prequela está fora de cogitação, e que não retornará à história de Jamie (Owen Cooper). No entanto, ambos afirmaram que já pensaram em explorar um enredo completamente novo, sem ligação direta com a trama original.

Walters explicou que uma continuação situada antes da história atual é improvável, sugerindo que uma próxima temporada siga o formato de antologia, como em “Fargo” e “True Detective”, trazendo uma nova história e novos personagens a cada ciclo.
“Um prelúdio de ‘Adolescência’ certamente não vai acontecer. Mas há muito potencial no formato de plano-sequência e muito a ser explorado na natureza humana novamente, olhando para outro tema. Mas sim, está tudo indo bem… podemos dizer que todos estão felizes”, declarou Hannah.
O casal também comentou sobre a recepção estrondosa da série, que fez história ao se tornar o primeiro programa de streaming a liderar a audiência da TV britânica, com 6,45 milhões de espectadores na primeira semana.
Graham revelou que tem sido abordado por diversas pessoas na rua para falar sobre a trama. “Não tínhamos ideia de que o impacto social seria tão grande, mas parece que conseguimos atravessar todas as barreiras de raça, credo e estruturas hierárquicas da sociedade com a mensagem que transmitimos sobre nossa juventude”, observou.
Walters acrescentou que eles têm recebido mensagens, especialmente de jovens britânicos impactados pelo enredo, que aborda temas como violência juvenil, bullying e a influência da internet no comportamento dos adolescentes. A dificuldade dos jovens em lidar com suas emoções e a complexidade do sistema judicial quando o réu é menor de idade também são questões retratadas na série.
“Muitas vieram de jovens dizendo: ‘Obrigado, porque vocês me ajudaram a conseguir falar com meus pais sobre algo que eu não sabia como abordar’”, contou ela.
Mudança na trama
No início da semana, em entrevista ao podcast The News Agents, o co-criador da série, Jack Thorne, revelou que gostaria de ter explorado mais a história de uma personagem específica.
No segundo episódio, o público acompanha o colégio onde tanto a vítima quanto o assassino estudavam, com destaque para Jade, a melhor amiga de Katie (a vítima), que lida com o luto. Thorne admitiu que, ao assistir ao resultado final da produção, lamentou a forma como abordou a dor da jovem.
“Eu queria, agora que já vi a série completa e refleti sobre ela, que tivéssemos passado mais tempo com Jade, sua melhor amiga”, confessou o escritor. “Acho que Jade era uma personagem muito interessante, e foi interpretada lindamente. Ela estava realmente furiosa com a morte de Katie”, observou.

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