Ana Maria Braga revelou ter feito um aborto quando era mais jovem e se abriu sobre a experiência “péssima” pela qual passou. A apresentadora explicou a decisão e ainda se abriu sobre a vida íntima, como o sexo na terceira idade, experiência com maconha e até a possibilidade de se relacionar com mulheres.
Ana Maria Braga revelou ter feito um aborto quando era mais jovem e se abriu sobre a experiência “péssima” pela qual passou. Em entrevista à revista Veja, nesta sexta-feira (16), a apresentadora explicou que não havia outra solução e destacou que não sente culpa pela decisão. No papo, ela também se abriu sobre o sexo na terceira idade e entregou até que já cogitou se relacionar com mulheres.
“Nunca falei disso, mas, sim, fiz [um aborto] e foi péssimo. Não recomendo. Embora não fosse muito nova, naquele momento da vida ainda nem conseguia me sustentar direito e achava que não tinha outro caminho. Não guardo culpa”, afirmou Ana Maria.
Questionada se é a favor da legalização do aborto, ela respondeu que sim. “A decisão deve sempre ser da mulher. Ela é quem sabe do próprio corpo. Sou defensora da liberdade individual. É a mulher, com a consciência dela, que deve decidir o que fazer com o ser que está gerando”, argumentou.
A entrevista ainda abriu espaço para outros temas pessoais, como o fato da vida sexual ativa na terceira idade ainda ser um tabu. A apresentadora, por sua vez, foi sincera ao contar como encara o assunto. “A experiência, claro, depende muito do estágio de vida em que cada um se encontra. Se uma mulher com mais de 70 estiver casada com um homem bem mais velho e, provavelmente, já tiver passado da fase dos hormônios a toda, ela tende a se acomodar sem sexo”, avaliou.

“No meu caso, tenho uma pessoa que me deseja, que gosta de mim, que me toca. E eu me cuido para que ele continue não só me admirando, mas me olhando. Faço reposição hormonal desde antes dos 40, quando tirei o útero e os ovários, após o segundo filho, o que também ajuda a manter a libido”, explicou Ana Maria.
Seguindo para um território ainda mais íntimo, a veterana da televisão foi questionada se chegou a se relacionar com mulheres, e surpreendeu com a declaração. “Confesso que até fiquei tentada. Uma época, estive tão desacreditada dos homens que parei para pensar: havia tantas mulheres casando entre si que devia ser legal”, admitiu.
No entanto, Braga logo listou os motivos que a fizeram mudar de ideia. “Mulher é um bicho chato, complicado, e uma entende a outra, inclusive sexualmente. Só não achei ninguém que eu batesse o olho e falasse: ‘Bora’. Não levo jeito”, cravou.
Ainda falando sobre mulheres, Ana Maria respondeu se considera ser feminista, mas se atrapalhou com o conceito. “Não. Sou feminina. Na minha visão, a mulher tem de estar junto do homem e ser respeitada, reconhecida. Tenho meu papel como mãe, esposa e, ao mesmo tempo, como alguém que trabalha e se insere na sociedade de forma ativa. Não significa, porém, que ache os homens inferiores. Acho que, às vezes, as feministas acabam sendo contrárias a um convívio mais saudável”, opinou.
“Não estaria diminuindo a batalha histórica das mulheres por mais espaço?”, indagou o jornalista Valmir Moratelli. “Não. Só não sou de levantar bandeira e sair por aí gritando. Prefiro trabalhar mais para mudar o cenário”, devolveu a comunicadora.

O jornalista ainda quis saber qual é a relação de Braga com as drogas. “Nunca deu certo. Experimentei uma vez maconha, rapaz. Vomitei até a minha alma, nunca mais. Ainda me deu uma fome desgraçada depois. Só de sentir o cheiro… não me faz bem”, relatou.
Diagnóstico de câncer
Em 1991, Ana Maria Braga descobriu um câncer de pele, tratado com cirurgia. De 2001 a 2020, ela chegou a receber os diagnósticos de carcinoma epidermoide anal e câncer no pulmão, tratados com quimioterapia e radioterapia. Durante este período, porém, a apresentadora preferiu não externar sua doença em livros.
Agora, ela explicou o porquê. “Se uma pessoa sabe que está com câncer e quer conversar comigo, ouvir o que penso, falo com ela o tempo que for preciso. Não me atrapalha, não me machuca. Às vezes, percebo que consigo transmitir o que aquela pessoa não tem no horizonte: esperança. Mas o que passei não faz de mim arauto do câncer. Não vejo por que me tornar exemplo em livro. Só para ganhar uma grana e virar best-seller? Cada um tem sua vivência, é algo muito particular”, avaliou.
Ela ainda refletiu sobre a finitude após os diagnósticos. “Não penso na morte, nem mesmo agora, com 77 anos. Enxergo a questão da seguinte forma: sei que tenho mais tempo de vida para trás do que para frente, mas vou viver até os 110. Essa é a minha meta. Isso se a medicina não me der mais uma década”, brincou.
Para Ana Maria, envelhecer não é algo que a assusta. “Não, a passagem do tempo, na verdade, anda me ensinando muito — inclusive a ser feliz em um casamento com alguém vinte anos mais jovem. Se não tivesse passado pelos erros de relacionamentos anteriores, jamais teria a chance de viver isso agora. Nunca fiz terapia. Vou resolvendo meus problemas comigo mesma”, declarou.
A diferença de idade de 21 anos também não é motivo de preocupação para o casal. “Ao assumir a relação, eu sabia de todos os perigos que me aguardavam. Eu própria pensava: ‘Nossa, ele é tantos séculos mais novo, o que vai acontecer?’ As más línguas diziam: ‘Olha que ele vai te trair’. Tomei todos os cuidados. Aquele negócio de conhecer o cara e casar na mesma hora não estava dando certo. Então fiz diferente, e namoramos por quatro anos, até trocar alianças”, pontuou.

A rainha das manhãs da Globo também contou como eles se conheceram: “A gente se cruzou pelos corredores da Globo usando máscara, na pandemia, e foi coisa de olhar. Estava solteira e até ali sentia que não me viam como mulher, mas como a Ana Maria Braga. Com ele, tudo mudou”.
Planos para se aposentar? Não!
Apesar dos comentários que circulam na mídia, Ana Maria não pretende deixar o “Mais Você” ou a televisão tão cedo. “Eu já sou até aposentada. Ganho do governo, tenho direito, né? Já trabalhei muito de carteira assinada. Mas parar mesmo, não quero, não. O que seria da minha vida se deixasse de fazer o que eu faço? Vou para onde? Adoro a fazenda, mas aí mato um porco, cuido de planta, leio três livros e faço mais o quê? Não sirvo para ficar em casa, enlouqueço todo mundo. Vivo de aplausos”, soltou ela.
Ao citar seu trabalho na TV, a apresentadora recordou a parceria longínqua com Tom Veiga, que deu voz ao papagaio Louro José no matinal. Ela, então, admitiu que a morte repentina do amigo ainda a abala. “Dois dias antes de morrer, na pandemia, ele estava comigo, fazendo o programa de casa. Era um irmão, filho, parceiro, amigo. Foi uma das maiores perdas da minha vida. Até hoje não consigo falar dele”, desabafou.
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