Clube contestou pedidos apresentados pelo jogador e pelo pai em processo que envolve cobrança de R$ 42,75 milhões
O Flamengo endureceu o tom em uma disputa judicial com Gerson e o pai do jogador, Marcão, em processo que envolve uma cobrança de R$ 42,75 milhões. Em petição apresentada à Justiça na semana anterior ao confronto contra o Cruzeiro pela Libertadores, o clube contestou uma série de pedidos feitos pela defesa e afirmou que as medidas tinham como objetivo postergar o desfecho da ação.
De acordo com o documento obtido pela ESPN, o Flamengo considerou desnecessários requerimentos envolvendo contratos, relatórios, briefings e documentos relacionados a patrocinadores e instituições financeiras. O clube também questionou uma solicitação de perícia grafotécnica em uma carta manuscrita assinada pelo próprio Gerson.
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Carta de demissão vira ponto central
A perícia solicitada pela defesa tinha como objetivo verificar a autoria de uma carta escrita à mão na qual consta um pedido de demissão atribuído ao jogador. O requerimento apresentado à Justiça indicava que o exame “deverá abranger não apenas a autoria do manuscrito, mas também dinâmica de preenchimento, assinatura, contemporaneidade dos lançamentos e eventual divergência entre o punho redator e o subscritor”.
O Flamengo, porém, afirmou que Gerson já havia reconhecido, em sua contestação, ter assinado o documento. Diante disso, o clube classificou o pedido como uma “caracterização, pura e simples, de mais uma impostura moral, processual e, quiçá, criminal dos réus [Gerson e o pai, Marcão]”.
Na mesma manifestação, o Rubro-Negro afirmou que os pedidos apresentados pela defesa representavam uma “tentativa desesperada de protelar o desfecho que os réus sabem ser desfavorável”.
Justiça rejeitou perícias
A Justiça analisou os requerimentos apresentados por Gerson e rejeitou a produção das provas pericial grafotécnica e contábil. A decisão considerou a medida “desnecessária”, apontando que a rescisão unilateral do vínculo pelo jogador é incontroversa no processo e que ele já havia se transferido para outro clube.
Também foi rejeitado o pedido para que o Flamengo fosse condenado por má-fé. Gerson e Marcão haviam acusado o clube de utilizar o processo para alcançar um objetivo ilegal, citando o fato de o Flamengo ter recebido R$ 160 milhões pela transferência do atleta ao Zenit.
Entenda a cobrança
A origem da ação está na rescisão antecipada de um contrato de imagem firmado entre Gerson e Flamengo. O clube sustenta que a saída do jogador provocou prejuízo e que havia uma cláusula estabelecendo indenização para o rompimento antes do término previsto.
O contrato ainda teria 57 meses a cumprir, com previsão de R$ 750 mil por mês. A partir desse cálculo, o Flamengo chegou ao valor de R$ 42,75 milhões que cobra do jogador.
O clube também aponta como elemento da disputa a posterior negociação envolvendo Gerson e o Cruzeiro, que teria sido um dos fatores que motivaram a discussão judicial.
Gerson apresentou outra versão
Em sua defesa, Gerson afirmou que recebeu orientação do próprio Flamengo para escrever e assinar a carta de demissão, com o objetivo de viabilizar sua transferência ao Zenit. O jogador também criticou a postura do clube no processo. Em manifestação anterior, classificou a ação como covarde, afirmou ter sido traído e declarou que o Flamengo estaria “cego pelo desejo ardente de vingança”.
Gerson e Marcão ainda sustentam que a transferência para o Zenit ocorreu de forma consensual e acusam o Flamengo de ter agido de má-fé. O clube, por sua vez, mantém a cobrança da multa prevista no contrato.
Com a rejeição das perícias, a disputa segue na Justiça em torno da responsabilidade pela rescisão antecipada e da validade da cobrança de R$ 42,75 milhões feita pelo Flamengo.




