Ator afirmou que deseja trocar ideias sobre impostos, papel do Estado e políticas públicas, mas lamentou que o debate político tenha sido substituído por ofensas e polarização
Conhecido por se posicionar a favor de pautas políticas do espectro da esquerda brasileira, o ator Wagner Moura declarou que gostaria de estabelecer uma conversa mais produtiva com pessoas ligadas à direita. Para o ator, temas como gastos públicos, cobrança de impostos, programas sociais e tamanho do Estado poderiam gerar discussões importantes, desde que o confronto de ideias não fosse trocado por ataques pessoais. Wagner também aproveitou para desabafar sobre o sentimento de exaustão ao ser criticado por pessoas que não pensam da mesma forma que ele.
A declaração foi feita durante participação no “Conversa com Bial”, exibido na noite da última terça-feira (4/8). A entrevista foi gravada em Atenas, na Grécia, onde o artista cumpre compromissos relacionados ao espetáculo “Um Julgamento”, atualmente em turnê.
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Ao abordar as críticas que recebe por defender pautas associadas à esquerda, mesmo incomodado, Wagner garantiu que não pretende abandonar suas opiniões ou deixar de se posicionar publicamente. Segundo o ator, prosperar profissionalmente não deveria impedir alguém de continuar defendendo justiça social e melhores condições de vida para outras pessoas.
Wagner ironizou a ideia de que só poderia sustentar pensamentos de esquerda enquanto tinha poucos recursos financeiros. “O cara diz assim: ‘Você prosperou na sua carreira como ator’ – os caras que são pela meritocracia. Quando estava lá em Rodelas, fui pobre, aí podia ser de esquerda, né? Parece que é como se tivesse um portal por onde você passa. Eu queria saber qual é o teto. Quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social?”, indagou ele.
Nascido em Salvador e com parte da infância vivida em Rodelas, no interior da Bahia, Wagner relembrou sua origem familiar e afirmou que continua sendo influenciado pelas experiências que teve antes da fama. O artista também citou o trabalho do pai, que foi sargento, e situações de desigualdade que presenciou durante a juventude.
Para ele, o sucesso não apagou sua história nem alterou sua preocupação com pessoas que vivem em condições mais vulneráveis. O ator ainda questionou as acusações de incoerência feitas pelo fato de morar no exterior e desfrutar de uma vida confortável enquanto defende direitos sociais no Brasil.
Wagner também relacionou sua própria carreira às políticas públicas voltadas à cultura. De acordo com ele, leis de incentivo existentes em Salvador durante a década de 1990 ajudaram a criar oportunidades para jovens atores e contribuíram para a trajetória de artistas como seus amigos, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, ele próprio e tantos outros.
Outro ponto abordado foi o enfraquecimento da confiança nos fatos. O artista observou que, em outros momentos, esquerda e direita podiam interpretar um mesmo acontecimento de formas diferentes, mas partiam de uma realidade compartilhada. Atualmente, na visão dele, até a existência dos acontecimentos passou a ser contestada. Wagner avaliou que essa fragmentação torna a convivência democrática mais difícil.






