Moradores e trabalhadores do Nepal enfrentaram uma forte inundação na fronteira com o Tibete nesta quarta-feira (26). O desastre destruiu comunidades e deixou mortos e desaparecidos, enquanto sobreviventes relataram como conseguiram escapar da correnteza.
Nesta quarta-feira (26), moradores e trabalhadores do Nepal viveram momentos de desespero após uma forte correnteza de água, lama e pedras atingir comunidades próximas à fronteira com o Tibete, na China. Segundo a Reuters, o fenômeno destruiu casas, veículos, estradas e outras estruturas, mas algumas pessoas conseguiram escapar e relataram os instantes de tensão durante o desastre. Até agora, foi divulgado que mais de 160 moradores morreram e pelo menos 400 estão desaparecidos.
Um dos sobreviventes é o trabalhador nepalês Bibek Kumal, de 24 anos. Ele estava trabalhando na escavação de um poço, do lado de fora de uma casa recém-construída em Bidur, quando ouviu um forte barulho e foi avisado pelos colegas para deixar o local. “Eu comecei a correr. Então uma parede de água caiu com estrondo como se fosse um terremoto”, contou Kumal à Reuters.
A força da água fez com que o trabalhador fosse levado rio abaixo em meio à lama e aos destroços. Durante a correnteza, porém, ele acabou ficando preso a uma mangueira, o que impediu que fosse arrastado ainda mais: “Felizmente eu estava preso em uma mangueira. Se não houvesse mangueira, eu teria sido levado pela água até a morte”.

Kumal foi localizado pela polícia e retirado da área de risco. Ele teve ferimentos na perna direita após ser atingido inicialmente pela água e, depois, por uma grande pedra. A casa em que trabalhava acabou destruída pela correnteza, enquanto a residência onde ele vive permaneceu intacta. “Estou feliz em estar seguro”, celebrou.
A história de Kumal não foi a única entre os sobreviventes. Rihana Lamichane, de 11 anos, também conseguiu escapar. A menina estava na escola quando as aulas foram interrompidas por causa da inundação. Os estudantes receberam a orientação de retornar para casa, mas Rihana enfrentou a força da água enquanto atravessava um rio. “Enquanto eu atravessava o rio, de repente a água da enchente desceu a jorrar”, relatou ela. Imagens de câmera de segurança mostraram o momento da inundação. Veja:
Horrible video of Nepal flood #nepalinews #NepaliNewsToday #floodnews #nepalflood pic.twitter.com/aJc1mckPXh
— Preeti Sompura (@sompura_preeti) August 26, 2026
A horrific scene of severe flooding at the Rasuwagadhi border point on the Nepal-Tibet border.
The strong currents wreaked havoc across the area, leaving 400 pilgrims and 105 Indian tourists also missing in the Nepal floods.#NepalFloods #Nepal #Rasuwa #FlashFlood #Floods pic.twitter.com/dwAX12Gj7l— Ravi Pandey🇮🇳 (@ravipandey2643) August 26, 2026
Scary visuals of flash floods in Nepal. pic.twitter.com/2wKHrX6tFn
— Piyush Rai (@Benarasiyaa) August 26, 2026
A menina ficou ferida no peito e na perna: “Estou feliz em estar segura. Não faço ideia do que aconteceu com meus amigos”. A mãe de Rihana, Rita, soube do que havia acontecido por meio de uma amiga e correu para procurar a filha. “Estou feliz que nada sério aconteceu com minha filha. Fico aliviada em encontrá-la segura”, agradeceu.
Em Timure, o cenário foi ainda mais devastador. Uma testemunha ouvida pelo site Nepal News afirmou que o povoado inteiro foi destruído pela avalanche: “Timure desapareceu completamente, não sobrou nada”.
Outro relato veio do guia de trekking Sonam Dorjee, morador da vila de Syafru Besi, no distrito de Rasuwa. Em conversa com a BBC, ele contou que sua própria casa desabou durante a enchente. Dorjee havia saído da região pouco antes do desastre e seguia de carro para Katmandu.
A situação da família de Dorjee, porém, permanece ainda mais angustiante. A irmã dele, Dechen Tamang, está desaparecida junto com o marido e outros familiares. O guia torce para que eles sejam encontrados com vida: “Esperamos que haja 10% de chance”. O nepalês contou que conseguiu ouvir os sons provocados pela enchente enquanto se afastava do bairro. “Parece um terremoto. Minha casa desabou… Eu vi uma foto”, lamentou.
Ao descrever o que aconteceu, Dorjee classificou a enchente como “súbita e devastadora”. Segundo ele, muitas pessoas que sobreviveram perderam suas casas e agora dependem de ajuda para deixar as áreas afetadas. O guia afirmou que são necessários resgate, evacuação, alimentos, locais para abrigo temporário e atendimento médico.

A tragédia aconteceu em uma região que enfrenta recorrentes inundações e deslizamentos durante a temporada de monções. As áreas montanhosas do Nepal também apresentam vulnerabilidade a terremotos e outros desastres naturais, aumentando os riscos para as comunidades locais durante períodos de condições climáticas adversas.
Até o momento, a causa exata do deslizamento não havia sido esclarecida. Dados do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências apontaram que um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado cerca de sete minutos antes do horário em que as imagens foram feitas. A suspeita é de que uma massa de lama e rochas tenha desabado sobre um rio, dando origem à correnteza que avançou pela região.
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