O parque Hopi Hari, localizado em Vinhedo, foi acusado pela defesa de Júlia Bossoni de omitir imagens relevantes da investigação sobre o acidente na Montezum. A empresa contestou a acusação e também anunciou o custeamento do tratamento da jovem.
O parque de diversões Hopi Hari, localizado em Vinhedo, no interior de São Paulo, foi acusado de omitir a existência de imagens consideradas relevantes para a investigação do caso de Júlia Bossoni. A jovem, de 28 anos, sofreu traumatismo cranioencefálico durante um passeio na montanha-russa Montezum, e enfrenta sequelas físicas e neurológicas.
De acordo com o portal Metrópoles, que teve acesso ao inquérito, a defesa de Júlia, representada pela advogada Luana Bossoni, disse que a empresa teria negado os registros da descida do brinquedo, momento que teria provocado o traumatismo e feito a vítima convulsionar no local.
Conforme a advogada, foi encontrada uma câmera terceirizada no parque, que filma o exato trajeto da Montezum. Essas imagens não teriam sido disponibilizadas à polícia. Ainda segundo Luana, a empresa apresentou apenas as imagens que mostram os trechos anteriores e posteriores ao percurso.
Como justificativa, o Hopi Hari falou que “a atração não possui câmeras no percurso após a primeira descida, apenas nos trechos apresentados“. A defesa, por sua vez, contestou a informação, já que a montanha-russa é conhecida por comercializar fotografias dos passageiros durante o trajeto.

A advogada também mencionou o mapa oficial do parque, que indica o local “Montezum Shopi”, destinado à comercialização de lembranças e fotografias realizadas na atração. Para Luana, a não apresentação das imagens e da existência de uma câmera pode indicar uma tentativa de omitir provas.
Em nota ao Metrópoles, o Hopi Hari afirmou que as câmeras foram apresentadas em ação judicial e que as fotos são produzidas por uma empresa terceirizada em pontos específicos. “As imagens das câmeras do parque foram devidamente apresentadas em ação de produção antecipada de provas ajuizada pela família de Julia, tanto que foram exibidas pela imprensa“, informou.
Custos do tratamento
A empresa também declarou ao portal que custeará as despesas do tratamento de Júlia. A decisão vem após a família apontar que o parque deixou de pagar os gastos hospitalares assim que a jovem recebeu alta. Segundo a defesa, o Hopi Hari custeou somente a alimentação e hospedagem enquanto todos estavam em Vinhedo. Após o retorno de Júlia para Londrina, no Paraná, o pagamento foi cortado e os familiares precisaram arcar com os valores do tratamento, que superaram o montante de R$ 70 mil.
A advogada também afirmou que mesmo internada em Vinhedo, Júlia não teve amparo da empresa, pois utilizava seu plano de saúde. Diante das declarações, o Hopi Hari assumiu o pagamento de todas as despesas em cuidados essenciais. “Após conversas com os familiares, o parque identificou uma lacuna, entre a saída do hospital em Vinhedo e o início da fase de recuperação em sua cidade natal. Em função disso, a direção do Hopi Hari irá custear as despesas de Júlia em seus cuidados essenciais. O pagamento será retroativo à data de alta do hospital em Vinhedo“, salientou.
“Em relação ao processo referente ao pagamento de indenização à família, a questão segue os trâmites naturais. Vale lembrar que, até o último dia de permanência de Julia e seus familiares em Vinhedo, todas as despesas de hospedagem, alimentação e custos para o suporte necessário à Júlia durante a internação foram honrados. O Hopi Hari prestou atendimento imediato após o episódio, realizou os primeiros socorros no ambulatório do parque e providenciou seu encaminhamento à Santa Casa de Vinhedo. A direção acompanhou o atendimento e manteve contato com a família durante o período de permanência da visitante em Vinhedo“, finalizou o parque.

Entenda o caso
O caso de Júlia Bossoni foi esmiuçado pelo “Fantástico” deste domingo (20). A jovem e o marido, João Pedro Bossoni, viajaram de Londrina, para visitar o Hopi Hari em abril. Segundo a reportagem, eles foram à Montezum duas vezes no mesmo dia. Na primeira, não houve intercorrências. Após receberem um acesso promocional, os dois decidiram voltar à atração.
No momento do embarque, o casal chega a gravar um vídeo, mostrando os rostos “apreensivos”. Câmeras registraram o segundo trajeto, com Júlia aparecendo consciente durante a subida. Não há imagens do restante do percurso. Dois minutos depois, os dois retornam à plataforma e a jovem aparece em convulsão, já desacordada.
Funcionários prestaram atendimento e, seis minutos depois, Júlia foi retirada da atração em uma maca. Ela foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde deu entrada diretamente na UTI. Os primeiros exames apontaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Diante da gravidade do quadro, a jovem precisou passar por uma cirurgia de emergência.
Júlia recebeu o diagnóstico de traumatismo cranioencefálico (TCE) e permaneceu 57 dias internada em Vinhedo. Segundo laudo médico citado na reportagem, o trauma teria ocorrido por um mecanismo de contragolpe durante o passeio. Após o ocorrido, a família entrou na Justiça para pedir uma perícia que esclareça as circunstâncias do episódio.
Cinco meses depois, a jovem segue em processo de reabilitação e já passou por sete cirurgias. O acidente é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
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