Paul McCartney relembrou como enfrentou o fim dos Beatles durante uma conversa com Judd Apatow, em Los Angeles. O músico falou sobre o impacto da separação em sua vida, os desafios de iniciar uma nova fase na carreira e a criação do Wings.
Paul McCartney abriu o jogo sobre o período difícil que enfrentou com o fim dos Beatles, em 1970. Durante uma conversa com o diretor Judd Apatow após uma exibição do documentário “Man on the Run”, em Los Angeles, o músico comparou o término da banda à sensação de perder o único emprego que já havia tido. O bate-papo, divulgado pela Variety nesta terça-feira (29), também contou com a participação do cineasta Morgan Neville, responsável pela produção.
Ao falar sobre os anos que sucederam a separação, McCartney explicou que precisou descobrir o que faria profissionalmente depois de passar toda a vida adulta até então ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. “O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles acabam, esse foi o único trabalho que você já teve e, então, você não o tem mais. É como se você tivesse sido demitido”, comparou. Segundo ele, a criação do Wings nasceu justamente dessa tentativa de encontrar um novo caminho.
A ruptura também teve consequências na vida pessoal do artista. McCartney contou que se mudou para a Escócia e passou a beber em excesso enquanto tentava lidar com a nova realidade. “Foi como uma espécie de colapso mental. Comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais”, recordou. “Foi muito divertido até deixar de ser”, acrescentou. O cantor afirmou que os filhos e Linda McCartney tiveram papel importante para que ele mudasse de comportamento.
Além da perda profissional, Paul admitiu que abandonar a dinâmica que mantinha com os outros três Beatles foi particularmente difícil. “Acho que estar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Então precisei descobrir como faria aquilo e como tornaria tudo diferente”, explicou. Na época, ele chegou a pensar que poderia simplesmente criar músicas semelhantes às dos Beatles e reunir outros músicos para reproduzir aquela sonoridade, mas rejeitou a ideia.

Essa decisão também se refletiu nos palcos. No início da carreira pós-Beatles, McCartney resistia até mesmo aos pedidos para incluir sucessos do quarteto em seus shows. Segundo ele, produtores insistiam para que cantasse ao menos “Yesterday”, mas a resposta era negativa. O artista só voltou a incorporar canções dos Beatles ao repertório depois de consolidar sua nova fase, especialmente após o sucesso de “Band on the Run”, de Wings.
A banda surgiu em 1971, depois de McCartney assistir a uma apresentação de Johnny Cash na televisão e se inspirar na formação montada pelo cantor. Foi então que ele convidou Linda, sua esposa, para começar um grupo ao seu lado. Mesmo sem formação musical, ela aceitou a proposta. “Nós aprendemos juntos. Essa era a grande coisa: subimos os degraus juntos”, afirmou o ex-Beatle, lembrando ainda das críticas que ambos receberam pela decisão.
Com o passar do tempo, McCartney também percebeu que não conseguiria reproduzir no Wings a mesma dinâmica coletiva que existia nos Beatles. Embora inicialmente quisesse ser apenas mais um integrante, ele concluiu que precisava assumir a liderança criativa do grupo. “Eu queria simplesmente ser um cara igual aos outros, mas isso não funcionou”, disse. “Eu era um Beatle, e eles não eram. Então, sim, eu precisava ser o chefe”, continuou ele.
A conversa aconteceu após uma sessão especial de “Man on the Run”, documentário que revisita a trajetória de McCartney entre o fim dos Beatles e os anos de Wings. A produção de Morgan Neville acompanha justamente o período entre 1970 e 1980 e utiliza imagens de arquivo e depoimentos em voz, opção elogiada pelo próprio cantor durante o evento.
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