Richarlison provocou Flávio Bolsonaro nas redes sociais após a derrota eleitoral e recebeu uma resposta de Neymar. O atacante do Santos alfinetou o colega da Seleção ao mencionar a disputa judicial por uma propriedade em Angra dos Reis, na qual Richarlison afirma ter investido R$ 10 milhões.
Richarlison reagiu à ida de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota nas eleições, e Neymar respondeu ao atleta. O atacante do Tottenham publicou, nesta terça-feira (27), uma provocação sobre a saída do senador do Brasil. Em seguida, o jogador do Santos respondeu com uma referência à disputa judicial por uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
“Então não tem ninguém na ilha?”, escreveu Richarlison, em uma publicação que traz montagens feitas com inteligência artificial e imagens dele mesmo na propriedade. Neymar, companheiro de Richarlison na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 2022, comentou na postagem. “Próxima vez, lê o contrato, seu moleque”, escreveu o atacante do Santos, que apoiou Flávio durante a campanha presidencial, junto com emojis de risada.
A troca de mensagens ocorre em meio a briga na Justiça envolvendo a propriedade, o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a diferentes negociações do imóvel. Richarlison afirma que investiu cerca de R$ 10 milhões na compra da propriedade e quer recuperar o dinheiro.

Entenda a disputa pela ilha
Richarlison afirma que comprou a propriedade e que, depois da negociação, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse no imóvel. Segundo o jogador, ele não aceitou vender a casa. Ainda assim, o senador publicou no Instagram um vídeo feito por drone que mostrava a residência e uma cachoeira próxima.
Em mensagens exibidas pelo atacante, ele cobrou Flávio e mencionou o contexto eleitoral. “Ano de eleição e a galera vai aproveitar. Só quero meu dinheiro de volta. Vocês se viram”, escreveu Richarlison. Ao enviar imagens do contrato, Flávio respondeu que seus advogados haviam consultado o processo e identificado um acordo entre a empresa Sport 80, ligada ao jogador, e o ex-empresário Renato Velasco.
“Os advogados consultaram o processo e viram que foi feito um acordo com a sua empresa Sport 80, com Renato Velasco assinando”, afirmou o senador. Flávio também pediu que Richarlison divulgasse uma nota para esclarecer que ele não tinha relação com a disputa: “Estão usando o assunto contra mim, que não tenho nada a ver com isso.”

“Gostaria de te pedir que soltasse uma nota dizendo que eu não tenho nada a ver com o assunto”, escreveu. Richarlison, por sua vez, afirmou que foi o ex-empresário quem atribuiu a Flávio a posse da propriedade. “Foi ele mesmo que disse que você pegou a ilha lá”, escreveu o jogador. O senador rebateu: “Craque, mentira pura!”.
A controvérsia envolve também a empresa do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio Bolsonaro. Em 25 de abril de 2022, a WT Administração de Bens e Imóveis, ligada a Tomaz, firmou um contrato de compra e venda da propriedade com a empresa M Locadora, de Santos.
Após a transação, a viúva de um dos sócios registrou um boletim de ocorrência por suspeita de estelionato. Ela alegou que a casa já havia sido vendida cerca de 20 anos antes e levantou suspeitas sobre assinaturas e possíveis irregularidades em atos de cartório.
Willer Tomaz pediu ampliação de construção em ilha disputada com Richarlison no dia em que Castro afrouxou proteção em Angra https://t.co/9JXhKz6kq3 #g1 https://t.co/oXAoXxlulO
— g1 (@g1) October 28, 2026
Segundo as informações divulgadas pelo UOL, a WT pagou R$ 600 mil pelo imóvel, abaixo dos R$ 2,6 milhões atribuídos à avaliação da prefeitura de Angra dos Reis. Tomaz afirmou ter desembolsado outros R$ 3 milhões para quitar impostos e dívidas relacionados à propriedade.
O acordo citado por Flávio teria sido firmado entre uma empresa de Tomaz e Renato Velasco. No fim de 2025, uma empresa ligada a Richarlison e ao ex-empresário renunciou à ação que movia para questionar a posse do imóvel. Richarlison, no entanto, declarou ao UOL que não autorizou a realização do acordo.

A disputa também chegou à Justiça por meio de uma ação apresentada em 29 de julho pela empresa de Willer Tomaz. O objetivo era impedir que Richarlison divulgasse conteúdos com sua versão sobre o caso. Em 13 de agosto, a Justiça negou a adoção imediata das medidas solicitadas e afirmou que o pedido “aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento”.
Em nota, Tomaz declarou que “Richarlison nunca foi parte em processo algum relativo à ilha” e afirmou que a empresa ligada ao jogador e a Velasco perdeu em todas as instâncias, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A disputa sobre a propriedade segue marcada por versões divergentes a respeito da compra, dos acordos firmados e da responsabilidade de cada envolvido.
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