Christa Pike relatou uma forte ardência no braço durante a tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, nos Estados Unidos. Jornalistas que acompanharam o procedimento descreveram o comportamento e as últimas palavras da detenta, que sobreviveu após receber duas doses e foi levada ao hospital.
Christa Pike reclamou de uma forte ardência no braço enquanto recebia duas doses de uma injeção letal. A mulher foi condenada à morte no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, mas o procedimento falhou, e ela precisou ser encaminhada ao hospital. A detenta estava no corredor da morte desde 1995, quando foi condenada por um assassinato.
Jornalistas que acompanharam a tentativa de execução, realizada nesta quarta-feira (30), relataram que Christa permaneceu consciente durante parte do procedimento e chegou a conversar com os responsáveis. Segundo Tori Gessner, repórter da WKRN, a condenada reclamou de uma ardência nos braços. “Meu braço parece que vai explodir. Isso acontece assim?”, teria questionado.
Gessner ainda relatou que a detenta ficou “alternando entre roncos e silêncio de forma inconsistente“. A sessão terminou por volta das 20h05, mas os jornalistas continuaram ouvindo os roncos. Às 20h53, o microfone foi desligado e, mesmo assim, segundo a repórter, o som continuava perceptível.
Já Catherine Sweeney, repórter da WPLN, descreveu que a detenta “levantou a cabeça e, em certo momento, estava olhando ao redor“. “Nada daquilo era normal”, definiu.
Últimas palavras
O repórter Damon Lawrence afirmou que Christa também teve a oportunidade de fazer uma última declaração. Ela teria falado: “Só quero dizer que vou deixar este mundo da mesma forma que passei a maior parte da minha vida, ou seja, com amor”. De acordo com o profissional, a mulher ainda afirmou que estava “em paz” e “pronta para ir“.

Falha no procedimento
Toda a dinâmica da execução de Christa foi conturbada. A sessão estava marcada para as 10h, mas uma hora antes, um tribunal suspendeu o procedimento. A decisão, no entanto, logo foi derrubada pela Suprema Corte estadunidense.
À noite, a condenada foi levada à câmara de execução presa a uma maca e, às 19h27, a sessão recomeçou. Ela recebeu duas doses de pentobarbital, com a segunda aplicação sendo por volta das 20h26, mas Christa não morreu. Testemunhas da Associated Press afirmaram que ainda conseguiam ouvi-la roncando atrás das cortinas até o microfone ser desligado, às 20h53. A detenta deixou a penitenciária em uma ambulância e foi encaminhada para um hospital, mas seu estado de saúde não foi informado.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o episódio como “algo único e sem paralelo“. Segundo a especialista, sete condenados já sobreviveram a execuções porque as equipes não conseguiram acessar uma veia para administrar os medicamentos. Até então, porém, não havia registro de uma pessoa que permanecesse viva depois de realmente receber as doses. Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no estado até o fim do ano.
Christa foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Na época, ela tinha 18 anos. O crime ganhou repercussão devido a um pentagrama gravado no corpo da vítima e a outros elementos associados a cultos satânicos. Caso a execução tivesse sido concluída, Christa seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
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