Boni revelou que a demissão de Dercy Gonçalves foi a mais difícil de sua trajetória na Globo. O ex-vice-presidente de operações relembrou os cortes impostos pela Ditadura Militar ao programa da humorista e contou como foi comunicar a decisão à atriz.
José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, revelou qual foi a demissão mais difícil que já precisou fazer na Globo. Em um vídeo publicado nesta quarta-feira (9), o ex-vice-presidente de operações da emissora admitiu a um seguidor que a pergunta era desafiadora, mas entregou a resposta: Dercy Gonçalves. O pai de Boninho ainda explicou que o motivo tem ligação com a Ditadura Militar.
Ao relembrar o episódio, Boni rasgou elogios para a humorista, que morreu em 2008, aos 101 anos. “Foi a da Dercy Gonçalves, minha querida amiga. Eu sou apaixonado pelo trabalho dela, apaixonado pela pessoa e, de repente, nós não tínhamos outra solução”, iniciou. Na época, a atriz apresentava o programa de auditório “Dercy de Verdade”, que foi ao ar entre 1967 e 1970.

Segundo Boni, o motivo tinha a ver com cortes impostos pela Ditadura Militar, que estava nos seus primeiros anos. “O programa da Dercy era ao vivo e era objeto de várias intervenções da censura do governo militar. Eles acabaram exigindo que o programa fosse gravado”, explicou.
“A gente gravava três horas e perdia uma hora ou mais, porque a censura cortava. O corte foi aumentando e chegou um momento que a gente não tinha nenhum programa para exibir no ar. Muita gente diz que isso é uma invenção nossa, porque houve uma pressão do governo militar. Houve pressão através da censura”, complementou.
Mesmo com as modificações, em setembro de 1969, o programa de auditório sofreu mais uma punição da Censura Federal, dessa vez com a imposição de 15 dias de suspensão. Segundo os censores, a atração teria “desrespeitado” os artigos 12 e 18 do Decreto 61123, de 1° de agosto de 1969, que proibiam alterações em programas já aprovados pela Censura.
Os cortes passaram a incomodar ainda mais a emissora, que ainda tinha de lidar com o orçamento alto do programa. “Não conseguimos resistir à questão financeira. Nós fomos punidos financeiramente. Naquele momento, a Globo ainda tinha uma dificuldade de caixa e não dava para sustentar a Dercy sem que ela fosse ao ar e tivesse os seus patrocínios”, explicou.

Na hora de anunciar a decisão para a humorista, Boni lembrou que fez questão de destacar que a contrataria de volta quando pudesse. “Tive que chamar a Dercy, nossa rainha, e dizer que dentro das circunstâncias, não poderia mantê-la, mas assim que fosse possível, eu chamaria ela de volta. Foi um momento extremamente dolorido da minha vida ter que ficar sem a minha querida Dercy Gonçalves”, detalhou.
Assista:
➡️ Boni lembra demissão de Dercy Gonçalves da Globo: “Extremamente dolorido” pic.twitter.com/RPNehHFc03
— Metrópoles (@Metropoles) September 9, 2026
A promessa de Boni realmente foi cumprida. Em 1989, Dercy Gonçalves retornou à Globo com um papel na dramaturgia. A atriz deu vida à bem-humorada Baronesa Lenilda Eknésia na novela “Que Rei Sou Eu?”, escrita por Cassiano Gabus Mendes.
Na emissora, ela ainda participou da minissérie “La Mamma” (1990) e da novela “Deus Nos Acuda” (1992). Ainda nos anos 1990, Dercy também marcou presença no “Domingão do Faustão”, com uma participação no quadro “O Jogo da Velha”.
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