O “Fantástico” revelou as últimas mensagens de Isabelle Caracristi e detalhes da investigação sobre o namorado, João Munhoz Neto. Imagens dele com a ex-esposa ainda foram divulgadas pelo jornalístico.
O “Fantástico” deste domingo (27) divulgou as últimas mensagens enviadas por Isabelle Caracristi, antes de ela morrer no prédio onde morava com o namorado, João Munhoz Neto, em Fortaleza, no Ceará. Em áudios e textos enviados a familiares e amigas, a jovem, de 22 anos, relatou ameaças e controle do companheiro. Imagens ainda revelaram que João esteve com a ex-esposa antes de retornar ao edifício.
Minutos antes de falecer, a estudante de direito enviou um áudio a um primo sobre o que vinha sentindo no relacionamento. “Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu? Que eu simplesmente não estou suportando mais“, disse Isabelle.
O áudio foi recuperado pela polícia do celular da jovem, encontrado junto ao corpo dela. Na mesma mensagem, a estudante pediu ao primo que desse “muita força” para a mãe, porque ela iria precisar. Ao jornalístico, o primo contou que era acostumado a ouvir as reclamações de Isabelle sobre o namoro. Ele chegou a ligar para ela após ouvir parte da mensagem, mas não teve resposta. “Eu mandei uma mensagem escrito: ‘Oi’. Ela também não visualizou nem nada“, descreveu.
De acordo com a investigação, do momento em que subiu para a cobertura, às 19h12, até o horário estimado da queda, às 20h40, a jovem passou a maior parte do tempo enviando mensagens, inclusive para amigas e a mãe. “Tudo que eu faço é ameaça, ameaça, tudo, absolutamente tudo. Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinha, porque se ele não estiver junto, ele fica supondo coisas. Eu não posso postar foto, porque ele acha ruim, enfim, vários fatores de uma pessoa doente, sabe?“, contou Isabelle.

Em outros áudios, ela afirmou que o namorado a proibia de sair do próprio prédio e que chegava a ficar na porta para impedir a passagem dela. “Eu não estou legal. Eu estou passando muito, muito mal. Eu até mandei um áudio para o meu primo e para algumas pessoas da família, porque simplesmente esse João é um louco, é um louco“, declarou. “Estava me proibindo até de sair do prédio. Ele ficava no meio da porta, me proibindo de sair, e eu simplesmente não aguento mais. Eu estou cansada. Hoje foi a gota d’água“, acrescentou.
O “Fantástico” também obteve acesso ao depoimento da síndica do prédio em que o casal morava. Ela afirmou que, no dia seguinte à morte da universitária, João pediu ao porteiro para ver se o celular de Isabelle estaria nas lixeiras. A síndica disse que João proibiu a família de Isabelle de entrar no edifício. Na mesma tarde, a mãe e o tio da jovem foram ao local e descobriram sobre a morte da jovem. Antes de morrer, Isabelle mandou um texto se despedindo do irmão e da mãe. A jovem pediu perdão, disse que foi vencida pelo medo e que os amava. Ela pediu ainda que o irmão protegesse a mãe e que fosse forte.
Ouça os áudios:
Isabelle foi encontrada morta no prédio onde morava com o namorado, em Fortaleza, no dia 13 de setembro. João Munhoz está preso.
Com exclusividade, o #Fantástico teve acesso às últimas mensagens de Isabelle. pic.twitter.com/T6Iqr6hVk0
— Fantástico (@showdavida) September 28, 2026
Movimentação financeira
O celular de Isabelle também tinha conversas dela com João no dia do falecimento. Em uma delas, ele cobra R$ 13,5 mil e diz que também precisa do dinheiro da mãe até quarta-feira. A estudante diz que teve gastos durante a semana, e ele responde que os dois estão em um “beco sem saída” e que precisam do dinheiro.
Ao jornalístico, Patrícia Viana, advogada da família de Isabelle, confirmou o empréstimo, mas disse que a postura de João mudou após a atitude. “Nesse ato desse empréstimo, ele transforma a generosidade com outros pedidos: ‘Eu confio em você, me passa a localização. Eu te dei dinheiro. Por que você não me desbloqueia?’. Ela mostrava um cansaço absoluto“, afirmou.

Em depoimentos à Polícia Civil, João relatou que tinha emprestado pouco mais de R$ 14 mil a Isabelle, e que a mãe dele também tinha emprestado outros R$ 7 mil. Ele negou ameaças e agressões, salientando que a única cobrança mais firme aconteceu quando venceu o prazo da devolução.
João foi preso preventivamente na terça-feira (22) e é investigado por possíveis crimes de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, violência psicológica e obstrução da Justiça. No dia seguinte à morte de Isabelle, ele mandou limpar o apartamento, retirou alguns objetos e colocou o imóvel à venda.
Encontro com a ex
O jornalístico ainda divulgou imagens que mostram João saindo da igreja com a ex-esposa, na noite do falecimento de Isabelle. A advogada dele confirmou que ele é casado no papel com outra mulher, porém, alegou que ele já estaria separado. Conforme a defesa da família de Isabelle, a jovem questionou o casamento mais de uma vez, mas o namorado negou manter contato com a ex.
João e a ex-esposa comeram um lanche em uma praça e, quando João recebeu a notícia da morte de Isabelle, pediu um carro de aplicativo até a rodoviária no mesmo bairro. No local, ele entrou sozinho no automóvel do irmão, de onde vai para o prédio onde morava com a estudante. “O que nós buscamos ainda é comprovar o horário exato em que ele toma conhecimento da queda da Isabelle“, disse o delegado Márcio Gutiérrez. “A gente está analisando o celular dele, são mais de 400 mil mensagens dentro daquele telefone, e-mails, informações de localização“, compartilhou.

Até o momento, 25 pessoas foram ouvidas pela Polícia. “A violência psicológica está ali presente nos indícios que nós tínhamos e temos até hoje, no momento, nessa relação de controle, relação de limitação“, afirmou o delegado. A defesa de João negou todas as acusações de controle e abuso psicológico, garantiu que a relação era muito recente e que Isabelle ia e vinha quando queria para o apartamento dele.
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu que a queda foi uma precipitação voluntária, ou seja, não houve indícios de que Isabelle tenha sido empurrada. Pela altura do parapeito, também foi descartada a hipótese de queda acidental. Wellison da Silva Tavares, coordenador da perícia técnica, informou que a extremidade da laje técnica do edifício está alinhada com a posição onde houve o impacto da queda. Ele explicou que a jovem teria caído mais longe se outra pessoa tivesse provocado a queda. Ao menos 700 vídeos de câmeras do prédio estão sendo analisadas pela polícia, mas não há câmeras no terraço e nem nas escadas.
Assista à reportagem completa:
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