Instrutor de voo Leandro Bertazzo, de 42 anos, morreu após saltar de uma aeronave durante um treinamento na província de Córdoba, na Argentina. O caso gerou questionamentos sobre o procedimento e passou a ser investigado pelas autoridades locais.
[Alerta de conteúdo sensível] A morte do instrutor de voo Leandro Bertazzo, de 42 anos, após ele saltar da aeronave durante um treinamento na província de Córdoba, na Argentina, levantou questionamentos sobre como o procedimento foi realizado. Em entrevista ao portal g1, o especialista Raul Marinho afirmou que a manobra de abrir a porta de um avião no ar costuma ser “treinada”.
Diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Marinho explicou que a abertura da porta de um Cessna 150 durante o voo é uma ação possível e que faz parte do treinamento de pilotos em determinadas situações. “O Cessna 150 é uma aeronave muito pequena e muito lenta. A velocidade de estol (velocidade mínima para permanecer voando) dele é de cerca de 42 nós, ou 88 km/h”, analisou ele, que fez seu treinamento como piloto no mesmo modelo.
O especialista explicou que a dificuldade para abrir a porta durante o voo pode ser comparada ao esforço de abrir a porta de um carro em movimento. Apesar de exigir força, a ação não é impossível, principalmente quando a aeronave está em baixa altitude, momento em que a diferença entre a pressão externa e interna da cabine é menor: “Não sei como é agora, mas quando eu fiz o treinamento, nós aprendíamos a fazer essa manobra. Era preciso colocar o pé na porta e empurrar”.

Segundo o diretor, esse procedimento era ensinado para situações de emergência, como quando a aeronave deixa de responder aos comandos do piloto por problemas mecânicos. Ao abrir a porta da cabine, a resistência aerodinâmica criada poderia interferir no comportamento do avião e fazer com que ele realizasse curvas.
Antes do ocorrido, o instrutor havia buscado atendimento psiquiátrico, mas a informação não havia sido comunicada à escola de voo Flying Parrot Córdoba. O acompanhamento era conhecido apenas pela família. O pai de Bertazzo explicou à imprensa que o filho “estava passando por um momento difícil”.
Para Raul Marinho, o episódio também chama atenção para a importância de discutir saúde mental dentro da aviação: “A saúde mental é tabu em todas as áreas, mas um tabu muito maior na aviação. Questões de saúde mental podem levar um piloto a perder o certificado médico, o que os deixa impedidos de voar”.
O caso
De acordo com o jornal argentino Clarín, Leandro estava dando aula a uma jovem de 22 anos, no sábado (4), quando desabotoou o cinto de segurança, abriu a porta e saltou. A aluna conseguiu pousar a aeronave e pedir ajuda à equipe em terra. O caso está sendo investigado pelas autoridades locais.

Segundo Eduardo Álvarez, diretor da Flying Parrot Córdoba, antes de abrir a porta, Bertazzo orientou a estudante a continuar o voo. “Você sabe o que fazer”, teria dito o instrutor. Em seguida, ele retirou os fones de ouvido, organizou seus pertences e deixou o celular antes de saltar. A jovem, que já possuía licença de piloto privado, mas tinha poucas horas de voo, tentou não se desesperar e entrou em contato com a equipe da escola para receber orientações de pouso.
Álvarez contou ao jornal que demorou de 15 a 20 minutos para localizar o instrutor. Equipes do serviço de emergência foram enviadas ao lugar indicado e confirmaram a morte do piloto. Segundo o diretor, nada no comportamento de Bertazzo ao longo do dia indicava que algo estava errado. Ele, inclusive, já tinha realizado um voo de instrução com outro aluno no mesmo dia.
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