Xuxa revelou ao Hugo Gloss, os bastidores de “O Último Voo da Nave”, turnê que estreia neste sábado (25), em São Paulo. A apresentadora falou sobre a estrutura grandiosa do espetáculo, os planos para outras cidades, os figurinos e o repertório e o que a despedida da nave representa para sua carreira.
Contagem regressiva para “O Último Voo da Nave”! Xuxa está nos preparativos finais para a turnê que marcará a despedida de um dos maiores símbolos de sua vida. A turnê estreia em São Paulo, no próximo sábado (25), e promete emocionar os fãs. Em entrevista a Bruno Rocha, o nosso Hugo Gloss, a apresentadora revelou detalhes da nova nave e falou sobre a possibilidade de levar o espetáculo para outras cidades, além das já confirmadas. A eterna Rainha dos Baixinhos ainda adiantou os planos para a mega apresentação no Maracanã e também explicou o que esse adeus representa para o futuro de sua carreira.
A poucos dias da estreia, Xuxa admitiu que está vivendo uma mistura de sentimentos. “Ansiedade, nervosa, cansada. Curiosa para ver a carinha das pessoas, saber o que elas vão sentir na hora. É um misto de um monte de coisa”, descreveu. Para ela, a experiência do público é o mais importante nesse momento. “Estou muito preocupada que tudo dê certo. Eu não sento num banquinho com violão e canto, porque eu não tenho voz, mas então é uma proposta de uma experiência, onde todo mundo possa ver e reviver coisas do passado com cara de futuro”, explicou.
Um dos destaques da produção será justamente a nave. Construída em Amsterdã pela mesma equipe que trabalhou com Beyoncé na Cowboy Carter Tour, a estrutura chegou ao Brasil na semana passada e poderá ser vista em 360 graus. A artista ainda contou que o resultado superou até aquilo que ela mesma havia idealizado: “Eu imaginava minha nave, mas ela ficou mais bonita do que a minha imaginação. E o engraçado é que eu mandei para a Sasha, na hora [que eu vi], eu falei: ‘Sasha, olha que coisa linda’, e ela mandou a mesma coisa: ‘Mãe, tá mais bonita do que eu imaginava’”.

A apresentadora também antecipou o impacto que espera causar no público que a acompanhou desde a infância. “Eu fiquei imaginando a carinha de cada pessoa que cresceu comigo. Cada um tem sua história, obviamente, mas todas elas têm uma coisa em comum. Quando elas eram crianças, ou seja, nessa idade incrível da gente, elas se imaginaram nessa nave. E essa nave está vindo com o tamanho que eu poderia levá-los. O que elas vão ver vai ser tão mágico que eu acho que não vai precisar mais de nada. Eu acho que a gente volta a ser criança olhando para a nave. É impressionante”, descreveu.
Figurinos e participação das Paquitas
Segundo Xuxa, o espetáculo será dividido em blocos inspirados em diferentes momentos da carreira, mas sem seguir uma ordem cronológica. Alguns dos trechos serão inspirados no “Xou da Xuxa”, “Mundo Encantado”, “Xuxa Só para Baixinhos”, “Planeta Xuxa” e “Lua de Cristal”. A produção também terá pelo menos três mudanças de visual com “releituras” de trajes clássicos.
“Tem muita coisa legal. Eu nunca tive tanta luz, tantos efeitos… Tem um bloco só sobre natureza, onde eu vou estar reforçando tudo o que eu já falava lá e que hoje é quase que uma bandeira para mim. Tem pra galera LGBT, tem a parte do arco-íris que eu quero segurar realmente essa bandeira. Além do mais, tem cabelos também diferentes. Então vai ter peruca, vai ter tudo”, acrescentou.
Pela primeira vez, ela também estará acompanhada por um balé de 18 integrantes. Parte das ex-Paquitas estará presencialmente no palco, enquanto as demais serão lembradas no telão. “Eu tenho as minhas ex-Paquitas que eu não consegui trazer todas, são 14 Paquitas. Quem podia vir, vai estar”, garantiu, explicando que algumas ausências foram causadas por conflitos de agendas.

Xuxa aproveitou para esclarecer o afastamento de algumas ex-integrantes do programa. “Muita gente fala: ‘a Xuxa deixou de falar com alguma Paquita por causa de política’. Não, eu só deixo de falar com Paquita se é homofóbica. Para mim, eu não suporto isso. Homofobia não dá para mim”, reforçou.
Repertório e preparação física
O repertório terá ao todo, 31 músicas. O clássico “Ilariê”, por exemplo, será entoado em português, inglês e espanhol, pela primeira vez, em referência ao sucesso que a apresentadora fez com programas próprios em países como EUA e Argentina. Algumas canções, como “Festa do Estica e Puxa”, terão trechinhos nos chamados pout-porris. Enquanto outras, estão como “Amiguinha Xuxa” estão fora da setlist.
Xuxa, porém, disse não sofrer por retirar canções da seleção. “Não tem um lado B. Tem coisas que a gente vai dar um cheirinho, um gostinho. É fácil pra mim tirar música que eu não gosto, porque eu não gosto da minha voz. Pra mim é mais sofrido eu saber que tem gente que queria essa música e eu não vou cantar, aí pra mim me dói um pouquinho”, admitiu.
Para adaptar o repertório à voz atual, ela precisou regravar parte das músicas e iniciou uma preparação. “Estou cantando em um tom e meio abaixo. E eu tive que refazer as 17 músicas, três eu já tinha feito, então são 20 músicas, com a minha voz atual”, contou.

“Essa preparação eu estou fazendo. Já tem algum tempo que eu ando meus cinco quilômetros, estou fazendo pilates, estou fazendo musculação. Comecei agora, tem dois dias, a fazer fonoaudiologia pra poder tirar um pouco essa minha rouquidão, para poder me comunicar com as pessoas, mas [cantar] é uma coisa que eu não gosto. Eu estou fazendo realmente que é para eles”, confessou.
Novas datas e convidados especiais
Um dos momentos mais aguardados será a apresentação no Maracanã, em 20 de dezembro, que terá transmissão da Globo e do Multishow. Para essa data, Xuxa já tem duas convidadas em mente, embora as participações ainda dependam das agendas das artistas. “Ivete e a Anitta. Mas eu tenho que ver se elas podem, porque no Maracanã, se eu pudesse, eu queria muito!”, sugeriu.
Embora a turnê marque a última aparição da nave, Xuxa espera que esse voo possa passar por outros lugares. A principal dificuldade, no entanto, está no tamanho da produção, já que cada local precisará comportar toda a estrutura criada para o espetáculo. “Só vai ser a nave puder ir, se as pessoas puderem receber essa estrutura toda, que não é uma coisa pequena. Espero que as pessoas entendam que eu gostaria, sim, de viajar o Brasil inteiro e quiçá terminar essa trajetória da nave na Argentina, que é o meu grande sonho, mas se não der também, está tudo certo“, explicou.
Ela ainda comentou sobre a possibilidade de realizar apresentações em outras regiões do país: “Eu gostaria de fazer show no Nordeste, que ainda não está fechado, mas eu quero fazer muito show no Nordeste, na minha linda Recife ou em Fortaleza”.
“A gente teria que fazer uma estrutura para o Rio e São Paulo, diferente de lá do Nordeste, então a gente já optou para fazer uma estrutura segura para todo mundo”, completou, se referindo aos ventos mais fortes da região. Depois que essa etapa chegar ao fim, a nave deve voltar para Amsterdã.
Despedida da nave e volta à TV
Apesar do título da turnê, Xuxa deixou claro que “O Último Voo da Nave” não representa sua despedida dos palcos ou da carreira. A estrela deseja apenas encerrar a imagem associada aos programas infantis e seguir uma nova fase de sua vida: “Eu não estou me aposentando, eu estou aposentando a nave, porque quando eu aposento a nave, eu aposento essa imagem que as pessoas imaginam. Eu posso, agora, fazer esse personagem do passado voltar, mas depois eu quero que essa mulher de 60 e poucos anos, 63, 65, 70 anos, apareça do jeito que ela quiser. Eu gostaria que as pessoas me permitissem e deixassem que eu envelhecesse”.

Por fim, Xuxa refletiu sobre o pedido do público para voltar a apresentar um programa na TV. Segundo ela, uma das dificuldades é entender o que o brasileiro deseja consumir atualmente e encontrar um projeto que tenha relação com aquilo em que acredita. “Eu não sei se eu me encaixo hoje em dia na televisão, em um projeto que não tenha as coisas que eu gosto, que eu acredito, ou criança ou bicho, ou o meu DNA. E eu não sei se as pessoas querem ver isso”, analisou.
Ainda assim, a apresentadora não descarta uma nova experiência na telinha. “Eu gostaria de fazer alguma coisa bacana? Gostaria, se tivesse alguma coisa bacana pra eu fazer. Óbvio, não vou dizer, não vou ser hipócrita de dizer, ‘não, não quero, não quero mais’. Eu gosto de desafios, mas é que eu já fiz de tudo, e se tiver alguma coisa bacana para eu fazer, alguma coisa nova, claro que eu quero fazer. Mas hoje em dia está muito difícil, está tudo muito rápido. As pessoas querem as coisas muito rápido, de um jeito diferente”, completou.
Os “xous” históricos da rainha começam no dia 25 de julho, no Allianz Parque, em São Paulo. Em seguida, a nave desembarca em Curitiba, no dia 26 de setembro, e em Belo Horizonte, em 14 de novembro. No dia 20 de dezembro, é a vez do Rio de Janeiro receber Xuxa no Maracanã. A mega apresentação de uma das artistas que mais vendeu discos no país percorrerá todas as suas eras, desde o “Xou da Xuxa” até o XSPB. Assista à entrevista na íntegra:
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