O compositor Beto Caju explicou por que Joelma alterou um trecho de “Príncipe Encantado”. A cantora apresentou a nova versão aos autores antes de voltar a cantar a música, que ganhou repercussão após parceria com Rey Vaqueiro.
Beto Caju revelou que Joelma pediu autorização para mudar um trecho de “Príncipe Encantado”, música que ele compôs com Marquinhos Maraial em 2002. Em entrevista ao colunista Kadu Brandão, do portal Ibahia, o compositor disse que a cantora retirou da letra referências à “mesa de quijá” e às cartas de baralho por uma questão religiosa.
O músico explicou que a artista apresentou a nova versão aos autores antes de passar a cantá-la. Segundo ele, a mudança foi feita pela própria cantora, que “não se sentia mais confortável” com as referências da versão original.
“Na verdade, não fomos eu e Marquinhos que modificamos a letra. Foi a própria Joelma que fez a alteração. Por uma questão da fé dela e do momento que vive hoje, ela não se sentia mais confortável cantando aquelas referências da versão original. Então, ela modificou aquele trecho, apresentou a nova versão para mim e para Marquinhos Maraial e pediu a nossa aprovação como autores. Nós aprovamos e respeitamos totalmente a decisão dela”, disse Beto Caju.
A mudança voltou a repercutir após Joelma regravar “Príncipe Encantado” com Rey Vaqueiro. A música voltou a viralizar 24 anos depois de ter sido criada. Durante a apresentação, a artista tentou fazer o público cantar a versão modificada, mas os fãs não teriam acompanhado. “Tentando desvendar os seus mistérios, quem sabe um sonho possa me mostrar. Mesmo que meu coração fique em pedaços”, cantou ela. Apesar da parceria com o cantor de Piseiro, essa não é a primeira vez que a cantora alterou o trecho da canção. A mudança havia sido feita há anos.
Assista:
o feat é real! 🔥🎶 Rey Vaqueiro e Joelma gravaram uma versão de “Príncipe Encantado” em Belém do Pará e surpreenderam os fãs com a parceria. https://t.co/aXE4HuAPhh
— Sua Música (@suamusica) October 1, 2026
Já a letra original diz: “Tentando desvendar os seus mistérios, um copo sobre a mesa de quijá. Bola de cristal e cartas de baralho… Só pra ver, a luz dos teus olhos a me procurar”.
Relembre:
De acordo com o jornalista, Rey Vaqueiro manteve a letra original do hit. Já Joelma substituiu o trecho que fazia referência à “mesa de quijá” e às cartas. Evangélica, a relação da cantora com a religião já era conhecida desde sua passagem pela Banda Calypso.
Para Beto, a decisão de Joelma permitiu que ela continuasse cantando a composição sem “entrar em conflito” com sua fé: “Eu respeito muito a Joelma, a história dela e a fé de cada pessoa. Ela encontrou uma maneira de continuar cantando a música sem entrar em conflito com aquilo em que acredita hoje, e para nós estava tudo certo. Até porque ‘Príncipe Encantado’ nunca foi uma música sobre religião ou qualquer tipo de crença. Aquilo era apenas um elemento dentro da história de uma mulher apaixonada, querendo descobrir se o homem que amava ainda pensava nela”.
A música nasceu em 2002, durante uma passagem de Beto por Porto de Galinhas (BA). A melodia havia sido gravada por Marquinhos Maraial em uma fita cassete, que serviu como ponto de partida para o compositor escrever a letra. Já os elementos da cena, como o copo na mesa, a bola de cristal, as cartas e a foto 3×4, foram inspirados em um filme que Beto havia assistido.
A expressão “mesa de quijá” surgiu por um erro de interpretação. O compositor leu a palavra “Ouija”, nome associado ao tabuleiro usado em práticas de comunicação com espíritos, e entendeu que se tratava de “quijá”: “Vi escrito ‘OUIJA’ e, na minha cabeça, interpretei aquilo como ‘quijá’ […] Quijá pode não estar no dicionário, mas está na história de ‘Príncipe Encantado’”.

Por fim, o músico também falou a respeito da possibilidade de a nova versão gerar dinheiro em direitos autorais. Ele, porém, garantiu que ainda não é possível calcular quanto a viralização representa financeiramente.
“Toda vez que uma música volta a ser executada, ouvida, gravada e ganha força nas plataformas, naturalmente existe a possibilidade de gerar novos direitos autorais. Mas ainda é cedo para transformar essa viralização especificamente em números e dizer: ‘Entrou tanto por causa disso’. Direito autoral tem todo um caminho de arrecadação e distribuição. O que posso dizer é que, para o compositor, ver uma obra antiga voltar a ter esse consumo é maravilhoso artisticamente e também pode representar uma nova vida comercial para a música. Eu sempre digo: música boa é patrimônio. Às vezes ela dorme, mas não morre”, concluiu.
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