Acusado de capacitismo e importunação sexual, o influenciador pode pegar até 10 anos de prisão; defesa de Tokinho celebrou o avanço da ação penal
O cerco fechou para o influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão nas redes sociais. A Justiça de São Paulo acatou a denúncia do Ministério Público e o tornou réu pelos crimes de importunação sexual e capacitismo contra o humorista Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho.
O caso, que gerou indignação nas redes sociais, ocorreu em agosto do ano passado durante uma transmissão ao vivo na Twitch, direto de um evento musical na Zona Oeste da capital paulista. Durante a transmissão, o rapaz se aproximou do ator de maneira invasiva e insistente.
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Segundo o MP-SP, além de tentar beijar o humorista à força e sem consentimento, o youtuber disparou falas de cunho sexual, afirmando: “Eu tenho fetiche por deficiente” e ameaçando logo em seguida: “Eu vou te abusar”. Mesmo após a vítima pedir respeito e exigir o uso correto do termo “pessoa com nanismo”, o acusado prosseguiu com o deboche.
“Sabe por que eu não te acho normal? Porque todo anão tem um p* grande”. Além dos comentários sobre o órgão sexual de pessoas com nanismo, Moskitão utilizou termos pejorativos como “micro-ondas” e “viado” para ridicularizar Tokinho, que é assumidamente gay. Todo o episódio ficou gravado e serviu como prova crucial para a investigação.
Consequências pesadas na Justiça
De acordo com as informações do G1, a decisão que instaurou a ação penal partiu da 26ª Vara Criminal de São Paulo no final de julho deste ano. O juiz Marcos Vieira de Morais avaliou que há materialidade e indícios contundentes contra o youtuber, que, curiosamente, sequer foi localizado pela polícia na fase de inquérito para apresentar sua versão dos fatos.
Se condenado, Moskitão pode enfrentar até 10 anos de prisão, visto que a pena pode ser agravada pelo fato de o crime de discriminação ter sido cometido por meio de comunicação social. O Ministério Público também exige o pagamento de uma indenização mínima de R$ 10 mil pelos danos causados à vítima.
O réu, que já foi condenado anteriormente a pagar R$ 15 mil por outras falsas “trolagens” que assediaram mulheres, responde em liberdade. A equipe jurídica de Tokinho celebrou a abertura da ação penal como um avanço importante. Em comunicado oficial, os advogados reforçaram que a liberdade de expressão na internet não anula a lei.
“Nenhuma pessoa pode ser transformada em objeto de ridicularização, sexualização ou entretenimento em razão de uma deficiência ou de uma característica física”, pontuaram. O próprio Tokinho, logo após o ataque virtual, usou seu perfil para relatar que se sentiu “desrespeitado e constrangido”.




