Ator viverá Werneck, o “Rei do Ônibus”, homem poderoso e perverso obcecado pela ideia de recuperar uma suposta pureza perdida
Depois de interpretar o ambicioso Marco Aurélio em “Vale Tudo”, Alexandre Nero vai voltar à dramaturgia em um papel ainda mais controverso. Em “Paraíso Perdido”, supersérie do Globoplay livremente inspirada na obra de Nelson Rodrigues, o ator viverá Werneck, um poderoso empresário que, em seu casarão, promove orgias com mulheres virgens como parte de um ritual para tentar recuperar uma suposta pureza perdida.
Conhecido como o “Rei do Ônibus”, Werneck é um polêmico empresário do ramo de transportes da fictícia Cidade Maravilhosa. O título foi conquistado “a ferro e fogo”, e ele coleciona aliados e rivais dentro e fora da lei. Ao longo dos anos, construiu uma poderosa rede de lealdades que poderá ser colocada em risco justamente por seus vícios e perversões.
A obsessão de Werneck pela ideia de pureza também aparece na relação com a filha Maria Cecília, interpretada por Alanis Guillen. Para o empresário, ela representa seu maior símbolo de inocência. A cegueira paterna, porém, impede que ele perceba que a jovem está muito distante do “anjo” que imagina ter criado.
Dentro da mansão da família, Maria Cecília mantém as aparências. Fora de casa, é capaz de atitudes que causariam inveja ao próprio pai, especialmente quando estão em jogo sexo e poder. Uma de suas fantasias a leva a se envolver em um crime que precisará encobrir com outro, dando início a uma sucessão de mentiras e armações.
O novo papel mantém Alexandre Nero em um universo de homens poderosos, controversos e moralmente questionáveis. Se Marco Aurélio fez da ambição e da falta de escrúpulos suas principais características em “Vale Tudo”, Werneck acrescentará a esse perfil uma dimensão ainda mais sombria, marcada por poder, sexo, hipocrisia e pela obsessão com uma pureza que ele próprio está muito longe de representar.
“Paraíso Perdido” transporta personagens e conflitos da dramaturgia de Nelson Rodrigues para os dias atuais. A supersérie pretende discutir justamente o contraste entre aquilo que os personagens aparentam ser e aquilo que realmente são, em uma sociedade transformada pelas redes sociais e pela exposição da intimidade.
Entre tragédia e humor, desejo e aparência, “Paraíso Perdido” promete colocar Alexandre Nero novamente no centro de uma família movida por dinheiro, poder e segredos — desta vez, em um universo tipicamente rodrigueano.

