A 28ª Bienal do Livro de São Paulo foi palco de uma ação com um homem mascarado no estande da Editora Fruto Proibido, conhecida por publicar dark romance. O episódio viralizou nas redes sociais e gerou críticas ao evento e à editora, que se manifestaram. A organização afirmou que não era oficial.
A 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo se tornou palco de uma polêmica nas redes sociais. Em vídeos que circulam online, um homem mascarado aparece beijando uma jovem no estande da Editora Fruto Proibido, conhecida por publicar livros do gênero dark romance. Após a repercussão, tanto o evento quanto a editora foram alvo de críticas e se manifestaram publicamente.
Nas imagens, o rapaz aparece usando uma máscara do vilão Ghostface, conhecido pela franquia “Pânico”. Além de circular pelo estande, ele flerta com leitoras, dá um tapa no rosto de uma delas e também aparece com uma jovem no colo. Em determinado momento, ele levanta a máscara e troca beijos com a moça, que não teve a identidade revelada.
Assista abaixo:
GENTE QUE? pic.twitter.com/RfuOn4Qh7T
— ágatha 📖 (@agathalivross) September 7, 2026
por isso q na bienal eu passei direto pela fruto proibido https://t.co/hdZBCabQpU
— bela⁷ (@jhkthv7) September 8, 2026
KKKKKKKKKKKKKKKKKK EU TO PASSANDO MAL pic.twitter.com/LiZF6MtNuV
— ágatha 📖 (@agathalivross) September 7, 2026
A ação aconteceu entre sexta-feira (4) e domingo (6), na capital paulista, e movimentou os fãs do gênero literário de dark romance – um subgênero que explora relacionamentos intensos e tramas psicológicas, frequentemente marcados por obsessão, anti-heróis e temas considerados tabus, como violência e crime.
Após a repercussão, a organização da Bienal Internacional do Livro notificou a Editora Fruto Proibido. Em nota, os responsáveis pelo evento reforçaram que o episódio não fazia parte da programação oficial e não havia sido promovido ou autorizado pela organização: “A Bienal Internacional do Livro de São Paulo esclarece que o episódio ocorrido no interior do estande de um de seus expositores não integra a programação nem ação oficial, promovida ou autorizada pela organização do evento”.
Ainda segundo os responsáveis pela Bienal, o evento não compactua com condutas ou ações inadequadas dirigidas ao público. A organização também reafirmou o compromisso com a manutenção de um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para visitantes, expositores, autores, profissionais e demais participantes.
Diante das críticas, a Editora Fruto Proibido também se pronunciou. Em nota publicada nos Stories do Instagram, a editora se posicionou: “A Editora Fruto Proibido vem a público esclarecer uma situação ocorrida em nosso estande durante a Bienal. Imagens e vídeos envolvendo uma pessoa mascarada que esteve em nosso espaço ganharam repercussão nas redes sociais, acompanhados de interpretações de que sua presença teria sido organizada pela editora. Esclarecemos que a Fruto Proibido não contratou, convidou ou solicitou a presença dessa pessoa”.
A empresa continuou, afirmando que “não tinha conhecimento sobre situações relacionadas à pessoa por trás da máscara”. “Sua passagem pelo estande aconteceu de forma espontânea e foi inicialmente recebida pela equipe e pelo público como um momento de descontração. Foram feitas fotos, vídeos e conteúdos, assim como aconteceu com outros visitantes. As poses e interações registradas ocorreram a pedido e com a participação das próprias pessoas que se aproximaram para tirar fotos”, pontuou.
Ainda segundo a editora, ao notar que a situação escalou, a equipe passou a solicitar a identificação das pessoas envolvidas. “Infelizmente, naquele momento, a situação já havia saído do nosso controle”, lamentou.
“Reforçamos que a Editora Fruto Proibido não compactua ou endossa quaisquer atitudes atribuídas à pessoa por trás da máscara, especialmente fatos dos quais não tínhamos conhecimento no momento dos registros. Lamentamos profundamente toda a repercussão e qualquer desconforto causado à nossa comunidade, leitores, autores e parceiros”, declarou.
Por fim, a editora destacou: “O ocorrido nos serve de aprendizado. Redobraremos nossos cuidados e adotaremos critérios mais rigorosos para interações e gravações realizadas em nosso espaço durante eventos, buscando evitar que situações semelhantes voltem a acontecer. A Fruto Proibido preza por um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para todos”.

Mascarado identificado
A repercussão levou à identificação do homem mascarado, Yuri Gagarin, de 30 anos. Nas redes sociais, o rapaz foi acusado de assédio por internautas, que levantaram questionamentos sobre a idade das jovens que interagiram com ele.
Em nota redigida por seus advogados, Yuri se defendeu das acusações e afirmou que trabalha regularmente e de forma independente na internet. Além disso, mantém, nas horas vagas, um perfil voltado ao universo da literatura de romance, com uma persona inspirada nas tropes desse universo.
“Durante a visita à Bienal, [Yuri] combinou com uma amiga próxima a gravação de um vídeo em que apareceria mascarado e seria beijado por ela. O registro ganhou grande repercussão nas redes sociais, sendo compartilhado fora de seu contexto original e acompanhado de acusações graves que atingiram sua imagem, sua família e seus amigos”, disse a defesa.
Os advogados ressaltaram: “Sua participação na Bienal foi voluntária, espontânea e sem qualquer relação com remuneração, publicidade ou ação de marketing de editoras, autores ou da própria organização do evento. As demais fotografias e vídeos também ocorreram de forma espontânea. Após presenciarem a referida gravação, alguns frequentadores se aproximaram e solicitaram registros com Yuri. Não havia stand, sessão de fotos ou qualquer ação organizada para esse fim, e cada registro foi combinado no momento, inclusive quanto às poses”.
“Yuri e seus advogados repudiam veementemente as acusações de natureza criminal feitas contra ele e reafirmam que não praticou os crimes que lhe são atribuídos. Aqueles que lhe imputarem a prática de crimes serão acionados judicialmente e poderão responder pelos atos praticados, nos termos da legislação aplicável”, reforçou a defesa.
Por fim, a nota destaca que os comentários atingiram não apenas Yuri, mas seus familiares, “que não têm qualquer relação com os fatos e passaram a enfrentar uma exposição que não buscaram”.
Diante dos ataques, Yuri decidiu desativar temporariamente seus perfis públicos. “Por fim, lamenta profundamente que uma participação que deveria representar um momento de diversão e celebração tenha resultado em uma situação tão dolorosa para ele e sua família”, concluiu.
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