Um adolescente de 16 anos denunciou a própria mãe em Abatiá (PR) após descobrir que ela planejava matar uma funcionária da Casa Lar onde ele vive. A mulher foi presa, e a polícia investiga o caso com base em relatos e provas reunidas durante a apuração.
Um adolescente de 16 anos, em Abatiá, no Norte do Paraná, descobriu que a própria mãe planejava encomendar o assassinato de uma funcionária da Casa Lar do município. Segundo informações do portal g1, a mulher — presa preventivamente nesta sexta-feira (10) — foi denunciada pelo filho e pela possível vítima.
Ao veículo, o delegado Luís Guilherme Almeida Cerqueira, responsável pelo caso, revelou que o crime teria sido motivado após a suspeita e o marido perderem a guarda dos três filhos. Além do adolescente que a denunciou, o casal também tinha outras duas crianças, que foram resgatadas após denúncias de maus-tratos.
As crianças foram encaminhadas à Casa Lar de Abatiá, o que teria despertado um desejo de vingança. “As crianças estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola. Teria ali a prática de abandono intelectual e maus-tratos”, explicou Cerqueira.
Diante da perda da guarda, a mulher passou a ter desavenças com funcionárias da instituição, a quem culpava pela retirada dos filhos. O caso veio à tona porque, mesmo acolhido na Casa Lar, o adolescente continuou visitando os pais. Em um desses encontros, ele ouviu a mãe dizer que estava encomendando o assassinato de uma das funcionárias que o acolheram.
Com a descoberta, o jovem encontrou, em um aplicativo de mensagens, uma conversa entre a mãe e um intermediário — responsável por repassar as instruções ao executor do crime. Nas mensagens, a mulher afirmava que queria “apagar uma infeliz do mapa”. “Ela tomou meus filhos e fez a cabeça do promotor. Quero que mate ela a tiro”, escreveu.
Em outro trecho, a suspeita detalha onde a funcionária estaciona o carro e negocia o pagamento de R$ 3 mil pelo crime. “Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo”, diz a mensagem.
Veja as mensagens abaixo:

Diante da ameaça, o adolescente procurou a possível vítima e relatou o plano. Juntos, eles acionaram a Polícia Civil. Quando os agentes chegaram até a suspeita, no entanto, as mensagens já haviam sido apagadas.
Apesar disso, a investigação conseguiu identificar o intermediário, que apresentou prints das conversas. “O intermediário foi muito colaborativo. Segundo ele, estava conduzindo a conversa para verificar até onde a investigada chegaria, se realmente efetuaria o pagamento. Depois, pretendia levar as informações à Polícia Civil”, afirmou o delegado.
A pessoa que conversava com a mulher não foi presa. Com base nas informações fornecidas, a polícia conseguiu avançar nas investigações e solicitar a prisão da suspeita. O marido dela segue em liberdade, mas também é investigado por possível participação na tentativa de homicídio.
Segundo o delegado, o inquérito está na fase final e será encaminhado ao Ministério Público do Paraná.
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