Nesta quarta-feira (9), a Interpol disponibilizou ferramentas de cooperação internacional para auxiliar nas buscas por Ágatha e Allan, irmãos desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão. A mãe das crianças se pronunciou.
Nesta quarta-feira (9), a Interpol disponibilizou ferramentas de cooperação internacional que poderão ser utilizadas para auxiliar na localização dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4. As crianças desapareceram em 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. A atualização do caso foi confirmada pela advogada da família, Nathaly Moraes, nas redes sociais.
A cooperação chegou aos parentes por meio do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, após autoridades dos Estados Unidos realizarem uma operação que resultou no resgate de 163 crianças desaparecidas. A disponibilização dos recursos, no entanto, não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados, que estejam fora do Brasil ou que façam parte do grupo localizado nos EUA.
Segundo o g1, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, participou hoje de uma reunião com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional, na sede da Polícia Federal, em São Luís. O objetivo do encontro foi esclarecer de que maneira os mecanismos oferecidos pela Interpol poderão ser empregados na investigação.
O contato com a família foi feito diretamente pelo núcleo da PF, que informou à Nathaly que a Interpol está disponível para colaborar com o caso. Os recursos podem ser utilizados em buscas internacionais e, caso as crianças sejam encontradas em outro país, em procedimentos para a repatriação.

“Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, afirmou a advogada, em seu perfil do Instagram.
Segundo Nathaly, a atuação internacional pode contribuir em diferentes etapas: “Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado”.
A possibilidade de participação da Interpol já havia sido considerada pela defesa da família. A advogada contou que pediu que a investigação deixasse de ser conduzida pela Polícia Civil e passasse para a Polícia Federal, caso o desaparecimento estivesse relacionado ao tráfico humano.
“Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal, porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles”, explicou.

Moraes acrescentou: “Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperações Internacionais entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar, porque até então nós não tínhamos apoio da Interpol, de maneira nenhuma”.
Apesar da nova frente de cooperação, não há confirmação de que os irmãos tenham sido localizados. “Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas”, completou Nathaly.
Meu coração se enche de esperança com essa notícia. 👇
A Interpol ofereceu apoio internacional nas buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, irmãos desaparecidos há oito meses em Bacabal (MA).
A família deverá se reunir com representantes da Polícia Federal… pic.twitter.com/HZOwQQx3JP
— Vera Noleto (@AduaneiradoX) September 9, 2026
Teste de DNA
As autoridades pediram a coleta do material genético de Clarice para comparação com o DNA de uma criança encontrada nos Estados Unidos. O procedimento foi realizado pelo Setor Técnico-Científico da instituição e o material será encaminhado nas próximas horas ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.
Em coletiva de imprensa, a mãe das crianças disse estar confiante em encontrar os filhos vivos. “Eu estou me sentindo muito confiante, porque até então estava tudo muito esquecido. E hoje eu estou muito confiante de que meus filhos possam ser encontrados vivos”, declarou ela.
Clarice disse reconhecer características do filho nas imagens, mas ressaltou que não é possível ter certeza apenas pelas fotos: “Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual à do Michael (…) Eu sempre falei nas minhas entrevistas que o coração de mãe não engana. E o meu sempre fala que meus filhos estão vivos. Eu tenho essa fé que meus filhos vão ser encontrados”.
Assista:
#Desaparecidos – A mãe de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão, participou nesta quarta-feira (9) de uma reunião na sede da Polícia Federal, em São Luís, para tratar do apoio oferecido pela Interpol às buscas pelos… pic.twitter.com/JjJXXTGpRK
— g1 (@g1) September 9, 2026
O desaparecimento
Ágatha Isabelly e Allan Michael desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, localizada na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. Desde então, não foram divulgadas informações concretas sobre o paradeiro dos irmãos. O desaparecimento completou oito meses na sexta-feira (4). Durante esse período, as buscas mobilizaram forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional.
Clarice disse que nunca vai desistir de procurar as crianças. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, torceu ela.

A mobilização também chegou ao Congresso Nacional. Em maio, representantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade quilombola. A visita ocorreu semanas depois da criação da comissão.
Em nota ao g1, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que as buscas por Ágatha e Allan continuam. O órgão explicou que não pode fornecer detalhes sobre o trabalho policial porque a investigação está sob segredo de Justiça.
A Secretaria reforçou que informações que possam ajudar a localizar as crianças sejam repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar.
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