A Secretaria de Patrimônio da União suspendeu os registros de quatro imóveis de Willer Tomaz em Angra dos Reis, incluindo a propriedade disputada judicialmente com Richarlison. A medida busca impedir transferências enquanto o órgão investiga possíveis irregularidades nas autorizações de ocupação dos terrenos na região.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, suspendeu os registros de quatro imóveis do advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Um deles é justamente a propriedade que virou alvo de uma disputa judicial com o jogador Richarlison, atacante do Tottenham. As informações foram divulgadas pelo g1 nesta sexta-feira (6).
De acordo com a publicação, a decisão atende a uma representação administrativa da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Segundo a SPU, a medida busca impedir possíveis transferências de posse dos terrenos enquanto o órgão investiga irregularidades no processo que autorizou Willer a ocupar as áreas. Em nota, a secretaria explicou que “a suspensão temporária visa restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas”.
Um dos pontos sob investigação envolve a autorização para a transferência dos direitos de ocupação ao advogado. Segundo os registros analisados, o procedimento teria ocorrido sem a verificação da regularidade das obrigações do ocupante perante a União.
Outro detalhe que chamou a atenção das autoridades foi a rapidez da tramitação. A solicitação para ocupar o terreno teria sido apresentada às 11h33 do dia 11 de julho de 2022 e recebeu autorização às 13h13 da mesma data, menos de duas horas depois.
Willer Tomaz é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suspeitas de lavagem de dinheiro. A investigação apura uma possível relação entre os dois no contexto de movimentações financeiras sob suspeita.
Outros imóveis de Willer Tomaz em Angra dos Reis
Além das quatro propriedades cujos registros foram suspensos, um levantamento realizado pelo g1 nos sistemas da SPU e em registros de cartório apontou que empresas ligadas a Willer Tomaz possuem outras casas em ilhas de Angra dos Reis. Ao todo, o advogado tem outras cinco casas na região, além do imóvel que virou alvo da disputa com Richarlison. Com exceção de uma delas, as propriedades foram adquiridas entre 2021 e 2022.
No período, Flávio Bolsonaro apresentou ao Senado Federal um projeto de lei para estimular empreendimentos em Angra dos Reis, com a proposta de permitir a municipalização de unidades de conservação federais e estaduais. O senador também foi relator da chamada PEC das Praias, que propõe permitir a privatização de ilhas marítimas pertencentes à União. Os dois projetos seguem em tramitação.
Os planos para a Costa Verde do Rio de Janeiro, inclusive, vêm desde o governo de Jair Bolsonaro. Em maio de 2019, o então presidente declarou que queria transformar Angra em “uma nova Cancún”.
Entre os imóveis identificados estão quatro terrenos na Ilha Comprida, com áreas de 175,2 mil m², 32,8 mil m², 181,8 mil m² e 2,1 mil m². Eles foram adquiridos pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens, entre setembro de 2021 e julho de 2022. Os valores patrimoniais registrados são de R$ 5,7 milhões, R$ 2,1 milhões, R$ 6 milhões e R$ 2,9 milhões, respectivamente.

O último corresponde à propriedade disputada com Richarlison. Já na Ilha do José André, a empresa Friponor Brasil Turismo, Empreendimentos e Participações adquiriu, em 2008, um terreno de 57,3 mil m², com valor patrimonial registrado de R$ 23,7 milhões. Tomaz também possui cotas de uma sexta casa em Angra dos Reis, na Ilha do Jorge. O imóvel está registrado em nome da Real Estate Duo 4, empresa pertencente ao grupo Prime You.
Entenda a disputa com Richarlison
A polêmica envolvendo o jogador começou em 2020, quando Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões na compra de uma mansão em Angra dos Reis, por meio de uma empresa da qual é sócio. Segundo o atacante, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na propriedade, mas ele se recusou a vendê-la. O jogador acusa o senador de se aliar ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, para retirar dele os direitos sobre o imóvel.

O senador nega envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e apareça como testemunha no processo judicial que discute a posse da casa. Willer Tomaz, por sua vez, afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação da ilha e de um imóvel no local. Em nota, o advogado alegou que Richarlison negociou com posseiros que não eram os legítimos proprietários. Ele também sustentou que a empresa ligada ao jogador sofreu derrotas na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O caso ganhou ainda mais repercussão durante o período eleitoral, quando Richarlison acusou Flávio Bolsonaro de envolvimento na disputa por conta de sua amizade com Willer Tomaz.
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