Hytalo Santos foi condenado a indenizar dois ex-seguranças em processos trabalhistas. Segundo documentos divulgados pelo Metrópoles, os funcionários relataram assédio e condições degradantes de trabalho. A defesa do influenciador negou as acusações e informou que recorrerá.
Hytalo Santos foi condenado a pagar R$ 60 mil em indenizações a dois ex-seguranças. De acordo com trechos do processo, divulgados pelo Metrópoles nesta quarta-feira (26), a decisão do Tribunal Regional do Trabalho foi tomada após os funcionários apresentarem provas de que sofriam assédio moral e eram submetidos a condições degradantes de trabalho. Um dos empregados ainda afirmou ter sofrido assédio sexual por parte do influenciador.
Segundo os documentos, os processos foram movidos por Diego Galdino e Elidinaldo Araújo, que integraram a equipe de segurança pessoal de Hytalo. Diego trabalhou para o influenciador entre fevereiro de 2023 e março de 2025, enquanto Elidinaldo exerceu o cargo entre agosto de 2024 e março de 2025. A Justiça fixou uma indenização de R$ 30 mil para cada um. Israel Vicente, marido de Hytalo, e as empresas ligadas ao influenciador também foram responsabilizados pelos pagamentos.
No caso de Diego, uma testemunha afirmou ter presenciado “toques físicos indesejados” de Hytalo no funcionário, como “passar a mão na nuca ou na perna” enquanto ele dirigia. A decisão ainda destacou que o segurança não gostava de ficar sozinho com o patrão. “A prova mais eloquente do caráter indesejado e intimidatório da conduta do Reclamado (Hytalo) é, talvez, o relato da testemunha de que o Reclamante (Diego) pedia sua companhia para ‘não deixar ele só com o seu Hítalo’. Esse fato demonstra o estado de angústia e constrangimento a que o autor era submetido, descaracterizando qualquer alegação de consentimento ou de um mero ‘ambiente descontraído’”, diz um trecho.
Os ex-seguranças também relataram outros comportamentos que teriam ocorrido durante o período de trabalho. Segundo os autos, Hytalo costumava circular de calcinha diante dos funcionários e, quando consumia bebidas alcoólicas, gritava, xingava e tentava abraçar integrantes da equipe de maneira invasiva. Os profissionais ainda afirmaram que eram impedidos de utilizar os banheiros internos da residência e precisavam recorrer a um sanitário externo sem condições adequadas de higiene.

“Além disso, relatam ter sido impedido de utilizar os banheiros internos da residência, sendo obrigado a usar um sanitário externo em condições deploráveis de higiene, com presença de fezes, urina de animais e lixo. Por fim, alega situações vexatórias extremas, como ser constrangido a presenciar atos sexuais dos reclamados, sofrer fiscalização excessiva por câmeras em locais de troca de roupa e ter seu celular pessoal invadido pelo reclamado Hytalo para exclusão de prova”, descreveu o texto.
A Justiça também reconheceu o vínculo empregatício dos dois seguranças com o influenciador e considerou nulas as escalas informais de 24 horas de trabalho por 72 de descanso. Hytalo e suas empresas foram condenados a registrar os contratos nas carteiras de trabalho e pagar verbas referentes às dispensas, incluindo horas extras, adicional noturno, FGTS com multa de 40%, aviso prévio, férias proporcionais e 13º salário.
Defesa de Hytalo se manifesta
Em nota ao Metrópoles, a defesa de Hytalo negou as acusações e ressaltou que as decisões ainda podem ser contestadas. O advogado Julio Camargos afirmou que as sentenças são de primeiro grau, “por juízo singular, sem trânsito em julgado e integralmente sujeitas aos recursos e medidas cabíveis”.
Segundo ele, há outros processos com decisões “em sentido diametralmente oposto, em que as idênticas pretensões foram julgadas integralmente improcedentes, o que demonstra que as alegações não se sustentam quando confrontadas com a prova efetivamente produzida sob o crivo do contraditório”.

A defesa também repudiou as acusações de assédio moral e sexual e afirmou que elas não correspondem aos fatos. De acordo com os representantes, as conclusões “serão desconstituídas nas instâncias recursais, especialmente porque amparadas em elementos colhidos em outros autos, sem a integralidade do contraditório quanto aos fatos específicos ali reconhecidos”.
Os advogados ainda disseram que não entrarão em mais detalhes devido ao sigilo dos processos. “Por fim, embora existam diversas incorreções nas informações que vêm sendo veiculadas, esta defesa limita-se ao presente esclarecimento, uma vez que os autos tramitam sob segredo de justiça”, concluíram.
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo no dia 15 de agosto do ano passado, acusados de produção de conteúdo pornográfico com menores. Depois, os dois foram transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa, onde permanecem detidos preventivamente desde 28 de agosto.
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