Presidente americano determinou revisão do calendário de imunização de crianças e defendeu separar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola
A nova ofensiva do governo de Donald Trump para modificar a política de vacinação infantil dos Estados Unidos provocou reação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade afirmou que decisões sobre imunização devem seguir evidências científicas acumuladas durante décadas e alertou que alterações recentes adotadas pelo governo americano não estão de acordo com esse conhecimento.
A discussão ganhou ainda mais repercussão por causa da forma como a medida foi apresentada. Durante um evento no Salão Oval, na última segunda-feira (10/8), Trump permaneceu sentado enquanto integrantes do governo detalhavam as mudanças. Imagens que circularam amplamente nas redes sociais mostram o presidente fechando os olhos enquanto o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., falava. O episódio levou internautas a dizerem que Trump parecia ter cochilado durante a cerimônia. Vídeos do mesmo momento também chamaram atenção para as mãos de Kennedy, que aparentavam tremer enquanto ele discursava.
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No centro da controvérsia está uma ordem assinada por Trump para reformular as recomendações federais de imunização na infância. Entre os pontos defendidos estão a redução do conjunto de vacinas recomendadas rotineiramente e um maior espaçamento entre algumas aplicações. A medida também pressiona por mudanças nas regras relacionadas à vacinação escolar.
Um dos pontos que mais despertaram críticas é a proposta de deixar de utilizar a vacina combinada MMR (equivalente à tríplice viral no Brasil) da maneira que é adotada e oferecer imunizantes contra sarampo, caxumba e rubéola separadamente. Conforme especialistas, não há evidência científica de benefício nessa separação e as três vacinas individuais sequer estão atualmente disponíveis no país.
A OMS reagiu defendendo que calendários de vacinação sejam definidos a partir de avaliações independentes e transparentes. A entidade lembrou que recomendações sobre a idade e o momento adequado para cada dose resultam de décadas de pesquisas sobre transmissão de doenças, funcionamento do sistema imunológico, eficácia e segurança dos imunizantes.
Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde dos Estados Unidos, está no centro desse debate há anos. Antes mesmo de entrar para o governo, ele difundiu alegações sobre uma possível associação entre imunizantes e autismo, relação sem comprovação científica. Porém, em meio ao avanço do sarampo no país, o secretário declarou em entrevista à CNN que os pais deveriam imunizar os filhos contra a doença e reconheceu a eficácia da vacina.
O momento é delicado para a saúde pública americana. Os Estados Unidos enfrentam uma forte alta nos registros de sarampo, e especialistas temem que uma queda na cobertura vacinal amplie a circulação de uma doença que havia sido considerada eliminada no território americano em 2000. Trump e Kennedy defendem que as mudanças ampliam a autonomia das famílias e aproximam o calendário americano daquele adotado em outros países desenvolvidos.






