Robert Kraft, dono do Gillette Stadium e do New England Patriots, se pronunciou sobre a saída de Macklemore da turnê de Ed Sheeran. O empresário explicou a decisão e reagiu aos discursos pró-Palestina do rapper considerados “ofensivos” à comunidade judaica.
O rapper Macklemore teria sido retirado da programação dos shows de Ed Sheeran no Gillette Stadium, em Massachusetts, após uma decisão de Robert Kraft, proprietário do estádio e do New England Patriots. Já nesta segunda-feira (14), em nota à ESPN, Kraft argumentou que a participação do artista nas apresentações marcadas para 25 e 26 de setembro ultrapassaria os limites estabelecidos pelo local em relação a discursos de ódio.
Em comunicado, o empresário afirmou que a medida levou em consideração declarações recentes feitas por Macklemore durante as apresentações em Nova Jersey, além de outros episódios que, segundo ele, teriam sido ofensivos à comunidade judaica.
“Com base nas ações recentes de Macklemore, no material compartilhado do palco durante os shows de Ed Sheeran em Nova Jersey e em um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que acreditamos ter sido profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica, determinamos que sua participação nos shows de 25 e 26 de setembro no Gillette Stadium cruzaria essa linha”, declarou.
O episódio ocorre após Macklemore se posicionar publicamente sobre a guerra entre Israel e Hamas durante os shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro. O artista defendeu a liberdade do povo palestino e apresentou “Hind’s Hall”, música de protesto na qual critica a atuação de Israel na região e faz referência à acusação de genocídio.
Veja:
Before a massive crowd at Ed Sheeran’s New Jersey concert, Macklemore stood in solidarity with Gaza:
“Free Palestine. You are not forgotten.” pic.twitter.com/GROfUE4weL
— Adi Alardah (@alardah91) September 7, 2026
Ainda ontem, Macklemore relatou nas redes sociais que recebeu de Sheeran a informação de que Kraft não permitiria sua apresentação no Gillette Stadium. Conforme o rapper, a voz de “Shape of You” também teria contado que o empresário mobilizou outros proprietários de estádios para tomar uma decisão semelhante. Diante disso, foi anunciada a saída de Macklemore da “Loop Tour”.
A decisão de Kraft, de 85 anos, também foi acompanhada de uma ressalva. Judeu e fundador de uma organização dedicada ao combate ao antissemitismo, ele justificou que sua posição não significa ignorar o sofrimento da população palestina: “Isso não tem a ver com diminuir o sofrimento de palestinos inocentes ou negar a ninguém o direito de defender a causa deles. A dor e a perda são reais”.
Ao explicar seu posicionamento, Kraft criticou o que considera uma abordagem parcial sobre o conflito e destacou a responsabilidade do Hamas, classificado pelos Estados Unidos e por outros países como organização terrorista. “Concordo com Macklemore. Muitas vidas foram perdidas e houve sofrimento demais, mas compartilhar apenas informações seletivas e ignorar as ações do Hamas não é honesto e apenas alimenta mais divisão e ódio”, declarou.
O empresário salientou que apoia o povo palestino e que já destinou recursos e criou oportunidades esportivas e empresariais para a população ao longo das últimas décadas. “Estar ao lado do povo palestino e se posicionar contra o Hamas, o antissemitismo e o ódio não deveriam ser coisas incompatíveis”, observou.

Macklemore, por sua vez, já havia respondido às críticas durante sua passagem por Nova Jersey. Na ocasião, o rapper afirmou que suas manifestações contra as ações de Israel não eram direcionadas à população judaica. “Para todos os meus irmãos e irmãs judeus, criticar Israel, criticar o apartheid e ser contra o genocídio não significa, de forma alguma, criticar vocês. Esta mensagem é pela paz, pelo amor e para que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade”, declarou.
Kraft criou, em 2019, a “Foundation to Combat Antisemitism” (“Fundação para Combater o Antissemitismo”, em tradução livre), posteriormente rebatizada de “Blue Square Alliance Against Hate” (“Aliança Quadrado Azul Contra o Ódio”, traduzido). Ao comentar a retirada do rapper dos shows, ele afirmou que considera ter responsabilidade de se manifestar quando acredita que determinado limite foi ultrapassado.
“Grande parte do meu tempo e atenção na última década foi dedicada à luta contra o antissemitismo e o ódio de todos os tipos, e sinto a responsabilidade de me posicionar quando acredito que essa linha foi ultrapassada”, pontuou.
Apesar da decisão, Kraft disse respeitar Ed Sheeran e manifestou interesse em conversar diretamente com Macklemore. “Tenho enorme respeito por Ed e por sua música, especialmente por sua capacidade única de unir as pessoas e espalhar alegria. Eu receberia de braços abertos a oportunidade de me sentar com Macklemore e discutir os fatos, porque, no fim das contas, nosso objetivo é o mesmo: paz para todos, fim do sofrimento e fim de todo tipo de ódio”, completou.
Promotora alerta para impacto na turnê
A Messina Touring Group, responsável pela promoção da turnê, confirmou à revista Rolling Stone que recebeu notificações de estádios informando que Macklemore não poderia fazer parte da programação.
Segundo a The Associated Press, a situação poderia afetar a realização de outras apresentações. “Eles não permitirão que um show aconteça com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs”, explicou a promotora.
A turnê de Ed Sheeran tem apresentações previstas em grandes estádios dos Estados Unidos, incluindo o Lincoln Financial Field, na Filadélfia; Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta; Lucas Oil Stadium, em Indianápolis; Bank of America Stadium, em Charlotte; AT&T Stadium, em Arlington; e Raymond James Stadium, em Tampa.
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