Macklemore não fará mais os shows restantes da turnê de Ed Sheeran, nos EUA, após ato pró-Palestina. A decisão foi anunciada pelos promotores após os locais ameaçarem cancelar as apresentações com o rapper. Ele se posicionou sobre a saída nas redes sociais.
O rapper Macklemore não se apresentará mais na turnê de Ed Sheeran, nos Estados Unidos. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (14), pelos promotores da “Loop Tour” à revista Rolling Stone, e vem após o rapper ganhar destaque na mídia por dizer “Palestina Livre” em suas performances. Macklemore se pronunciou em seu perfil do Instagram.
De acordo com os organizadores, a decisão ocorreu depois que os locais ameaçaram cancelar os próximos shows da turnê. “Como promotores da ‘Loop Tour’, de Ed Sheeran, nos EUA, fomos notificados pelos locais que receberiam as próximas datas da turnê de que eles não permitiriam a realização de shows com Macklemore na programação – o que resultaria no cancelamento da turnê e afetaria centenas de milhares de fãs“, justificaram.
Macklemore se apresentaria em oito dos dez shows restantes da turnê de Sheeran. Ele estava escalado para performar em locais como o Gillette Stadium, em Foxborough, em Massachusetts; o Mercedes-Benz, em Atlanta, na Geórgia; o Lucas Oil Stadium, em Indianápolis; o Bank of America Stadium, em Charlotte, na Carolina do Norte; no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas; e no Raymond James Stadium, em Tampa, na Flórida.
As apresentações serão retomadas em 19 de setembro, na Filadélfia. “Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de abertura“, completaram os promotores.

A decisão vem depois de Macklemore fazer um discurso político durante o show de 4 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O artista, que sempre se mostra a favor do movimento palestino, disse ao público que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que elas não foram esquecidas.
Há anos, o rapper defende publicamente os palestinos e a população de Gaza. Ele se uniu à “Loop Tour” no início deste mês, e se apresentou duas vezes no MetLife Stadium, nos dias 4 e 5. Além de expressar sua solidariedade, ele ainda disse “Palestina Livre” no palco, exibiu imagens devastadoras da guerra e apresentou sua música de protesto “Hind’s Hall”.
Veja:
Wanting all humans to be treated equal should never be controversial. pic.twitter.com/BOJ9xMoIZn
— Macklemore (@macklemore) September 7, 2026
Críticas de Pink
A saída de Macklemore da turnê também ocorre após as críticas de Pink nas redes sociais. De família judia, ela compartilhou uma publicação que condenava a apresentação e pedia a retirada do rapper das apresentações. Uma semana depois, a cantora explicou que não ficou incomodada com a frase “Palestina livre”, nem o direito do artista de dizê-la, mas com o fato dele argumentar que as próprias falas não tinham relações com judeus.
Pink admitiu ter ficado chateada com o hate na web, falou sobre suas origens judias e disse ter acompanhado de perto todas as consequências da guerra entre Israel e Palestina. Ela ainda relembrou outras polêmicas de Macklemore e garantiu que não ficará mais em silêncio diante daquilo que não considera correto. “Eu fiz o que sempre faço quando me sinto magoada: postei memes sarcásticos e fingi que estava tudo bem. A culpa é minha. Um repost não é uma declaração, e um meme não é coragem. As redes sociais tornam todos nós superficiais e precipitados, e todos sabemos disso“, escreveu.
“Estou defendendo meu próprio povo, e achava que já sabia, antes mesmo de começar, o quanto isso seria solitário. E é ainda mais solitário do que isso. Mas estou fazendo isso mesmo assim. Algo mudou neste país, e consigo perceber isso nos meus próprios comentários“, destacou. “Mas já fui retratada como a vilã antes. Eu aguento isso. Só que não vou aceitar isso calada, e não vou ensinar meus filhos a fazer o mesmo“, acrescentou.

Macklemore se pronuncia
Após o anúncio, Macklemore se pronunciou em suas redes sociais. Em um longo texto no Instagram, o rapper pareceu atribuir a responsabilidade pela sua saída a Robert Kraft, proprietário do New England Patriots. Segundo ele, o bilionário teria mobilizado outros donos de estádios para impedir suas apresentações nos locais dos próximos shows. O cantor ainda citou o discurso de Pink e falou sobre a sua amizade de 13 anos com Sheeran.
“Eu não sei muito bem como começar isso. Então, eu vou falar de coração e compartilhar a verdade. Ed Sheeran e sua equipe decidiram me retirar da ‘Loop Tour’. Mas antes de entrar no assunto, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Acho que isso é importante neste momento. Eu não sou uma vítima. Ed Sheeran não é uma vítima. Pink não é uma vítima. Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e públicos ao redor do mundo. Quaisquer que sejam as consequências que qualquer um de nós enfrente pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias“, destacou.
“As vítimas são o povo palestino. Os homens, mulheres e crianças que foram mortos, deixados passar fome, deslocados e forçados a viver em meio a uma violência inimaginável. Mais de 20.000 crianças foram mortas somente em Gaza. Pessoas estão sendo mortas hoje, e pessoas serão mortas amanhã. Quero garantir que, ao contar essa história, não percamos isso de vista“, enfatizou o rapper.
Amizade com Sheeran
Na sequência, ele expôs os bastidores sobre sua saída da turnê. “Na segunda-feira passada, em meio a toda a atenção da mídia em torno da Pink e do que eu disse no MetLife, o Ed me contou que o Robert Kraft havia ligado para ele. Tínhamos um show marcado para o final deste mês no Gillette Stadium, que pertence ao Kraft Group. O Ed me disse que o Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele. O Ed também me contou que o Kraft havia mobilizado alguns dos outros proprietários de estádios e que, juntos, eles lhe deram um ultimato: se o Macklemore continuasse na turnê, ele não poderia tocar nos locais deles“, afirmou.
“Ed estava numa situação de merda. Ele sabia disso. Sua postura tipicamente apolítica estava sendo desafiada como nunca antes. Ele me disse que as palavras ‘Palestina Livre’ e a imagem da bandeira palestina eram ofensivas para muitas das pessoas com quem conversava. Eu lhe disse que, se essas palavras fossem mais ofensivas do que as dezenas de milhares de crianças palestinas mortas por Israel, então havia uma desconexão fundamental entre a posição daquelas pessoas e a minha. Mas ele não conseguia superar sua postura pública de ‘não tomar partido’“, comentou.
Em seguida, Macklemore fez uma reflexão sobre aqueles que não tomam partido político, mas não deixou de ressaltar a sua consideração por Sheeran. “E eu entendo por que as pessoas não fazem isso. Tomar partido pode custar caro. Dinheiro, contratos de marca, patrocínios, festivais, apresentações privadas, relacionamentos e acesso. Eu perdi tudo isso. Mas não existe posição neutra entre o opressor e o oprimido. Quando um lado tem as bombas e o apoio financeiro e militar ilimitado dos Estados Unidos, recusar-se a tomar partido não coloca você no meio-termo“, disparou.
Por fim, o rapper salientou que há três anos se mostra a favor do movimento palestino em seus shows e desejou que sua amizade com Ed não acabe após toda a polêmica. “Eu espero que isso não acabe com a minha relação com Ed. Treze anos de amizade não desaparece por causa de um desacordo doloroso. Eu espero que nós dois continuemos ouvindo, estudando o que acontece na Palestina e lutando com o que a neutralidade significa em um momento como esse. Minhas portas estarão sempre abertas para continuar essa conversa“, completou.
Leia a íntegra:
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