Pacientes denunciam complicações após cirurgia com médico colombiano irregular no Brasil

Pacientes denunciam complicações após cirurgia com médico colombiano irregular no Brasil


Mulheres registraram boletins de ocorrência e processos contra Guillermo Andres Gonzalez Gomez após complicações em cirurgias no Brasil e na Colômbia; médico nega acusações

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Pacientes brasileiras acusam o médico colombiano Dr. Guillermo Andres Gonzalez Gomez de atuar sem autorização como cirurgião plástico no Brasil, por meio de sua clínica, Remodelarte. Segundo as supostas vítimas, além da atuação ilegal no país, o profissional é acusado de causar complicações em cirurgias plásticas e de não prestar atendimento adequado no pós-operatório. As mulheres envolvidas registraram boletins de ocorrência, e também foram encontrados processos em curso movidos por outras pacientes, que pedem indenização por complicações e falta de assistência após os procedimentos.

Segundo consta em processos apurados pela reportagem, Guillermo, que possuía apenas autorização para acompanhar cirurgias plásticas, de acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ), é acusado de ter realizado procedimentos em pelo menos dois hospitais do Rio de Janeiro que teriam gerado complicações graves nas pacientes, incluindo infecções, necrose e falta de assistência adequada.

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Reprodução Redes Sociais/ Instagram

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Fotos/reprodução portal LeoDias

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Reprodução: Flirckr

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Paula Soares afirma ser vítima do Dr. Guillermo. Segundo ela, a cirurgia reparadora de mama e a lipoescultura, realizadas em janeiro de 2025, tiveram inúmeras complicações, como abertura dos pontos, infecções e falta de atendimento adequado no pós-operatório. Ela também alega ter sofrido ameaças e xingamentos por parte do médico. Paula afirma ainda que, em consequência da cirurgia “mal feita”, atualmente lida com depressão e chegou a tentar contra a própria vida, sendo internada para atendimento psiquiátrico.

Ainda segundo relatos de pacientes e funcionários de um dos hospitais, que preferem ter suas identidades preservadas, o colombiano, CEO da clínica Remodelarte, atuava em conjunto com outros médicos brasileiros. Como não tinha autorização para exercer a profissão no país, receituários, pedidos médicos, atestados e contratos eram emitidos com carimbos de outros profissionais com CRM ativo no Conselho de Medicina.

Além das cirurgias no Brasil, pacientes brasileiras também denunciam Guillermo por graves complicações pós-operatórias após terem comprado o pacote de “turismo médico” e viajado para a Colômbia para realizar os procedimentos. Em contato com o portal LeoDias, uma das mulheres relatou que, ao chegar ao país, o procedimento foi realizado em uma clínica em Bucaramanga, e não em um hospital. Ela também denuncia que, dois dias após a cirurgia, que teve custo total de R$ 65 mil, os pontos abriram e começaram as infecções.

“Depois da infecção, o médico disse que eu estava linda, não me receitou nenhum medicamento e não me internou. Alguns dias depois, após ter febre e me sentir mal, sofri uma grave crise respiratória. […] Estava desesperada; meu peito estava aberto e a infecção estava se espalhando. Eu sentia que ia morrer. O médico disse às enfermeiras para não chamarem uma ambulância, que eu me estabilizaria em breve e que todo aquele alvoroço era desnecessário. Depois que me estabilizei, ele me disse que eu havia mentido sobre a falta de oxigênio”, relatou.

Em depoimento, a brasileira contou que, um dia antes de retornar ao Brasil, teve os ferimentos abertos, que estavam cheios de pus devido à infecção, suturados. “Foi um pesadelo, toda aquela dor e sofrimento”. Antes de embarcar, ela afirma que Guillermo a induziu a mentir para a companhia aérea e dizer que estava viajando de férias e que não havia realizado uma cirurgia, pois, caso contrário, não conseguiria deixar o país naquele estado. Ao chegar ao Brasil, ela foi internada com o diagnóstico de uma infecção gravíssima após ser exposta a uma bactéria que, segundo seu relato, só pode ser contraída em ambiente hospitalar.

Procurado pelo portal, Guillermo negou que tenha realizado procedimentos como médico cirurgião no Brasil e informou que atua somente como CEO da empresa Remodelarte Surgery. Sobre as acusações de complicações pós-operatórias e falta de assistência da equipe médica, o médico colombiano afirmou que as “intercorrências” podem acontecer em procedimentos cirúrgicos e que algumas teriam ocorrido por falta dos cuidados necessários por parte das pacientes.

Em nota, o CREMERJ afirmou que o médico em questão não pode realizar procedimentos no Brasil e que, de 2021 a 2026, manteve inscrição no conselho como aprendiz: “Guillermo Andres Gonzalez Gomez é médico estrangeiro e não tem autorização para exercer a medicina no Brasil. Ele teve inscrições neste Conselho exclusivamente para a realização de cursos de pós-graduação na área médica no estado do Rio de Janeiro, o que aconteceu nos períodos de 2021 a 2023 e de 2024 a 2026 (até o mês de fevereiro deste ano). Vale ressaltar que, por se tratar de realização de curso, em nenhum momento, ele teve autorização para exercer a medicina, sem a supervisão obrigatória, podendo atuar apenas como aprendiz”, informou.

A entidade disse ainda que casos de condutas médicas criminosas devem ser investigados pelas autoridades policiais: “Casos relacionados a pessoas que se passam por médicos devem ser investigados pelas autoridades policiais por se tratar de conduta criminosa. O Cremerj apura e julga casos no âmbito ético de médicos devidamente formados no Brasil e inscritos na autarquia do Rio de Janeiro. Para coibir essa situação, o Cremerj disponibiliza a área Buscar Médicos, em que a população pode consultar todos os profissionais médicos inscritos neste Conselho.”

A reportagem também procurou os médicos brasileiros que aparecem como responsáveis nas documentações apresentadas pelas pacientes. A Dra. Leizi Barreto e o Dr. Jose Adrian Bermudez Bohorquez ainda não retornaram o contato. O espaço segue aberto.

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