Entendimento anunciado pelo presidente dos EUA prevê desmilitarização gradual, retirada das forças israelenses e transferência da administração de Gaza
O Hamas sinalizou nesta sexta-feira (31/7) que está disposto a aderir ao plano que prevê a entrega de suas armas e uma nova estrutura de governo para a Faixa de Gaza. O objetivo é transformar a trégua em um acordo capaz de encerrar definitivamente a guerra. Porém, a implementação da proposta só será realizada se houver um cumprimento prévio de compromissos por parte de Israel, como sinalizado pelo grupo.
Segundo a agência de notícias Reuters, Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do grupo palestino, afirmou que as forças israelenses deverão interromper os ataques, recuar para as posições estabelecidas no acordo de cessar-fogo e permitir a ampliação da entrada de mercadorias e ajuda humanitária no território.
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Somente depois dessas medidas, segundo o dirigente, o Hamas iniciaria a transferência de seu armamento para armazenamento sob a responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, conhecido pela sigla NCAG.
Hamad classificou o entendimento como difícil e doloroso, mas disse que o movimento está disposto a fazer concessões para tentar proteger a população palestina de novas mortes e deslocamentos. Ele também defendeu que mediadores internacionais fiscalizem o cumprimento das obrigações.
A proposta foi anunciada na noite da última quinta-feira (30/7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em uma publicação nas redes sociais, o republicano descreveu o avanço como histórico e afirmou que o processo poderá abrir caminho para uma solução mais duradoura para o território.
Apesar da comemoração do presidente americano, o governo israelense ainda não apresentou uma resposta oficial. O principal impasse está justamente na ordem das ações. Enquanto o Hamas exige a retirada israelense antes de entregar as armas, autoridades de Israel defendem que o grupo palestino seja totalmente desarmado antes do recuo das tropas.
De acordo com o plano divulgado por Trump, a retirada do Exército israelense aconteceria gradualmente, acompanhando o avanço do processo de desarmamento. Uma força internacional de estabilização também seria enviada ao território para trabalhar ao lado de uma nova polícia palestina.
Essa missão, ainda em fase de formação, deverá reunir militares de diferentes países e atuar sob a coordenação do chamado Conselho da Paz, estrutura criada pelo governo americano para supervisionar o cessar-fogo e a reconstrução de Gaza.
Pelo planejamento, o NCAG assumirá progressivamente a administração do território. Formado por técnicos palestinos, o comitê deverá ficar responsável pelos serviços públicos e pelas decisões civis durante o período de transição.






