Deolane Bezerra teve um novo pedido para deixar a prisão negado pela Justiça de São Paulo. Presa desde maio, a influenciadora é ré em um processo que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e teve a manutenção da preventiva contestada pela defesa.
Deolane Bezerra seguirá presa após uma nova decisão da Justiça de São Paulo nesta quinta-feira (27). A 3ª Vara Criminal de Presidente Prudente manteve a prisão preventiva da influenciadora, detida desde 21 de maio e ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro em um processo decorrente da Operação Vérnix, que apura um suposto esquema financeiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são do UOL.
A decisão ocorreu dias depois de outro recurso apresentado pela defesa de Deolane também ser negado. Na última sexta-feira (21), o juiz Matheus Aquino Pirola Kruger rejeitou o pedido para substituir a prisão por medidas cautelares ou prisão domiciliar, ao considerar que ainda existem elementos que justificam a manutenção da preventiva.
Entre os argumentos, a Justiça apontou o risco de continuidade dos supostos crimes financeiros investigados. No entendimento do juízo, a prisão domiciliar ou a adoção de outras medidas cautelares não seriam suficientes para impedir que delitos dessa natureza fossem praticados.
A prisão preventiva precisa ser reavaliada pela Justiça a cada 90 dias. Na análise realizada nesta quinta-feira (27), a 3ª Vara de Presidente Prudente concluiu que permanecem os requisitos para manter Deolane detida, citando, entre outros pontos, a garantia da ordem pública e econômica, a aplicação da lei penal e o risco de continuidade das supostas atividades de lavagem de dinheiro.

A manutenção da prisão também havia sido defendida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Segundo a acusação, Deolane faria parte do núcleo financeiro de uma organização criminosa e teria atuado na ocultação de valores de origem ilícita. O órgão sustentou ainda que haveria risco de novos crimes caso ela fosse colocada em liberdade.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Deolane teria recebido valores provenientes de uma transportadora apontada como empresa de fachada utilizada no esquema. A Justiça também cita depósitos fracionados que teriam sido realizados em uma conta bancária da advogada. A acusação sustenta que empresas ligadas à influenciadora teriam sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos.
Relatórios técnicos mencionados pelo MPSP apontam que Deolane teria movimentado cerca de R$ 140 milhões, quantia que, segundo o órgão, seria incompatível com os valores declarados oficialmente. A investigação também afirma que algumas das empresas relacionadas à influenciadora apresentavam inconsistências nos endereços e na estrutura física correspondente às atividades declaradas.
A denúncia ainda aponta que haveria um plano para enviar recursos a Dubai como parte de uma suposta “reestruturação criminosa” das empresas, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. O Ministério Público também acusa a influenciadora de ter recorrido a familiares e outras pessoas como supostos “laranjas”.

Além de Deolane, são réus no processo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola – apontado pelas autoridades como líder do PCC, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, Everton de Souza, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. A Justiça também determinou a continuidade das buscas por Leonardo e Paloma, que são considerados foragidos.
A defesa de Deolane contesta as acusações. Em posicionamento divulgado após a manutenção da prisão preventiva, os advogados afirmaram ter recebido a determinação com surpresa e classificaram a detenção como “manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional”.
Os representantes da influenciadora também sustentam que ela é inocente, não possui qualquer vínculo com organização criminosa e que suas movimentações financeiras são provenientes de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios. Segundo a defesa, essas informações serão comprovadas ao longo da instrução do processo.
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