Amanda Maria Souza de Oliveira, acusada de se passar por uma menina de 12 anos e enganar uma família em Joinville, teve a primeira sessão de julgamento nesta quarta-feira (19), em Santa Catarina. A defesa e o Ministério Público apresentaram seus argumentos à Justiça.
A primeira sessão de julgamento do caso de Amanda Maria Souza de Oliveira foi realizada nesta quarta-feira (19), em Santa Catarina. A mulher, de 38 anos, foi detida em Joinville acusada de enganar uma família e se passar por uma menina de 12 anos. Após a prisão, outros casos parecidos envolvendo Amanda foram descobertos em diferentes partes do Brasil.
A audiência começou às 18h, em Joinville, e reuniu várias pessoas envolvidas no caso. Amanda é acusada de estelionato e falsa identidade em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público. Como o processo tramita em segredo de justiça, os detalhes discutidos durante a sessão não foram divulgados.
O casal que acolheu Amanda foi chamado para prestar depoimento, assim como o filho da família, que figura como testemunha de acusação. Amanda viveu durante 14 meses na residência das vítimas, onde era tratada como filha adotiva, até ser presa em flagrante em junho deste ano. Um policial civil também foi ouvido. Já entre os profissionais apresentados pela defesa estavam um psiquiatra forense e uma psicóloga.
O MP defendeu que Amanda seja condenada pelos crimes. Os advogados da mulher, no entanto, pediram sua absolvição. A defesa também solicitou a revogação da prisão preventiva, medida contestada pela acusação. O juiz informou que a questão será analisada junto da sentença.

A decisão sobre o caso deve ser divulgada em até cinco dias. Enquanto aguarda o posicionamento da Justiça, a defesa de Amanda se manifestou por meio dos advogados Sarita Henrique de Paiva e Lúcio Sousa. “A defesa reitera sua confiança no Poder Judiciário e aguarda a decisão no prazo fixado”, afirmaram em nota.
Relembre o caso
Amanda Maria viveu por 14 meses como filha adotiva da família em Joinville após conhecer as vítimas ao procurar uma igreja. A suspeita relatou ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. A investigação apontou que ela é natural do Ceará e que apresentava versões semelhantes da história em outros estados.
Conforme o delegado, além da família que acolheu a mulher em casa, o pastor e a comunidade foram vítimas do golpe. No início do ano passado, eles se sensibilizaram para tentar achar um lugar para ela ficar. Além de uma festa de aniversário de 12 anos, Amanda ganhou remédio para emagrecer, um quarto com decorações e brinquedos infantis.
“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia”, afirmou Rodrigo Gusso.

Segundo a polícia, Amanda já havia sido alvo de uma investigação em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Na época, a mulher se apresentava como uma criança em situação de vulnerabilidade e era acolhida por famílias, profissionais da saúde e integrantes da rede de proteção à infância. Ela é investigada por ocorrências semelhantes em ao menos seis estados brasileiros. A Polícia Civil apura possíveis crimes de falsa identidade, estelionato e fraude documental.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques
