Referência global no tratamento oncológico gratuito, o Hospital de Câncer de Barretos (hoje reconhecido como Hospital de Amor) carrega um segredo de gestão que desafia a lógica financeira tradicional. Em entrevista a Leo Dias, o presidente da instituição, Henrique Prata, abriu o coração sobre como mantém a grandiosa estrutura de pé: a moeda de troca não é o lucro, mas sim o amor e a honestidade.
Durante o bate-papo, Prata explicou que a tecnologia de ponta e as instalações modernas não são frutos de cofres milionários, mas sim da pura solidariedade de quem acredita na causa. “O mundo inteiro enxerga um projeto audacioso, que o remédio é o amor. Nós não temos dinheiro, mas nós temos uma dose de amor que supera o dinheiro. Temos equipamentos bons, instalações boas, tudo de doação. Temos o melhor não por ter dinheiro, mas porque praticamos o amor”, revelou.
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Essa essência filantrópica, enraizada desde 1962, precisou passar por um verdadeiro teste de fogo em 2011. Com a matriz no interior de São Paulo sobrecarregada pelo alto volume de pacientes vindos de todos os cantos do país, o presidente tomou a corajosa decisão de descentralizar os atendimentos.
O primeiro passo seria abrir uma filial em Porto Velho (RO), o que gerou forte resistência e desconfiança entre os médicos mais antigos. A equipe temia que, ao não enviar funcionários experientes de Barretos para a nova base, o projeto pudesse manchar os quase 50 anos de história e credibilidade do hospital por falta de estrutura profissional.
A resposta de Prata para seus médicos, por outro lado, foi baseada puramente na fé humana e na vocação. “Se você leva uma proposta de amor, vai atrair pessoas que têm amor. Se você leva uma proposta de ganhar dinheiro, vai atrair pessoas que vão enxergar ganhar dinheiro. A honestidade da obra é tão grande que eu acreditei que ela colheria lá o que colheu aqui”, relembrou.
Legado consolidado pelo Brasil
A aposta na bondade humana rendeu frutos inquestionáveis. Contrariando os céticos de sua própria equipe na época, Henrique Prata provou que a filosofia do hospital era totalmente replicável, desde que o propósito fosse verdadeiro.
Hoje, a rede de solidariedade oncológica ultrapassou as barreiras de São Paulo e fincou raízes fortes pelo país. A instituição marca presença em seis Estados, com filiais de sucesso em cidades como Jales (SP), Porto Velho (RO), Goiânia (GO), Palmas (TO) e Lagarto (SE), garantindo que milhares de pacientes recebam exatamente o mesmo padrão de excelência clínica e, acima de tudo, a mesma dose de afeto diário.




