Áudios e relatos entregues à polícia indicam que Isabelle Caracristi (22) vivia um namoro abusivo e sob monitoramento antes de ser encontrada morta em Fortaleza, segundo o Diário do Nordeste nesta segunda (21). A defesa da família aponta controle excessivo e a polícia investiga a causa da morte.
Relatos enviados à família de Isabelle Caracristi, de 22 anos, levantaram novas suspeitas sobre o relacionamento da estudante com o namorado, João Munhoz Neto. Segundo Patrícia Viana, uma das advogadas que representam a família, áudios e outras informações entregues à polícia apontam que a jovem teria vivido uma relação marcada por controle e monitoramento. As informações foram divulgadas pelo Diário do Nordeste, nesta segunda-feira (13), uma semana após a morte da jovem.
Em um dos relatos, uma testemunha afirma que Isabelle “não tinha praticamente direito de ir ao banheiro” e “que ela não poderia almoçar”.
Isabelle foi encontrada morta no dia 13, em um edifício residencial no bairro Aldeota, em Fortaleza. A causa e as circunstâncias da morte ainda são apuradas pelas autoridades.
Patrícia explicou que a família passou a receber mensagens, áudios e relatos de pessoas que conviviam com Isabelle. O material está sendo encaminhado ao delegado responsável pelo caso para que as informações sejam verificadas. “O que a família tem é que o namoro era um namoro considerado abusivo”, afirmou a advogada.
Entre os elementos levantados pela defesa está a mudança no comportamento da estudante depois que ela começou a se relacionar com o homem e passou a frequentar e morar na residência dele e da família. Segundo Patrícia, Isabelle teria se afastado de amigas, inclusive de pessoas próximas do ambiente de trabalho.
“Era uma menina muito nova, muito cheia de vida, muito alegre e que, a partir do momento em que ela passou a manter esse relacionamento com ele e morar na residência dele com a família, ela passou a mudar o comportamento, inclusive com amigas”, relatou.
Celulares tinham sistemas de localização
A defesa também afirma ter encontrado indícios de que havia mecanismos de localização nos celulares do casal. De acordo com Patrícia, o aparelho de Isabelle teria um rastreador relacionado ao namorado, enquanto o telefone dele também teria um sistema semelhante.
Para a advogada, a existência dos localizadores deve ser analisada junto com o afastamento da jovem de pessoas próximas e os demais relatos recebidos pela família. “Então, a gente faz um paralelo: por que que era um namoro abusivo, por que que ela parou de manter contato com as amigas, principalmente mais próximas, amigas de trabalho, por que que um mantinha no celular do outro um localizador, um rastreador e a família também não tinha, não sabia dessa informação ainda?”, questionou.

Apesar dos relatos, Patrícia ressaltou que a defesa não aponta, neste momento, o namorado como responsável pela morte de Isabelle. Segundo ela, ainda não é possível determinar se a jovem morreu por suicídio ou se houve participação de outra pessoa. “Não pode afirmar que ele (o namorado de Isabelle) realmente foi a pessoa que fez com que ela cometesse um suicídio ou que tenha sido, na verdade, um homicídio”, afirmou.
A advogada também disse que a família considera estranho o fato de os parentes do namorado, com quem Isabelle vivia, não terem procurado os Caracristi imediatamente após a morte. “Se ela morava com a família, com a mãe e o irmão, por que que a família não ligou imediatamente para a família (Caracristi), para informar, para dar o pesar? Então, isso a gente não tem a resposta ainda”, declarou.
Imagens ajudam a esclarecer os últimos momentos
Enquanto a defesa reúne relatos, a investigação também avança com a análise de imagens de segurança. Segundo o Diário do Nordeste, gravações mostram que o namorado e a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz, não estavam no prédio no momento em que a estudante morreu.
Os três — o namorado, a mãe e o irmão dele — moravam no apartamento onde Isabelle estava antes de ser encontrada morta. Até então, a defesa dizia não ter informações sobre o paradeiro deles.
⚠️🚨🎥 CRONOLOGIA DA TRAGÉDIA: câmeras mostram os últimos passos de Isabelle antes da queda fatal. Imagens do Residencial La Piazza revelam que o namorado deixou o prédio 42 minutos antes de Isabelle subir sozinha ao rooftop — e só retornou 2h depois da queda. pic.twitter.com/14ZFoqkt85
— BlogMarinaDiMoraes (@BlogMarinaDM) September 20, 2026
Patrícia afirmou ao jornal que ainda não havia tido acesso às imagens, mas esperava consultar o inquérito a partir desta segunda-feira (21). Segundo ela, o namorado da estudante ainda não havia constituído advogado nem procurado a família de Isabelle.
Perícias e exames complementares seguem sendo realizados para determinar a causa da morte. A expectativa é que o inquérito seja concluído em até 90 dias. “A gente não está querendo incriminar ninguém que não seja realmente um culpado, mas se existir um culpado nessa história, a gente vai até o final para que essa pessoa responda pelos seus atos”, afirmou Patrícia.
Mãe já havia relatado comportamento controlador
Antes dos novos relatos apresentados pela defesa, a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, também havia falado publicamente sobre o relacionamento da filha. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a professora descreveu o namorado como “extremamente controlador, fora do normal e obsessivo”.
Isorlanda contou que chegou a perceber o comportamento dele durante uma consulta ginecológica de Isabelle. Segundo ela, o homem tentou entrar na sala junto com a estudante, o que chamou sua atenção. “Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: ‘É o marido dela?’. Eu disse: ‘Não. Ele é só um recém-namorado’. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco”, relatou.
Segundo Isorlanda, Isabelle passava muitos dias na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. O homem seria dez anos mais velho que a estudante e, conforme o relato da mãe, dizia ser um dos sócios da empresa e ter ficado “encantado” com Isabelle.
Gravidez
O irmão de Isabelle Caracristi afirmou nesta segunda-feira (21) que a jovem estava grávida quando morreu. Segundo Rafael Magalhães, em entrevista à rádio CBN, a família descobriu a gestação por informações encontradas no celular de Isabelle.
Veja:
💣💣💣CASO ISABELLE CARACRISTI! RAFAEL CARACRISTI CONFIRMOU HOJE,21, DURANTE ENTREVISTA À CBN QUE SUA IRMÃ, ISABELLE, ESTAVA GRÁVIDA.
Rafael Caracristi informou que sua irmã Isabelle estava grávida quando foi encontrada morta no domingo,13, no pátio de um edifício da Aldeota, em… pic.twitter.com/9mnDVRp9gb— Donizete Arruda (@donizetearruda7) September 21, 2026
Ainda não há confirmação sobre o tempo de gravidez. O namorado da jovem está sendo procurado pela Polícia Civil do Ceará.
Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias
