Equipes de resgate correm contra o tempo para encontrar vítimas enquanto autoridades ordenam evacuações por risco iminente de uma nova inundação
Uma tragédia de proporções assustadoras atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) nesta quarta-feira (26/8). Uma inundação súbita e brutal, originada nas montanhas do Himalaia, varreu vilarejos inteiros, destruiu pontes e deixou um rastro de destruição que ainda está sendo contabilizado pelas autoridades. Com o avanço das horas, o desespero toma conta das equipes de resgate: o número de mortos já passa de 30 e há centenas de desaparecidos, incluindo quase 300 turistas.
O epicentro do desastre no lado nepalês foi o distrito de Rasuwa, por onde a fúria do rio Bhote Koshi desceu arrastando tudo o que encontrava pela frente. Do lado chinês, o porto de Gyirong, uma das principais rotas de passagem comercial entre os dois países, sofreu com severos deslizamentos de terra.
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Imagens que circulam pelas redes sociais mostram verdadeiros “tsunamis” de lama engolindo casas, estradas e veículos em questão de segundos. A força da água foi tamanha que usinas hidrelétricas foram atingidas, comprometendo mais de 12% de toda a capacidade de geração de energia do Nepal.
A grande dúvida que paira sobre as equipes de investigação é o que exatamente engatilhou esse fenômeno ambiental extremo. Especialistas trabalham com a forte hipótese de que um terremoto de magnitude 4,4, registrado nas redondezas, tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas. Esse material teria bloqueado o curso do rio Lhende Khola, criando uma represa natural que cedeu repentinamente e liberou uma quantidade colossal de água de uma só vez. Outra linha de estudo aponta para o possível transbordamento ou rompimento abrupto de um lago glacial.
Equipes lutam para conseguir resgatar desaparecidos
Enquanto a causa exata da tragédia não é definida, a verdadeira corrida contra o tempo é para salvar vidas. As estimativas mais recentes apontam para cerca de 384 pessoas desaparecidas sob a lama e os escombros. O número assusta ainda mais pelo fato de aproximadamente 291 pessoas serem estrangeiras – elas faziam uma rota de peregrinação rumo ao sagrado Monte Kailash, no Tibete.
A China já mobilizou centenas de socorristas, mas o bloqueio de estradas e a falta de comunicação dificultam os acessos. O cenário atual continua sendo de alerta máximo na região do Himalaia. O governo nepalês emitiu ordens de evacuação de emergência para todas as comunidades ribeirinhas vulneráveis.
Existe o receio de que uma segunda onda de inundação aconteça a qualquer momento, já que ainda existe um grande volume de material e água represada bloqueando as partes altas dos rios.





