Tom Cruise falou à GQ sobre sua vida pessoal e carreira, confirmou rumores dos bastidores de seus filmes e comentou a relação com atores como Brad Pitt. O astro também explicou por que passou anos sem dar entrevistas extensas.
Tom Cruise se abriu sobre os rumores em torno de sua vida pessoal e profissional. Em uma rara entrevista, publicada pela revista GQ nesta terça-feira (15), o astro de Hollywood confirmou que possui uma abordagem intensa nos bastidores com as equipes que trabalham com ele no cinema e admitiu não temer a morte, especialmente durante as filmagens. O ator, de 64 anos, ainda elogiou Brad Pitt e explicou por que evitou entrevistas extensas nos últimos anos.
Mentor nos bastidores
Em 2024, Glen Powell viralizou após dizer que Tom atuou como seu mentor em “Top Gun: Maverick”, e que o astro o fez assistir sozinho, em uma sala de cinema, a um vídeo instrucional de seis horas – criado pelo próprio Tom – sobre a realização de filmes. O vídeo, segundo Glen, mostrava o ator falando diretamente para a câmera e compartilhando lições que aprendeu na carreira.
Tom, por sua vez, confirmou a história. “Os rumores são verdadeiros“, declarou. “Era algo bem básico. O objetivo era fazer as pessoas entenderem – terem uma noção diferente sobre lentes, o que é uma lente e o que é o enquadramento. É como um ator no palco ou, sabe, a evolução do cinema desde o início; entender o significado daquele enquadramento e como compreendê-lo. Existem diferentes camadas de narrativa e estrutura, mas também é preciso entender certas coisas para que você possa, depois, esquecê-las – mas tendo assimilado o conceito“, detalhou.
O ator também falou sobre a sua tendência a orientar atores, diretores e produtores. “Eu converso com elas sobre o que significa fazer filmes para mim. Eu sempre digo: ‘Escute, tente conhecer as pessoas antes de começar a trabalhar’. Tipo, não trabalhe com qualquer um. Quem são elas? Como elas são? O que estão tentando fazer? Tive que aprender isso cedo. Passei por muitas escolas diferentes, e isso me ensinou sobre comportamento humano e sobre a vida“, explicou. Ele afastou o título de “a última estrela de cinema” ao citar seus esforços para orientar os atores mais jovens.

Elogio a Brad Pitt
Tom apontou para outros atores talentosos em atividade, destacando especificamente Brad Pitt. “Há atores realmente talentosos. O Pitt é um grande ator, uma grande estrela, tem um carisma enorme e há muitos, muitos outros… Eu convivi com grandes profissionais desde que eu era jovem; não é algo restrito a 1981… é algo geracional. Enquanto você faz filmes, aprende com outras pessoas e depois imprime sua própria marca, mas percebe que fazer cinema é uma habilidade que se aprende“, disse.
O astro, que completou 64 anos em julho, ainda revelou se mudou a forma de pensar com a chegada dos 60. “Significa que tenho 64 anos“, brincou. “Estou vivendo minha vida e sempre tenho sonhos, mas também sei que, para realizá-los, é preciso esforço; é necessário entender a vida e as habilidades envolvidas, pois é um processo constante de aprendizado“, apontou.
Medo da morte
Diante das cenas de ação cada mais perigosas na franquia “Missão: Impossível”, ele foi questionado se tem medo da morte. “Acho que você pode olhar para a minha vida e pensar: ‘Ele gosta de ficar na beira de um precipício, tanto física quanto metaforicamente’. Isso significa que encaro a vida como uma aventura, e sempre foi assim. Quero entender as pessoas. Quero entender a vida e as culturas. Fico pensando: quem são essas pessoas? Como elas se sentem? Será que pensam como eu? Será que riem das mesmas coisas? Como posso me conectar com elas?“, refletiu.
Na sequência, Tom admitiu que não tem medo de morrer, especialmente durante as filmagens. “Mas a questão é: como usamos essas ferramentas para criar um impacto emocional no público? E será que isso está comunicando o que queremos comunicar? Então, eu temo a morte? Não, não temo. Mas não me importo com a sensação. Não é que eu não sinta medo. Eu não me incomodo com o sentimento. Entendo que a vida tem certezas e incertezas e, tanto ao fazer filmes quanto ao viver a vida, o que me interessa é transformar incertezas em certezas, mas também criar novas incertezas para continuarmos avançando. Isso faz parte da aventura. É simplesmente quem eu sou… Não tenho medo de sentir medo… Não tenho receio de pensar: ‘Ok, sei que isso é um salto, então vamos lá. Vamos saltar. Vamos nessa’“, pontuou.

Entrevistas extensas
Tom ainda explicou por que não concedia uma entrevista extensa como essa há anos. “Primeiro, estive ocupado. Estive muito ocupado, e há coisas que quero que outros artistas saibam. Quero que eles vejam as coisas da mesma forma que eu. Quando as pessoas assistem a um filme, querem que tudo pareça fácil. Mas não se trata apenas de sentir a alegria; é preciso entender que tudo bem se doer, se for difícil, se for confuso e se você não tiver todas as respostas“, disse.
Quando questionado por que decidiu que esse era o momento certo, ele mencionou o enorme esforço para manter suas produções em andamento durante a pandemia da Covid-19. “Antes de tudo, preciso dizer que, durante a pandemia, vivemos uma corrida intensa e de longa duração, enfrentando muitos desafios. Queríamos manter todos trabalhando e operando em um nível altíssimo, e agora é o momento de falar sobre isso“, compartilhou.
Da infância a Hollywood
Por fim, o ator relembrou os sonhos de infância e revelou o que considera um lar. “Aprendi muito cedo a não contar às pessoas que eu tinha sonhos. Eu os escrevia em um quadro e os deixava na parede. Não era sobre querer ser famoso. Eu definitivamente queria fazer filmes, mas queria viajar pelo mundo, conhecer pessoas e conhecer a vida; e sempre soube que eu conseguia trabalhar. Sou muito trabalhador, sempre fui… lá no fundo, o que eu sabia? O que eu sentia é que conseguia trabalhar mais do que qualquer um“, observou.
“Estou me preparando para o próximo projeto. Estou sempre estudando algo. Estou sempre aprendendo alguma coisa, sempre. Tenho um lar onde quer que eu vá; sinto-me muito em casa nos lugares, e é isso que eu gosto“, completou.
Confira a entrevista:
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