Rick Sollo e outras quatro pessoas morreram em um acidente de helicóptero em Santa Catarina cujo relatório preliminar apontou falhas nos geradores e caixa-preta sem registro do voo. Anexado pelo Cenipa na terça (21), o documento do órgão da FAB detalha o histórico da investigação do caso.
O relatório preliminar sobre a queda do helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas, em Urubici, Santa Catarina, aponta falhas recorrentes nos geradores da aeronave e informa que a caixa-preta não registrou o voo do acidente. O documento foi anexado na terça-feira (21) ao processo de investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). As informações foram divulgadas pelo g1.
Segundo o relatório, o gravador de voz da cabine, conhecido pela sigla CVR (Cockpit Voice Recorder), armazenava diálogos referentes a um procedimento de manutenção realizado em data não determinada. O equipamento, que tinha capacidade para registrar 30 minutos de áudio, foi instalado no helicóptero em 17 de maio de 2002.
Embora a legislação atual não obrigasse a aeronave a ter gravadores de voo para aquele tipo de operação, o helicóptero contava com o dispositivo. Como o áudio disponível não correspondia ao voo da ocorrência, o material não permitiu recuperar as conversas da tripulação durante o acidente.
O relatório também detalha problemas recorrentes nos geradores, componentes responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica da aeronave e que, na maioria dos modelos, também participam da partida do motor. De acordo com o documento, um mecânico que já havia realizado serviços no helicóptero recomendou que ele retornasse à oficina para uma nova inspeção, mas isso não havia ocorrido até a queda.

O documento também descreve um histórico de panes nos geradores, algumas associadas a voos realizados dentro de nuvens ou sob chuva, condições que poderiam expor os componentes à umidade. O mecânico confirmou que os problemas eram frequentes, mas não conseguiu afirmar se a umidade era, de fato, a causa das falhas.
Os registros indicam que os defeitos chegaram a diminuir temporariamente, mas voltaram a ocorrer. Em uma das situações relatadas, um dos geradores deixou de fornecer energia, enquanto o outro manteve o sistema elétrico da aeronave funcionando e evitou que as telas do helicóptero se apagassem.
Em 25 de abril de 2026, o segundo motor-gerador de partida precisou ser substituído por uma unidade alugada, conforme os registros de manutenção. O componente removido passou por reparos e foi reinstalado em 13 de maio, ocupando a posição do primeiro motor-gerador. O equipamento que estava nessa posição foi transferido para a segunda.
Após a alteração, as falhas passaram a ocorrer de forma alternada nos dois geradores. Diante da recorrência dos problemas, o mecânico recomendou que o helicóptero voltasse a uma organização de manutenção para investigar a origem das panes.
O relatório também registra um episódio anterior: em 30 de março de 2026, a aeronave precisou realizar um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, devido a uma “vibração considerada anormal”. De acordo com o documento, as manutenções realizadas posteriormente não identificaram problemas relacionados à vibração do rotor principal.
Segundo o Cenipa, o helicóptero colidiu contra o terreno em uma região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim. No momento do acidente, a área estava sob a influência de um sistema frontal, com chuva e formação de nuvens baixas.
O relatório cita uma previsão meteorológica para voos em níveis baixos na Região de Informação de Voo de Curitiba, válida entre 12h e 18h no horário UTC. O documento indicava chuva moderada, visibilidade reduzida a 3 quilômetros, possibilidade de trovoadas encobertas e nuvens com grande desenvolvimento vertical. Também havia um alerta para o obscurecimento de montanhas na Serra Geral.
As condições descritas integram o conjunto de informações analisadas pelos investigadores. No entanto, o relatório preliminar não estabelece que o tempo ou as falhas mecânicas tenham sido a causa do acidente.
Além de Rick Sollo, cantor que formava dupla sertaneja com Renner, estavam a bordo o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Todos morreram na queda, ocorrida em 21 de setembro, em Santa Catarina.

Investigação sobre helicóptero que levava Rick continua
O documento, de 16 páginas, ressalta que nenhuma hipótese foi descartada nesta etapa da apuração. O Cenipa informou que exames e análises complementares seguem em andamento nas diferentes áreas de interesse da investigação.
“Os trabalhos relativos desta ocorrência estão em andamento. Este reporte tem por finalidade apresentar o status atual do tratamento da notificação. Seu teor ainda pode ser alterado e não vincula obrigatoriamente as conclusões que serão publicadas no Relatório Final de investigação”, afirmou o órgão.
Assim, os dados sobre as falhas nos geradores, a manutenção e as condições meteorológicas ainda não representam uma conclusão sobre o que provocou a queda. A definição das causas dependerá do avanço das análises e do relatório final.
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