Após marco na Disney, Gabriel Vicente encara novo desafio em musical sobre Piaf

Após marco na Disney, Gabriel Vicente encara novo desafio em musical sobre Piaf


Ator celebra novos espaços para artistas negros. Agora, integra superprodução estrelada por Laila Garin

Depois de entrar para a história ao interpretar o primeiro príncipe negro de um musical da Disney no Brasil, Gabriel Vicente se prepara para um novo desafio nos palcos. O ator integra o elenco de “PIAF – Eu Não Me Arrependo”, superprodução que estreia no próximo dia 7, no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Em conversa com a coluna, Gabriel comentou sobre a nova produção e também sobre a sua carreira:

Você entrou para a história ao se tornar o primeiro príncipe negro em um musical da Disney no Brasil. O que esse marco representa para você hoje, alguns anos depois, e como percebe o impacto dessa conquista na representatividade do teatro musical?

Me sinto parte desse novo momento no mercado do teatro musical e das artes populares em geral, em que o ator negro não é a cota do produto, mas agora é escalado para o elenco principal, fazendo não só o “empregado”. Agora, pretos são também doutores, empresários, príncipes, nas telas e nos palcos.

Importantes títulos vêm quebrando padrões ao proporcionarem essas importantes “primeiras vezes”, tanto raciais quanto de gênero. Há pouco, Evelyn Castro foi a primeira atriz a interpretar o personagem Burro, de Shrek, e simplesmente dominou tudo! Então, faço parte desse novo momento, em que as pautas são conversadas, discutidas e ensinadas. Seja pelo honesto desejo de progresso ou por estratégia de marketing, corpos negros estão ocupando novos lugares; e ocupar é preciso.

Interpretar o Príncipe Eric exigia um universo lúdico e familiar. Agora, em “PIAF – Eu Não Me Arrependo”, você mergulha em uma obra dramática e biográfica. Quais foram as maiores mudanças na sua preparação como ator para essa transição?

São processos e linguagens completamente diferentes. Fazer um produto Disney, mesmo que não seja uma réplica, exige que você respeite um universo muito conhecido por todos. Sua pesquisa fica cheia de referências para você se aproximar e, de alguma maneira, chegar perto da expectativa de um público que vai esperando ver aqueles personagens, aquelas canções, enfim…

Piaf se trata de uma biografia musical nova, um processo de criação a muitas mãos, liderado pelo diretor Sergio Módena e por uma equipe criativa fantástica (Alonso Barros, Claudia Elizeu e Gustavo Weber), mas com o olhar atento de todos a cada nova cena, a cada fala. É uma pesquisa mais coletiva.

Além do francês, as canções são quase todas nesse idioma, e temos o compromisso de não decepcionar. Para isso, contamos com um consultor e professor da língua francesa, Amadeu Luiz, que nos acompanha a cada ensaio e faz um trabalho minucioso para que nada escape.

Eu amo todas as maneiras de fazer teatro, mas, de fato, entre “A Pequena Sereia” e “PIAF – Eu Não Me Arrependo” há uma diferença muito grande na forma como os processos criativos acontecem na sala de ensaio. Depois, no palco, responsabilidade, compromisso e paixão são iguais.

Sua passagem pela Disney trouxe uma enorme visibilidade. De que forma essa experiência abriu portas ou influenciou as oportunidades que vieram depois, especialmente o convite para integrar uma superprodução como “PIAF – Eu Não Me Arrependo”?

O artista está sempre no “agora vai”! Seja lá o que for isso (risos). Não acredito muito que um trabalho mude tudo, embora já tenha visto coisas do tipo, mas que essa experiência isolada tenha me dado mais trabalhos, por exemplo. O público, sim. Sinto que trabalhos com grande projeção, como esse, nos trazem um público novo, fortalecem o que já existia, e isso é inalienável.

O Brasil tem prioridades maiores no que diz respeito à estabilidade de carreira no ramo artístico. Poderia listar algumas, mas nossa matéria tomaria outro rumo.

Mas acho que, de certa forma, isso dá uma certa credibilidade para que os diretores topem te olhar de verdade em um teste. E, se tudo se encaixar, você entra. Como foi o caso de “PIAF – Eu Não Me Arrependo”, que teve um casting liderado por Marcela Altberg e que, assim como quase todos os trabalhos que fiz na vida, foi fruto de longas jornadas de testes, que, nos musicais, chamamos de audição.

Estou superfeliz com essa aprovação, com essa equipe e esse elenco dos sonhos. A verdade é que nunca está ganho; vivemos em busca de “sins” para boas histórias e bons personagens.

“PIAF – Eu Não Me Arrependo” reúne um elenco de peso e uma história marcada por emoção e intensidade. O que mais tem te encantado nesse processo de criação e o que o público pode esperar da sua participação no espetáculo?

Foi encantador e agoniante mergulhar na vida de Piaf. Ela tem tantas histórias que chega a ser difícil formatar uma peça como essa. Daria horas e horas de cenas fortes e muito impactantes, muito impactantes mesmo. Ela foi muito resiliente, persistente nessa coisa de se manter viva, de pé. Já seria impressionante só pela sua arte, mas sua vida é tão impressionante quanto a sua voz.

Laila Garin é um nome muito forte para a minha geração de atores. Eu era apenas fã, então acompanhar seu processo também é incrível. Queria que este texto tivesse som para entenderem a minha empolgação quando eu digo: venham assistir, vocês não vão se arrepender.

Tem algo interessante sobre a minha participação, que é estar nas pontas da vida de Piaf: eu a vejo nascer e morrer. Faço, no início da peça, o seu pai, Louis Gassion, que era uma figura de circo e me trouxe alguns desafios circenses. Venham ver e me contem se consegui convencer. E, por fim, faço seus dois últimos maridos, sendo o último, Theo Sarapo, cabeleireiro, cantor e último parceiro de Piaf, acompanhando-a até a morte, o que nos rende uma cena muito tocante.

Eu recomendo que levem lenços, mas boas risadas também estarão garantidas. Venham ver Laila Garin ou Luisa Vianna como Piaf, venham me ver e venham prestigiar este elenco e esta produção fantásticos.

“PIAF – Eu Não Me Arrependo” estreia no dia 7 de agosto, no Teatro Bradesco.

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