O médico Mark Fowler voltou a supervisionar uma execução malsucedida no Tennessee após a tentativa com Christa Pike nesta quarta (30). Ele já havia atuado no caso de Tony Carruthers em maio, que também acabou suspenso. O governador do estado determinou a interrupção de novas execuções em 2026.
O médico que supervisionou a tentativa de execução de Christa Pike, no Tennessee, também esteve à frente de outra execução que não foi concluída no estado neste ano. De acordo com o TMZ, Dr. Mark Fowler participou do procedimento de Tony Carruthers, em maio, e voltou a atuar na execução de Pike, que terminou sem a morte da detenta após duas doses de pentobarbital, um medicamento da classe dos barbitúricos, atuando como um poderoso depressor do sistema nervoso central.
No caso de Carruthers, marcado para 21 de maio, a equipe médica conseguiu estabelecer uma primeira via intravenosa, mas não conseguiu criar uma segunda, exigida pelo protocolo de execução do Tennessee. As tentativas se prolongaram por mais de uma hora antes de o procedimento ser interrompido.
Fowler foi chamado para tentar estabelecer uma via central, mas também não conseguiu concluir o procedimento. Segundo documentos judiciais citados pelo NPR e por veículos locais, o médico havia declarado em depoimento que não colocava uma linha central havia pelo menos 13 anos. Ele também afirmou não possuir privilégios hospitalares atuais.
Carruthers sofreu perfurações durante procedimento
A atuação de Fowler no caso de Carruthers passou a ser questionada posteriormente pela defesa e pela família do detento. Uma denúncia apresentada pela irmã de Carruthers ao Departamento de Saúde do Tennessee afirma que o médico tentou inserir a linha central enquanto o preso ainda sentia o procedimento e que houve sangramento após as tentativas.
Segundo a denúncia, Carruthers teria sido perfurado diversas vezes e demonstrado dor durante a tentativa. A irmã também afirma que ele sofreu posteriormente um AVC, passou a apresentar dificuldades de equilíbrio e ficou parcialmente paralisado. Essas consequências foram relatadas pela família e pela defesa, mas não foram confirmadas oficialmente.

A denúncia ainda questiona a aplicação de lidocaína antes do procedimento. De acordo com o documento, Fowler teria perguntado se Carruthers era alérgico ao anestésico, mas, sem obter uma resposta, teria aplicado a substância mesmo assim. O médico não comentou publicamente as acusações; quando procurado pelo portal de notícias MLK50, afirmou que não falaria com jornalistas porque o caso estava em litígio.
Tennessee suspende novas execuções
Agora, Fowler foi escolhido para supervisionar o procedimento de Christa Pike. Em agosto, o próprio médico confirmou que participaria da execução, apesar de seu envolvimento na tentativa malsucedida de Carruthers. Na ocasião, a defesa de Pike já questionava a capacidade do estado de estabelecer acesso intravenoso de maneira segura.
Na noite de 30 de setembro, Pike recebeu duas doses de pentobarbital, mas permaneceu viva. Testemunhas relataram que ela continuava respirando e emitindo sons semelhantes a roncos após a administração dos medicamentos. A detenta foi levada para um hospital, onde permanece sob cuidados médicos.
O advogado de Pike afirmou nesta quinta-feira (1º) que ela está “criticamente doente, mas não em coma”. Segundo ele, a detenta continua inconsciente e sem conseguir se comunicar.

Após o fracasso do procedimento, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções restantes previstas para 2026 e anunciou uma revisão independente do protocolo utilizado pelo estado.
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