O diretor Alejandro G. Iñárritu comentou a recepção de “Digger”, filme estrelado por Tom Cruise, e afirmou não se incomodar com as críticas. Em entrevista ao The New York Times, ele defendeu os riscos da produção e falou sobre a proposta do longa.
O diretor Alejandro G. Iñárritu falou sobre as críticas em torno de seu novo filme “Digger”, protagonizado por Tom Cruise. Em entrevista ao The New York Times, divulgada nesta segunda-feira (5), ele admitiu que o longa “não é perfeito”, porém, garantiu que prefere a polarização a uma reação mediana.
A produção chegou aos cinemas na semana passada e não conseguiu agradar parte do público, tampouco os críticos. No Rotten Tomatoes, “Digger” aparece com apenas 51% de aprovação da crítica, e 71% do público. No Metacritic, a diferença foi similar: 46% dos críticos e 66% dos usuários.
Embora tenha tido uma recepção razoável entre os espectadores, o filme arrecadou apenas US$ 8 milhões em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos, a menor abertura nacional do astro de Hollywood desde “Leões e Cordeiros”, em 2007. Estima-se que o longa possa gerar um prejuízo de até US$ 200 milhões para a Warner Bros. Pictures.
Iñárritu, por sua vez, não se mostrou incomodado. “Prefiro isso a uma recepção morna. O filme não é perfeito. Gosto de assumir riscos“, declarou. A ideia para “Digger” veio após ele filmar o vencedor do Oscar, “O Regresso”, em 2015. O longa está em gestação desde 2017, com quatro co-roteiristas. “Foi cancelado três vezes. Perdi três anos da minha vida“, desabafou.

O diretor também afirmou que não se preocupa com o fato de as pessoas não entenderem bem a proposta do filme. “Eu acho que é, sem dúvidas, um filme incomum. É um filme provocativo. Para mim, esse é o papel do cinema: iniciar uma conversa. Meu gosto pessoal recai sobre filmes que tentam me dizer algo de uma maneira diferente“, explicou.
“Há pessoas que buscam mais certezas na narrativa, e tudo bem também. Um filme não é como um sorvete. Então, sim, para ser sincero, nós já esperávamos por isso“, revelou.
“Digger” acompanha Digger Rockwell (Cruise), considerado o “homem mais poderoso do mundo”. Ele é dono de uma empresa responsável por um desastre ambiental de proporções globais, o que o leva a uma missão intensa para reparar os danos que ele mesmo desencadeou e provar que é o “salvador da humanidade”.
Iñárritu também explicou o que a produção representa nos dias de hoje. “Este filme é um filme de desastre, mas o desastre somos nós. O mundo é tão belo e tão incrível. Há tantos recursos, e o equilíbrio do ecossistema é simplesmente absurdamente belo. Se pudermos nos reunir na mesma sala, na mesma realidade, e entender em que ponto da narrativa nos encontramos, acho que isso traz esperança“, refletiu.
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