O príncipe Harry foi acusado, neste sábado (29), de “assédio e intimidação em grande escala” por Sophie Chandauka, presidente da instituição de caridade Sentebale, que ele mesmo ajudou a fundar na África em 2006. A ONG, que ajuda jovens com HIV e Aids em Lesoto e Botsuana, foi criada em homenagem à mãe dele, a princesa Diana.
Harry decidiu sair da instituição nesta semana junto com o cofundador da Sentebale, o príncipe Seeiso de Lesoto. Ele, inclusive, renunciou o cargo de padrinho da organização, posição que manteve mesmo após deixar a monarquia britânica em 2020. A decisão veio em solidariedade a cinco membros do Conselho de Administração que haviam pedido a saída da presidente e renunciaram coletivamente depois de um impasse com a advogada zimbabuana, que lidera a instituição desde julho de 2023.
Chandauka, por sua vez, tentou barrar a saída dos conselheiros acionando a Alta Corte de Londres. Em entrevista à Sky News, ela afirmou que Harry divulgou informações prejudiciais ao público sem consultá-la. “Em algum momento, o príncipe Harry autorizou a divulgação de uma notícia prejudicial para o mundo sem me informar ou aos diretores do meu país, ou ao meu diretor executivo”, disse.
“E você pode imaginar o que esse ataque fez comigo e com os 540 indivíduos nas organizações Sentebale e suas famílias. Esse é um exemplo de assédio e intimidação em grande escala”, declarou Sophie. Ao DailyMail, a presidente também alegou “gestão executiva fraca, abuso de poder, bullying, misoginia e discriminação contra mulheres negras”.
Ela também falou de “pessoas neste mundo que se comportam como se estivessem acima da lei e maltratam as pessoas” e criticou duramente o fato de que essas pessoas “então jogam a carta da vítima e usam a imprensa que desprezam“. “Para mim, este não é um projeto de vaidade do qual posso renunciar quando for chamada a prestar contas. Sou uma africana que teve o privilégio de uma educação e carreira de classe mundial. Não serei intimidada. Devo defender algo. Defendo aquelas outras mulheres que não têm os meios e as formas”, afirmou.
“Escolhi me juntar à Sentebale antes de tudo como uma africana orgulhosa que entende que, no espírito do ubuntu: a quem muito é dado, muito é esperado. Tudo o que faço na Sentebale é em busca da integridade da organização, sua missão e dos jovens que servimos. Minhas ações são guiadas pelos princípios de justiça e tratamento equitativo para todos, independentemente do status social ou meios financeiros”, adicionou a presidente.

Os representantes de Harry e da sua esposa Meghan Markle não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre as alegações. Já Kelello Lerotholi, ex-membro do Conselho de Administração, rejeitou as acusações feitas por Sophie à Sky News. Uma fonte próxima aos patrocinadores da instituição de caridade falou que eles já esperavam o que descreveram como um golpe publicitário e chegaram à sua decisão coletiva com isso em mente. Ela ainda contou que todos permaneceram firmes em sua decisão de renunciar.
Na quarta-feira (26), Harry e Seeiso publicaram uma declaração conjunta na qual afirmaram que era “devastador” que o relacionamento entre os credores da instituição de caridade e Sophie tivesse se rompido irreparavelmente.
Em uma entrevista ao Financial Times publicada neste sábado (29), Sophie também revelou que foi solicitada pela equipe de Harry para proteger Meghan após cobertura negativa da mídia, o que ela se recusou a fazer. Ainda segundo ela, a maneira como Sentebale era administrada “não era mais apropriada em 2023 em um mundo pós-Black Lives Matter”.
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