Atriz transforma Suely em uma das personagens mais humanas da novela e reafirma o talento visto em “Beleza Fatal”
Há atores que chamam a atenção pelo tamanho do papel. Júlia Stockler faz o caminho contrário: chama atenção pelo tamanho da interpretação.
Em “Quem Ama Cuida”, a atriz transforma Suely em muito mais do que a secretária envolvida em um relacionamento abusivo com Ademir (Dan Stulbach). Ela constrói uma mulher atravessada pelo medo, pela culpa e pela dependência emocional sem recorrer a exageros. Tudo aparece nos detalhes: no olhar, nas pausas, na voz baixa, na dificuldade da personagem de romper um ciclo de violência. É uma atuação que emociona justamente porque parece real.
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Não é a primeira vez que Júlia demonstra essa potência dramática. Em “Beleza Fatal”, da HBO Max, ela já havia impressionado como Gizela, uma personagem fundamental para a trama, mostrando uma capacidade rara de dar humanidade até aos momentos mais duros. Agora, na Globo, confirma que aquele desempenho estava longe de ser um acaso.
O mais interessante em seu trabalho é que ela nunca parece “interpretar um drama”. Ela faz o público acreditar que aquela dor existe. Em uma novela que aborda temas delicados, como assédio moral, abuso psicológico e relações de poder, essa verdade é essencial para que a história tenha impacto.
Talvez por isso fique a sensação de que Julia Stockler ainda é uma atriz subaproveitada pela televisão brasileira. Dona de uma técnica refinada e de uma naturalidade cada vez mais rara, ela tem talento para protagonizar grandes conflitos dramáticos, e não apenas para servir de apoio aos protagonistas.
Se existe justiça na escalação de elenco, “Quem Ama Cuida” pode representar um ponto de virada. Porque, depois de Beleza Fatal e agora de Suely, já não há mais dúvida: Julia Stockler pertence ao primeiro time da dramaturgia brasileira e merece personagens cada vez maiores.

