A Polícia Civil apura medidas tomadas no apartamento onde Isabelle Caracristi vivia com o namorado após a morte da estudante, em Fortaleza. O imóvel foi limpo e colocado à venda nos dias seguintes, e investigadores analisam uma possível fraude processual.
A Polícia Civil do Ceará investiga medidas tomadas no apartamento onde Isabelle Caracristi, de 22 anos, vivia com o namorado, João Munhoz Neto, após a morte da estudante, em Fortaleza. Segundo informações obtidas pelo Diário do Nordeste, a partir de depoimentos colhidos durante a investigação, o imóvel foi limpo no dia seguinte à morte da jovem e colocado à venda dois dias depois. As autoridades apuram se houve uma tentativa de ocultar ou eliminar possíveis provas.
Isabelle morreu em 13 de setembro, após cair do 23º andar do Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota. De acordo com a apuração do jornal, no dia 14, uma diarista foi chamada para realizar uma limpeza no apartamento. Já no dia 15, o irmão de João teria ido ao edifício acompanhado de um corretor de imóveis, e uma placa de “vende-se” foi instalada no local.
As movimentações chamaram a atenção dos investigadores, que passaram a apurar uma possível fraude processual. Conforme o jornal, a investigação considera a possibilidade de “supressão, ocultação ou destruição de provas”, especialmente diante das informações sobre a desocupação do apartamento, a retirada de objetos e a dificuldade para localizar os investigados.
Ainda segundo o veículo, João teria deixado o apartamento com malas poucas horas após a morte de Isabelle. Ao retornar ao condomínio naquela noite, ele também teria pedido ajuda ao zelador para procurar o celular da namorada. Lixeiras das áreas comuns chegaram a ser reviradas durante a busca. O aparelho da estudante foi posteriormente entregue à Polícia Civil e deve passar por perícia.

Outro ponto apurado pelo jornal é que João teria orientado o administrador do condomínio a não permitir a entrada de familiares de Isabelle caso eles fossem até o prédio. O Ministério Público do Ceará (MPCE) chegou a solicitar à Justiça autorização para que policiais arrombassem o apartamento, mas a medida não chegou a ser executada. Ao conversar com o zelador após a morte, João também teria falado sobre a namorada e afirmado que ela lhe devia dinheiro.
A investigação também analisa mensagens e áudios enviados por Isabelle antes da morte. Cerca de uma hora antes da queda, a universitária pediu a um familiar que preservasse uma gravação. “Não apague este áudio, me responde”, escreveu. Em outra mensagem, afirmou: “Qualquer coisa que venha a acontecer comigo, este áudio é uma prova. João Munhoz é um doente, não acredite nele”.
O inquérito foi instaurado em 16 de setembro. Os relatos enviados pela estudante mencionavam ciúmes, controle e supostas ameaças atribuídas ao namorado. Em uma conversa anterior com o mesmo familiar, Isabelle teria afirmado que não conseguia mais lidar com a relação. “Depois desse, não quero ninguém. Quero ficar sozinha. Não suporto mais o João”, teria dito.
A defesa de João informou ao Diário do Nordeste que ele prestou depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na noite de segunda-feira (21) e entregou seu celular aos investigadores. Nesta terça-feira (22), ele foi preso preventivamente em Fortaleza. A investigação sobre a morte de Isabelle e as circunstâncias envolvendo o apartamento segue em andamento.
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