Gabriela Loran relembrou, no “Sem Censura”, um episódio de transfobia que sofreu antes da fama e refletiu sobre os desafios enfrentados por pessoas trans dentro e fora do audiovisual. A atriz também falou sobre representatividade na teledramaturgia.
Gabriela Loran deu um forte depoimento ao relembrar um episódio de transfobia que sofreu em um shopping. A atriz participou do “Sem Censura” desta terça-feira (21) e analisou o impacto de sua representatividade na teledramaturgia. No entanto, ela contou que foi vítima de preconceito antes de ser conhecida nacionalmente.
O caso aconteceu quando Gabriela trabalhava no restaurante de um shopping. Ela contou à apresentadora Cissa Guimarães que, um dia, estava no banheiro feminino com as amigas quando uma funcionária apareceu para pedir que deixasse o local. A atriz ainda percebeu que a mulher estava desconfortável com a abordagem. “Ela disse: ‘Eu preciso que você saia. Fala com o segurança ali’”, recordou.
Ao procurar o segurança, Gabriela foi surpreendida com uma fala transfóbica. “Falei que não entendi por que ele queria que eu saísse do banheiro. E ele: ‘Ah, meu parceiro, pelo amor de Deus, você pode assustar as pessoas’”, contou.
A artista, então, decidiu levar o episódio à administração do shopping: “Quando eu escutei a fala dele, percebi que era uma pessoa que não tinha discernimento para entender. Então, não era com ele que eu iria resolver isso. Virei minhas costas, engoli meu choro, fui para casa e trabalhei o dia inteiro com aquela sensação horrorosa de ter sido humilhada”.
Em seguida, ela formalizou a reclamação por e-mail e recebeu uma ligação do estabelecimento oferecendo um jantar. A administração ainda comunicou que demitiria o segurança. A atriz, entretanto, rejeitou a medida e propôs uma ação voltada à conscientização dos funcionários.
“Eu falei: ‘Não, você não vai demiti-lo’. Porque o problema não está nele. Você vai demiti-lo, ele vai entrar em outro emprego e vai replicar a mesma coisa. O que eu quero é uma palestra de diversidade para os funcionários”, justificou.

Durante a entrevista, Gabriela também revelou que enfrentou situações de preconceito dentro do próprio audiovisual: “Fui chamada para fazer uma personagem, a pessoa disse: ‘Estou vendo seu Instagram, você é muito bonita, fala aí como trans, anda como trans. Como trans fala e anda?’. Falava: ‘É sério que estou passando por isso?’. Ou, então, vem textos com piadas que não fazem sentido serem ditas por pessoas trans”.
Diante desses episódios, a atriz explicou que considera importante continuar discutindo sua identidade de gênero. “Por mais que a gente não precise [falar que é trans], às vezes, a gente tem que falar para letrar essas pessoas. A gente não recebe nem mais nem menos por isso. Às vezes, vem erros em textos que a gente faz ajustes, conversa”, refletiu.

Gabriela ainda apontou “Três Graças” como uma experiência diferente, já que ela participou da construção de sua personagem, Viviane. “A Viviane só foi um sucesso porque eu tive escuta, pessoas que estavam em lugares de poder me ouviram e se abriram a mim. Para que uma pessoa trans seja contratada, é preciso que o contratante use seus privilégios a favor dessa pessoa. Se eu consegui esse espaço, foi porque pessoas abriram portas para mim”, concluiu.
Assista ao programa na íntegra:
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