Última confederação continental a se manifestar, a entidade sul-americana convoca reunião do Conselho e inicia consulta às associações filiadas antes de definir posição sobre a Fifa Forward Enterprise
A Conmebol rompeu o silêncio sobre a proposta da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que concentraria a gestão comercial das competições da entidade e buscaria captar investimentos privados. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31/7), a confederação sul-americana anunciou a abertura de uma consulta às suas associações-membro e a convocação de uma reunião do Conselho para analisar o projeto.
A entidade não rejeitou a iniciativa apresentada por Gianni Infantino, mas também não aderiu às manifestações contrárias feitas por outras confederações. A Conmebol optou por uma postura cautelosa e informou que solicitou à Fifa informações adicionais sobre diferentes aspectos da proposta antes de tomar uma decisão.
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No comunicado, a entidade reforçou que qualquer decisão financeira ou comercial deve estar subordinada aos interesses do futebol: “O FUTEBOL VEM EM PRIMEIRO LUGAR. A CONMEBOL reafirma que sua prioridade será sempre o futebol: seus valores, seu pessoal e a paixão que o torna o esporte mais popular do mundo. Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência. O futebol vem sempre em primeiro lugar”.
Análise antes de uma decisão:
A Conmebol informou que a avaliação do projeto seguirá seus procedimentos institucionais. Para isso, além de consultar as federações filiadas, a entidade convocou uma reunião do Conselho com o objetivo específico de discutir a proposta apresentada pela Fifa.
A confederação sul-americana também revelou que solicitou esclarecimentos sobre o funcionamento da Fifa Forward Enterprise, incluindo questões relacionadas ao escopo da empresa, à estrutura, ao modelo de governança e aos possíveis impactos para o futebol.
“Após tomar conhecimento da proposta apresentada pela FIFA em relação ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, a CONMEBOL iniciou um processo de consulta junto às suas Associações Membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige”, diz a nota.
Na sequência, a entidade detalhou o pedido feito à Fifa: “Com esse objetivo, a CONMEBOL solicitou à FIFA informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos do projeto FFE”.
Conmebol evita aderir ao racha:
A manifestação coloca a Conmebol em uma posição diferente da adotada por outras confederações. A Uefa rejeitou, por unanimidade, a proposta e anunciou que suas seleções não participarão de competições da Fifa enquanto o projeto permanecer em discussão. Concacaf e AFC também fizeram críticas ao modelo, enquanto CAF e OFC iniciaram processos internos de consulta.
A confederação sul-americana, por enquanto, não anunciou apoio nem rejeição à Fifa Forward Enterprise. A entidade afirmou que continuará tratando o assunto pelos canais institucionais e destacou a necessidade de preservar a unidade entre os integrantes do futebol.
“A CONMEBOL continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança”, reitera.
O comunicado termina com um apelo para que o debate seja conduzido em torno dos interesses do esporte: “A CONMEBOL apela à união em toda a família do futebol e a que o futebol seja sempre colocado acima de qualquer outro interesse”.
O que está em jogo:
A Fifa pretende criar a Fifa Forward Enterprise para concentrar as operações comerciais de suas principais competições e abrir espaço para investidores privados. O projeto é avaliado em aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bilhões), segundo os valores apresentados pela entidade.
A proposta provocou reação de grande parte do futebol internacional, principalmente pela possibilidade de participação de capital privado na estrutura comercial das competições. Gianni Infantino defendeu o projeto e afirmou que se trata de “uma oportunidade, não uma obrigação”.
A Conmebol era a única das seis confederações continentais que ainda não havia apresentado publicamente sua posição sobre a iniciativa. Agora, a entidade deu início ao processo de análise, mas deixou a definição de seu posicionamento para depois da consulta às federações e da reunião de seu Conselho.




