Grupo extremista planejava explodir o Palácio do Planalto durante debate do 2º turno

Grupo extremista planejava explodir o Palácio do Planalto durante debate do 2º turno


O grupo utilizava o Telegram para trocar mensagens e compartilhar conteúdos relacionados à fabricação de explosivos, além de materiais com discursos de ódio e ideologia neonazista

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal identificou uma articulação extremista que, segundo as autoridades, discutia a realização de ataques contra autoridades e instalações públicas de Brasília. As conversas aconteciam exclusivamente pela internet entre integrantes que, até então, não haviam se encontrado presencialmente.

De acordo com informações divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo (9/8), o grupo utilizava o Telegram para trocar mensagens e compartilhar conteúdos relacionados à fabricação de explosivos, além de materiais com discursos de ódio e ideologia neonazista. Em uma das comunidades, a imagem de Adolf Hitler era usada como foto de perfil.

Entre os alvos mencionados nas conversas estava o local onde seria realizado o debate entre os candidatos no segundo turno das eleições. Uma das mensagens discutia a possibilidade de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”.

Veja as fotos

Foto: Reprodução/TV Globo

O Ciberlab funciona em uma sala de acesso restrito em BrasíliaFoto: Reprodução/TV Globo

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Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”Foto: Reprodução/TV Globo


As mensagens também revelavam a intenção de selecionar possíveis alvos para uma ação mais ampla. “Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, dizia uma das mensagens. Em outra conversa, um integrante escreveu: “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.

O acompanhamento das comunicações foi realizado com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para o ministro Wellington César Lima e Silva, o conteúdo identificado demonstrava que os planos discutidos não poderiam ser tratados como simples manifestações virtuais. “Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, disse Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.

Um relatório elaborado pelo Ciberlab, estrutura especializada no combate a crimes cibernéticos, apontou que os materiais encontrados apresentavam sinais de planejamento de ações violentas com uso de explosivos. O documento também identificou propagação de neonazismo, misoginia e estímulo à violência.

As comunidades não eram abertas ao público. Para chegar aos grupos, era necessário ter acesso a links específicos ou saber exatamente os nomes utilizados nas buscas.

A maior das comunidades reunia mais de 600 participantes. Segundo os investigadores, os integrantes que demonstravam maior nível de radicalização eram direcionados para um segundo grupo, mais restrito, formado por 46 pessoas. Nesse ambiente, as conversas avançavam para orientações práticas sobre possíveis ações.

Os integrantes compartilhavam materiais que ensinavam a produzir explosivos e coquetéis Molotov, além de discutir a fabricação de outros artefatos. Também havia conversas sobre a quantidade de explosivos que seria necessária e os custos envolvidos em eventuais ataques.

De acordo com o Ministério da Justiça, os administradores das comunidades ainda procuravam identificar entre os participantes aqueles que demonstravam disposição para cometer homicídios.

O Palácio do Planalto aparecia entre os principais alvos das discussões. As mensagens analisadas pelos investigadores indicam que o grupo pretendia invadir e explodir prédios públicos. A estratégia, porém, teria uma finalidade que ia além dos danos materiais: provocar um ato de forte impacto político a partir da capital federal, com uma mensagem de caráter violento e antidemocrático.

Os investigadores também encontraram referências à estrutura física de importantes instituições da capital. Eles tinham mapas dos ministérios, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, diz o delegado Coelho. “Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: ‘A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui’”, afirmou.

Lima e Silva destacou que parte relevante das atividades criminosas atualmente investigadas pelas autoridades ocorre no ambiente virtual. “Nós temos aqui dentro do Ministério da Justiça o Ciberlab , que capturou essas informações e compartilhou com diversos parceiros”.

O laboratório opera em uma área de acesso controlado em Brasília e atua na identificação de pessoas que utilizam perfis anônimos para disseminar conteúdos extremistas. Conforme os investigadores, muitos dos perfis analisados pertencem a homens jovens envolvidos na produção e compartilhamento de mensagens racistas, misóginas e homofóbicas.

Somente em 2026, o Ciberlab elaborou 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos classificados como comunidades de ódio.

Entre os conteúdos acompanhados estavam mensagens de violência e hostilidade contra mulheres. O monitoramento contou também com a participação de policiais que integram a equipe do laboratório.

A investigação levou à realização de uma operação na última terça-feira (4). Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados.

Os suspeitos são investigados por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. Computadores, celulares e outros dispositivos recolhidos durante a operação permanecem sob análise das autoridades.

Para o delegado responsável pelo caso, havia elementos que justificavam a adoção das medidas antes que os planos discutidos chegassem a ser executados. “A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, diz o delegado.

O ministro Wellington César Lima e Silva também chamou atenção para a necessidade de reação da sociedade diante da disseminação de ideias extremistas. “O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”, diz o ministro.

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