Carol Castro falou sobre o diagnóstico de fibromialgia em entrevista à revista Quem. A atriz relembrou os sintomas, o processo até descobrir a doença crônica e o período em que enfrentou o luto pela morte do pai, Luca de Castro.
Carol Castro abriu o coração sobre seu diagnóstico de fibromialgia. Em entrevista à revista Quem, a atriz relembrou a saga até a descoberta e compartilhou as angústias que sentiu durante o processo. Na ocasião, ela estava no ar na novela “Garota do Momento“, da TV Globo, e enfrentava o luto pela morte do pai, Luca de Castro. Hoje, a artista lida com desconfortos físicos todos os dias, mas tenta encarar a doença crônica com leveza.
Os primeiros sintomas foram mascarados pelo cansaço da extensa rotina de gravações como Clarice Alencar, do folhetim das seis exibido de 2024 a 2025.
“Ela já começava sendo atropelada, com a filha roubada, aí perde a memória, começa a ser dopada, vira dona de escola de etiqueta, dondoca, tem problema no coração, coloca outra filha no lugar. Ela foi internada com camisa de força em clínica psiquiátrica, teve crise de abstinência, convulsão e chora, chora. Realmente eu tinha muito desgaste”, relembrou.
Em meio à correria, Carol percebeu que algo não estava bem. No entanto, ela sequer desconfiava que fosse uma doença crônica. “Eu sentia fortes dores de cabeça e falava que era sinusite ou que estava trabalhando muito. Eu também sentia dores no joelho, mas a personagem usava salto alto, então devia ser por isso. Além do mais, eu já estava vivendo um momento pessoal difícil”, contou.

A fase delicada era o luto pela morte do pai, Luca de Castro, que faleceu em dezembro de 2023. “Meu mundo caiu total. Eu nunca tinha perdido ninguém tão próximo assim. Meu pai era meu melhor amigo, confidente, muso inspirador. Sou atriz por causa dele, então foi um baque muito forte”, admitiu.
Quando o pai morreu, Carol estava gravando a série “Jogo Cruzado”, da Disney, onde acabou lesionando o joelho em outubro do mesmo ano. Apesar do momento pessoal, a atriz optou por seguir a agenda de trabalho e ignorou os “avisos” do corpo.
“Estava na minha mão a continuação da série e eu quis continuar. Íamos filmar até antes das festas, pausar e retornar para conclusão em janeiro de 2024. Eram mais de 100 pessoas dependendo de mim e eu pensava nos empregos de todo mundo. Fui passando por cima da minha saúde, trabalhando com fortes dores e tomando remédios e mais remédios”, disse.
“Foi aquela coisa de passar o Natal em luto, mas com filha de férias. Eu não tinha tempo de viver o luto. No dia 8 de janeiro, eu já estava voltando para São Paulo para terminar de filmar. Minha primeira cena era uma chamada de vídeo com o meu pai da série. Obviamente, eu caí no choro e me deram um tempo para me recuperar. Terminei de gravar a série na madrugada do dia 24 de janeiro e no dia 6 de fevereiro, eu finalmente entrava na sala de cirurgia para operar o joelho lesionado em outubro passado”, relembrou.

Carol rompeu o ligamento cruzado anterior e fraturou a tíbia, precisando de intervenção cirúrgica. Durante a recuperação, ela topou o papel em “Garota do Momento”, que havia sido recusado por Débora Nascimento. “Entrei na novela porque não ia perder aquela oportunidade. Eu não era a primeira opção, me chamaram nos 45 do segundo tempo. Quando eu vi o arco dramático da personagem, eu falei: ‘É tudo o que eu sempre quis’. Eu vou, não quero saber”, revelou.
Carol Castro revelou que sente dores todos os dias
Foi durante as gravações que as dores se intensificaram. Preocupada, Carol procurou inicialmente um angiologista, por recomendação da fisioterapeuta que a estava acompanhando na reabilitação do joelho. A atriz foi encaminhada posteriormente à um reumatologista e recebeu o diagnóstico: fibromialgia.
“Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não estou doida”, desabafou. “Foi uma saga, pois eu já tinha feito milhões de exames de sangue, eu estava desde o ano anterior investigando todos os marcadores possíveis de doenças”, complementou.
A fibromialgia é uma doença reumatológica que causa dor crônica generalizada, além de distúrbios do sono, alterações cognitivas e impacto funcional. Em janeiro, ela passou a ser reconhecida como uma condição que pode configurar deficiência.
Atualmente, Carol continua sentindo desconfortos físicos diariamente. “Eu sinto dor 24 horas por dia. Tem dias que é mais, tem dias que é menos”, explicou. A atriz também contou que já recebeu questionamentos sobre se o seu diagnóstico a atrapalharia no trabalho. No entanto, ela defendeu que pode usar sua visibilidade para conscientizar as pessoas sobre a fibromialgia.

“Tem gente que me fala: ‘Cara, você é muito corajosa. Você não tem medo de não te chamarem para trabalhar por causa da fibromialgia?’. E eu acho que não. Eu me sinto muito honrada em poder servir de porta-voz, no meu lugar de artista, de poder informar, transformar, me sinto quase numa missão de ajudar a disseminar informações e ajudar o máximo de pessoas possíveis”, afirmou.
Desde o diagnóstico, Carol tem investido em atividades físicas e cuidados preventivos. “Eu tive algumas crises, nunca cheguei a falar muito sobre isso, e também não é uma regra, mas muitas vezes os sintomas costumam vir acompanhados de ansiedade. É muito mais comum em mulheres. A gente se coloca muito nesse lugar da dor: ‘Eu aguento, eu consigo’”, argumentou.
A atriz também fez questão de destacar a importância do diagnóstico para que o paciente consiga ter qualidade de vida. “Primeiro que você vê que não está doida, você não está louca, realmente existe ali uma situação com o seu cérebro e, então, você vai entendendo que existe um tratamento, que não é uma cura, mas um tratamento. Depois é preciso um momento de parada, de aceitar uma limitação física, lembrando que você não é invencível. Depois que você aceita, você se sente um pouco livre”, finalizou.
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