Uma hamburgueria de São José dos Pinhais suspeita que um cliente usou inteligência artificial para inserir a imagem de uma barata em um hambúrguer e pedir reembolso. A polícia afirma que, se comprovada a fraude, o caso pode configurar tentativa de estelionato e outros crimes.
Um pedido de reembolso em uma hamburgueria de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, chamou a atenção da polícia. A situação aconteceu após funcionários identificarem indícios de que a imagem de uma barata em um hambúrguer teria sido criada com inteligência artificial. As informações foram divulgadas pelo g1 nesta terça-feira (14).
Segundo o proprietário do estabelecimento, o cliente fez o pedido pelo aplicativo de delivery às 19h28 e recebeu o lanche cerca de meia hora depois, às 19h57. Horas mais tarde, às 21h04, ele solicitou o reembolso alegando ter encontrado um inseto no alimento.
Na mensagem enviada à plataforma, o consumidor afirmou: “Veio uma barata no meu hambúrguer e chegou aberta a embalagem. Perdi meu dinheiro e fiquei sem lanche, deu nojo de comer tudo”.
O relato, no entanto, começou a levantar suspeitas quando a equipe analisou a foto anexada ao pedido. O dono da hamburgueria, Alisson Zen, afirmou que alguns detalhes não batiam com o padrão de montagem dos lanches. “A barata estava totalmente limpa. A gente também não coloca maionese na tampa do pão. Como que tem maionese na tampa do pão, sendo que a gente sempre coloca embaixo?”, explicou.

Ele também disse ter percebido que a cor da maionese mostrada na imagem era diferente da utilizada pela casa. Diante das inconsistências, a hamburgueria enviou um motoboy ao endereço do cliente para recolher o lanche e verificar a situação. Segundo o estabelecimento, o consumidor não atendeu o entregador.
O caso ganhou repercussão e acendeu um alerta sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial em tentativas de golpe. O delegado Emmanoel David explicou que esse tipo de prática pode ter consequências criminais. “Se ele estiver imputando uma prática criminosa àquela empresa ou restaurante, pode responder por falsa comunicação de crime, além do estelionato consumado ou tentado”, afirmou ele.
O delegado ainda orientou que empresários guardem provas do processo de produção e entrega dos alimentos, como fotos, vídeos e registros do lacre das embalagens. “Ele pode trazer também fotos ou vídeos da construção daquele alimento. Mostrar que o lacre era inviolável, que era impossível haver uma barata dentro daquele alimento. Esses são elementos mínimos para demonstrar que quem agiu de má-fé foi o consumidor final”, declarou.
Até o momento, não há confirmação de que o cliente tenha sido formalmente investigado, mas o caso pode ser encaminhado às autoridades para apuração.
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