Rainha de bateria paga pelo posto? Saiba a única escola do Rio que cobra

Rainha de bateria paga pelo posto? Saiba a única escola do Rio que cobra


Na maioria das escolas, famosas não pagam pelo cargo, mas bancam as próprias despesas; enquanto algumas cobrem os custos, uma delas cobra pelo posto

No Carnaval, ostentar a coroa de rainha de bateria pode custar caro, mas não necessariamente porque existe um preço pelo posto. Ao contrário do que muita gente imagina nos bastidores da folia, normalmente as escolas de samba do Rio de Janeiro não cobram para que uma famosa ocupe a função. Isso, porém, não significa que tudo saia de graça: na maioria das agremiações, são as próprias rainhas que arcam com suas despesas ao longo da preparação, inclusive com a fantasia usada na Marquês de Sapucaí. E, como quase tudo no mundo do samba, há exceções dos dois lados: quem cobra pelo cargo e quem banca os gastos.

Até o último Carnaval, a Unidos da Tijuca era a única escola carioca que cobrava diretamente pelo posto de rainha de bateria, e não se tratava de uma novidade nos bastidores da agremiação, que sempre adotou esse modelo. O cenário, no entanto, mudou. Desde a prisão do patrono Rogério de Andrade, a Mocidade Independente de Padre Miguel vive uma crise e também passará a negociar o cargo. A primeira-dama da escola se afastou do posto, abrindo espaço para que a função possa representar uma nova fonte de receita para a verde e branca. Rogério cumpre pena em um presídio federal, e o próprio presidente da escola, Flávio da Silva Santos, o Pepé, também foi preso.

Veja as fotos

Foto: Marcelo Piu/Prefeitura do Rio

Carnaval do RioFoto: Marcelo Piu/Prefeitura do Rio

Foto: Fernando Maia/Prefeitura do Rio

Carnaval do RioFoto: Fernando Maia/Prefeitura do Rio

Foto: Fábio Motta/Prefeitura do Rio

Carnaval do RioFoto: Fábio Motta/Prefeitura do Rio

Foto: Fernando Maia/Prefeitura do Rio

Carnaval do RioFoto: Fernando Maia/Prefeitura do Rio


Para muitas escolas, aliás, ter uma rainha de bateria pode dar mais dor de cabeça do que alegria. Afinal, o posto não é um quesito oficial de julgamento e, portanto, não vale um ponto sequer na apuração. Ainda assim, está longe de ser irrelevante: uma famosa à frente dos ritmistas traz glamour, mídia, holofotes e, dependendo do acordo, dinheiro. A presença de celebridades nesse espaço ganhou força ao longo das décadas com nomes que ajudaram a transformar a função em uma das mais cobiçadas da Sapucaí, como Monique Evans, Luma de Oliveira e Luiza Brunet. Desde então, a escolha de quem fica à frente da bateria extrapolou a avenida e passou a movimentar também os bastidores do Carnaval.

Na outra ponta estão escolas que fazem questão de abrir o cofre para suas estrelas. Grande Rio e Beija-Flor arcam com todas as despesas relacionadas às suas rainhas, enquanto a Viradouro também assume o custo da fantasia. No último Carnaval, o Salgueiro fez o mesmo e pagou a fantasia de Viviane Araújo, um dos maiores símbolos da agremiação. Já na Imperatriz Leopoldinense, a dinâmica é diferente: quem desfila é responsável pelo valor da própria fantasia, já que a escola não assume essa despesa. Ou seja, mesmo quando não há cobrança para ocupar um cargo de destaque, atravessar a Sapucaí pode pesar, e bastante, no bolso.

E é justamente a Imperatriz que ajuda a derrubar uma história que já circulou com força nos bastidores do samba. Na época em que Rafa Kalimann atuou como musa da escola, muito se falou que a ex-BBB teria desembolsado dinheiro para conquistar o cargo. Naquele período, Vinicius Drumond exercia formalmente a função de vice-presidente executivo da Imperatriz Leopoldinense, cenário que alimentou ainda mais os comentários. A história, no entanto, não procede: Rafa não pagou para ser musa. A única despesa assumida pela atual esposa de Nattanzinho foi justamente a própria fantasia para o desfile.

No fim das contas, ter um posto de destaque no Carnaval carioca não significa, por regra, comprar uma cadeira na avenida. Até o último Carnaval, apenas a Unidos da Tijuca cobrava diretamente pelo cargo de rainha de bateria, mas a entrada da Mocidade nesse jogo mostra como o posto também pode ser encarado como um ativo financeiro. Enquanto algumas escolas bancam parte ou até a totalidade dos gastos de suas estrelas, outras deixam a conta com quem quer brilhar diante dos ritmistas. A rainha pode não valer ponto na quarta-feira de cinzas, mas, antes da apuração, vale glamour, exposição, manchetes e, cada vez mais, dinheiro.

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