A Anac suspendeu quatro empresas de voos panorâmicos no Rio de Janeiro nesta terça-feira (18). A medida também impede a operação de nove helicópteros ligados às companhias, após acidentes com aeronaves no estado e a identificação de indícios de irregularidades.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu nesta terça-feira (18) quatro empresas que realizavam voos panorâmicos no Rio de Janeiro. Segundo a Folha de S. Paulo, a medida atinge a VRP, Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly e também impede a operação de nove helicópteros ligados às companhias. A decisão veio após três acidentes com helicópteros no estado em um período de oito meses, que deixaram 13 mortos.
As empresas suspensas tinham autorização para atuar no setor, mas a Anac identificou indícios de irregularidades em informações relacionadas à operação, como o registro do tempo de voo. A agência não detalhou quais problemas foram encontrados em cada companhia.
“Havia aeronave que voava 30 minutos por dia e dizia voar dez minutos, e a manutenção é feita pelo tempo de voo”, explicou o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, durante entrevista coletiva ao lado do prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD).
Diante dos acidentes e das irregularidades identificadas, a Anac anunciou que pretende revisar, até o fim deste ano, as regras nacionais para voos panorâmicos. Atualmente, o setor segue critérios estabelecidos por uma portaria de 2020.
“O objetivo de revisarmos é tornar essa atividade mais segura com participação social com consulta pública, de maneira que a gente valorize as empresas corretas e combata aquelas que fazem voos burlando algum tipo de regulamento”, afirmou Faierstein.

Segundo o diretor-presidente, o setor de táxi aéreo também deve passar por novas fiscalizações e revisões. O prefeito alertou que os passageiros devem verificar se a empresa escolhida possui autorização para oferecer o serviço. “Fazer um voo panorâmico de helicóptero não é como pegar um táxi saindo do aeroporto. É importante por quem contrata o serviço checar se a empresa tem autorização”, declarou ele.
Além da suspensão das quatro empresas, a Anac e a Prefeitura do Rio rescindiram os termos de compromisso de cinco companhias para uso do heliponto da Lagoa, na Zona Sul. Uma fiscalização identificou que as empresas utilizavam o local para desembarque de passageiros, em desacordo com a regra que determina o retorno do helicóptero ao mesmo ponto de onde partiu.
Os acidentes
A VRP era responsável pelo voo contratado por uma família colombiana em 8 de agosto. O helicóptero caiu em uma área de mata próxima à Vista Chinesa, após sobrevoar a região do Cristo Redentor. Três integrantes da família e o piloto morreram.
Em junho, uma colisão entre dois helicópteros na Barra da Tijuca deixou seis mortos. Entre as vítimas estavam o cantor norte-americano Oliver Tree, que fazia uma turnê internacional, artistas e influenciadores estrangeiros e dois pilotos. As aeronaves realizavam transporte de passageiros para outras cidades do estado.
Já em janeiro, um helicóptero caiu em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, durante um voo de instrução. Três pessoas, incluindo o piloto, morreram. As investigações dos acidentes continuam.
Até segunda-feira (17), o Rio tinha 12 empresas autorizadas a oferecer voos panorâmicos, serviço procurado principalmente por turistas. Juntas, as companhias tinham 46 aeronaves destinadas à atividade.
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