Rafael Magalhães, irmão de Isabelle Caracristi, afirmou que a estudante estava grávida quando foi encontrada morta em um condomínio de Fortaleza. Segundo ele, a família descobriu a gestação após acessar informações no celular da jovem.
Rafael Magalhães, irmão de Isabelle Caracristi, revelou que a estudante estava grávida quando foi encontrada morta no condomínio onde vivia com o namorado em Fortaleza, no Ceará. Em entrevista ao programa “O Povo”, da rádio CBN, nesta segunda-feira (21), ele ainda afirmou que a família descobriu a gestação após ter acesso a informações no celular da jovem.
“Tivemos a confirmação ontem. Existia essa suspeita. É importante dizer que, até então, a gente não sabia sobre essa questão”, explicou Rafael. O irmão de Isabelle contou que a mãe, Isorlanda Caracristi, sempre desejou ter um neto. No entanto, não deu tempo da jovem contar a notícia nem mesmo para ela.
“Era um desejo muito forte da minha mãe e ela cobrava muito, principalmente de mim que sou o mais velho. Eu brincava falando ‘não quero. Tem a Isabelle, tem o Joel para te dar um neto’. Mas nunca pensei que a gente teria essa confirmação. Foram duas vidas destruídas”, lamentou.
Rafael não soube informar com quantas semanas de gestação a estudante estava ou como ela descobriu a gravidez. “Só tivemos mesmo a informação inicial, a partir de alguns dados de celular”, contou.
Veja o trecho:
Na entrevista, o irmão de Isabelle ainda relatou que sempre percebeu um comportamento controlador por parte do namorado da jovem, João Munhoz Neto. “Enquanto irmão mais velho, eu disse para tomar cuidado, prestar atenção. Mas nunca pensamos, em momento algum, que chegaria em uma situação dessa”, lamentou.
Isabelle, de 22 anos, morava com o namorado, de 33, em um condomínio no bairro de Aldeota, em Fortaleza. Atualmente, João Munhoz está sendo procurado pela Polícia Civil do Estado do Ceará.
Assista à entrevista completa
Perícia indica queda
No dia 13 de setembro, Isabelle Caracristi foi encontrada morta no pátio do condomínio onde vivia com João Munhoz. Neste domingo (20), a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) informou que a jovem apresentava lesões no corpo “compatíveis com o impacto contra o solo”. Os exames toxicológicos também tiveram resultado negativo para substâncias de interesse.
A causa e a dinâmica da morte ainda estão sendo investigadas. Ao g1, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil já colheu o depoimento de quatro pessoas e agendou outras quatro oitivas. As imagens de câmeras de segurança do local também seguem em análise.
A Polícia Civil do Ceará apreendeu o celular e um tablet da mãe do namorado de Isabelle. Os dois não são citados como investigados ou suspeitos, segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública, mas o aparelho será periciado. O celular da estudante também já foi recuperado e será periciado.
Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Diário do Nordeste capturaram a movimentação da jovem no dia do ocorrido. Nas imagens, João aparece deixando o prédio sozinho por volta de 18h32. Cerca de 40 minutos depois, Isabelle entra no elevador e vai ao rooftop, no 23º andar.
Veja as imagens:
🚨 A editoria de Segurança do Diário do Nordeste teve acesso com exclusividade aos vídeos de câmeras de segurança do prédio onde a estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no último dia 13 de setembro. pic.twitter.com/OgQEt7rU7x
— Diário do Nordeste (@diarioonline) September 20, 2026
Desabafo da mãe de Isabelle repercutiu
O caso ganhou repercussão nas redes sociais na última sexta-feira (18), após a mãe da jovem publicar um vídeo cobrando explicações. A professora Isorlanda Caracristi contou que a filha cursava o segundo semestre de Direito, em julho, quando conseguiu um estágio em um escritório de advocacia na cidade. Pouco depois, ela teria anunciado o namoro com João Munhoz Neto, que se apresentava como um dos sócios da empresa.
Segundo Isorlanda, o envolvimento amoroso veio após uma série de investidas durante o trabalho por parte do rapaz, que sempre elogiava o desempenho da estagiária na função. “Até estranhei porque, em pouco tempo assim, já conseguiu avaliar o desempenho… Levou para trabalhar diretamente, tirou ela do setor onde ela estava, levou para o setor dele, onde ele era o gestor”, comentou.

A mãe de Isabelle também contou que chegou a avisar a filha sobre o risco de assédio, já que João era um homem mais velho, de 33 anos, em posição de poder.
Isorlanda só se sentiu mais tranquila com o namoro de Isabelle quando encontrou João em um restaurante. “Depois desse almoço, me senti mais reconfortada, mas mesmo assim, coração de mãe sabe, sente, que não tinha uma coisa normal ali. Era um exagero, uma coisa muito rápida, uma coisa muito acelerada. Coisas que só adolescente tem, e não um homem feito, de 33 anos de idade”, disse.
O sossego, no entanto, não durou muito. A mãe reacendeu o alerta sobre o namoro após descobrir algumas ações questionáveis dentro da relação do advogado com a filha, como quando ele pediu o cartão de crédito de Isabelle para realizar uma cirurgia e prometeu que usaria o nome dela para abrir uma empresa para os dois.
“Eu enlouqueci… Como é que pode um homem de 33 anos, que se diz bem-sucedido… (…) Gente, a mãe dele não vai pagar essa cirurgia, ele não tem cartão, ele não tem um plano de saúde?”, relembrou. Isorlanda também relatou que João mandava muitas mensagens para Isabelle, o que ela entendeu como um comportamento controlador.
No desabafo, Isorlanda reconstituiu os dias anteriores à morte de Isabelle. Segundo a professora, a filha pediu para passar o fim de semana com ela porque estava com dores no pescoço. Juntas, as duas foram ao aniversário de um familiar no dia 12 de setembro. No dia seguinte, a estudante avisou à mãe que iria para uma missa e procissão na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza, com o namorado e a sogra.

Isorlanda perdeu o contato com a filha na mesma noite. A última mensagem enviada por Isabelle teria sido: “Mãe, eu te amo”. Depois disso, ela parou de responder. Na manhã da segunda-feira (14), a professora tentou contato com o genro para saber notícias da filha, mas percebeu algo incomum.
“Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada… Aí eu me desesperei”, detalhou. Sem contato, Isorlanda decidiu ir ao condomínio onde a jovem vivia com João. Foi quando descobriu que a filha tinha morrido.
“Vocês não querem saber o que é isso não, a dor que eu senti. É como se estivesse rasgando todo o meu corpo. (…) Eu dizia para a síndica: ‘não me diga, isso é sonho, isso é sonho, não é verdade’… Aí eu pergunto, meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, até hoje”, questionou.
Veja o relato completo:
Eu tô devastado com o relato dessa mãe contando que a filha morreu após ir à missa com o namorado. Ela ficou sabendo da morte pela síndica do prédio onde ele morava, ninguém da família dele entrou em contato com ela e, até hoje, não tem respostas sobre o que aconteceu pic.twitter.com/uOBomrEdgN
— Matheus (@matheuscaseca) September 19, 2026
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